Cultura Pop

realidade ou ficção?

Realidade ou Ficção

Sou do tempo que reality show era uma tentativa de reproduzir a realidade nas telas e transportar o telespectador para situações em que ele questionasse o modo de agir do participante, ao se identificar ou não com determinados comportamentos.

A realidade ali poderia se mostrar de diversas formas, desde um grupo de amigos presos em uma casa tendo que experimentar juntos relações frustradas e crescimento pessoal como era a proposta do The Real World da MTV à fórmulas que prometiam prêmios ou carreiras a partir do talento do participante ou simplesmente pelo seu carisma ou estratégia de jogo.

Ao longo dos anos novas propostas de programas foram surgindo, o público se apegando às fórmulas, criando torcidas, votando em seus favoritos. A chance de interagir com um programa que poderia mudar de fato a vida de alguém enquanto se identificava com o participante como aquele cara que poderia ser o seu vizinho ou a menina do seu trabalho, era certeza de sucesso de audiência.

Da minha parte, sempre curti os barracos, a redenção dos personagens rejeitados, a punição dos vilões, scripts que poderiam ser de um reality mas que se pareciam muito com as estruturas de filmes e séries da ficção.

Chegamos a 2020. O BBB em sua vigésima edição bombando mais do que tudo, a MTV praticamente extirpando a música de sua programação para investir cada vez mais em programas com jovens cheios de feromônios e nós babando em frente à tv, ainda chamando aquilo tudo de reality show.

Até que a realidade mudou.

Uma pandemia que nos força a fazer isolamento social, um vírus que se alastra por todo o planeta causando milhares de mortes e continua a cada dia mais sufocando o sistema de saúde e dando um olé nos cientistas mudou o que conhecíamos como realidade. Muda a nossa vida, nossa rotina, nossa verdade. Tudo o que sabíamos e planejávamos já não tem mais validade e fomos forçados a repensar modos de trabalho, relações, comportamentos.

Com o mundo de cabeça pra baixo, passamos nós a ser os confinados e os realities se transformaram em programas de ficção, que nos aliviam neste momento de incertezas. Vivemos em uma distopia em que houve uma troca de papéis e os programas que antes nos geravam identificação agora são os que nos transportam para uma realidade com a qual não temos mais contato. Vemos os realities pra matar a saudade das festas, do tempo em que podíamos nos abraçar e beijar livremente, viajar pra qualquer destino sem protocolos extremos de segurança, sair na rua sem máscaras, comemorar aniversários presencialmente.

Os realities nunca foram tão fictícios. E nós nunca fomos tão reais.

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