Cultura Pop

Colecionismo é um bom investimento?

Minha coleção de Transformers começou em idos de 1999 com os robozinhos lançados pela Estrela que sobreviveram à minha infância. A partir daí, comecei a pesquisar sobre a coleção, ter contato com outros colecionadores, adquirindo robôs e há 20 anos já consegui juntar um número bem considerável de itens tanto da coleção da Estrela como originais da Hasbro e da Takara. Uma das coleções mais difíceis de se completar até o momento, para mim, foi a linha lançada na Estrela (sobre a qual já escrevi neste post aqui, caso queiram conhecer). Tudo por conta do robozinho Optimus Carrera branco, o qual passei, pelo menos, uns cinco anos procurando até finalmente achar um em bom estado. Quando recebi dos Correios a caixa que o vendedor havia me enviado foi misto de alegria com a sensação de vitória e dever cumprido. Só não cheguei a soltar fogos de artifício nem estourei uma garrafa de espumante porque o bom senso não me permitiu, evidentemente.

O surgimento e massificação das mídias sociais me fizeram ter contato com mais outros colecionadores e é bem comum nesses grupos compartilhar uns com os outros as fotos sejam de nossas coleções ou de nossas últimas aquisições. Pois bem, quando finalmente consegui fechar a coleção dos Transformers da Estrela, postei a foto dela na página de colecionadores (a exata foto que ilustra este post) e logo o primeiro comentário que fizeram na publicação foi: “Imagina só quanto deve valer!” Confesso que fui surpreendido, pois esperava algo como críticas, elogios, comentários de incentivo ou depreciadores, afinal, não se pode agradar a gregos e troianos, como diz o provérbio, mas um comentário falando sobre cifras…?

Observando mais atentamente percebo que é bem comum nos depararmos com colecionadores que enxergam suas respectivas coleções como uma forma de status ou investimento com rentabilidade excelente e liquidez certa. Dependendo do item, isto pode até rolar quando for o caso de obras de arte ou carros clássicos, por exemplo, porém, por maior que seja o orgulho que você tenha dos seus itens, não podemos viajar na maionese em relação àquela sua coleção de action figures, de cards, de miniaturas de carros ou sei lá o que entrarem nesse mesmo bolo. É claro que, como toda coleção, existem os itens mais raros e, por serem mais cobiçados, possuem até um certo valor de mercado, ou casos isolados como o sujeito que tinha uma coleção completa de Transformers da Hasbro da década de 1980 toda lacrada nas caixas e a vendeu por 1 milhão de dólares. O problema todo é que são justamente estes casos isolados que levam a uma onda de pessoas a enxergarem grandes cifras em suas prateleiras para, lá na frente, terem grandes dificuldades para vender seus itens quando precisam simplesmente porque as chances de aparecer alguém disposto a pagar o preço que o colecionador acha que vale são ínfimas, ainda mais no atual momento econômico do país, onde a maioria das pessoas está evitando gastar por conta das incertezas políticas. Para endossar o que falo, já presenciei várias histórias de colecionadores que acabaram falecendo e suas viúvas e filhos ficam com os itens encalhados por meses ou até anos sem conseguir vender, para, no fim, acabarem vendendo por qualquer trocado apenas para se livrarem do fardo.

Iniciar uma coleção focando só no lucro ou no status que ela pode lhe trazer no meio acaba deixando de lado a parte mais legal do colecionismo que é justamente a caçada pelos itens, o aprendizado que a história da coleção vai lhe trazer, as amizades que se acaba fazendo no meio do caminho se aproximando de pessoas que tenham os mesmos interesses que você e, principalmente, a satisfação pessoal a cada conquista em forma de item acrescido em sua prateleira, além é claro, do desenvolvimento das habilidades de foco e disciplina que tudo isto pode trazer a cada “caçada”. São coisas muito mais valiosas que qualquer cifra de valores. Quando olho para a minha coleção, é um misto de felicidade e nostalgia, não só por serem uma realização pessoal, mas, pela lembrança que cada item traz de uma história diferente pela qual passaram até chegarem em minhas mãos. Estou ciente de que meus itens jamais me renderiam uma cobertura num bairro nobre de uma cidade bacana, na verdade, nem chego a pensar nisso, mas, o grau de realização pessoal e satisfação que eles me trazem dinheiro nenhum no mundo pode pagar. E, apesar de parecer um clichê de autoajuda, sempre é bom lembrar que, na vida, o mais importante é a jornada e não o destino.

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