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Midsommar, o horror de um pesadelo ensolarado

Curioso como o terror sempre foi baseado na ideia de que devemos ter medo do escuro. A noite sempre é o cenário e o inimigo; é onde o mal prolifera. Mas será que, na claridade do dia, seríamos capazes de ver o horror antes de ele nos alcançar? Midsommar é a prova de que não há salvação nem mesmo à luz do dia. O filme de Ari Aster, que você certamente conhece por Hereditário, é luz e brilho ofuscante nos olhos o tempo todo. É tão claro que dói… um bocado. É um terror que acontece em uma vila no interior da Suécia quando não anoitece e a claridade é eterna.

Depois de uma tragédia familiar, Dani, que está de luto, viaja com amigos para um festival de verão nesta vila sueca paradisíaca. Mas logo as coisas revelam-se loucura e desespero. É perturbador. À primeira vista, pode parecer uma história de horror como tantas outras. Mas Aster distorce bastante os clichês do gênero. Na verdade, há até um pouco de drama, pois é uma história que fala de coisas comuns à todos nós. Midsommar não é um horror convencional.

E por isso mesmo é tão bom. Você vai odiá-lo pelo que ele te faz sentir. Vai se perguntar que porra é essa que acabei de ver? É um filme que deixa marcas. As imagens, os acontecimentos, a história, as sensações… é chocante, fica na nossa cabeça; terminamos querendo entender tudo o que vimos na tela, buscando significados e respostas. É nesse momento que começamos a gostar do filme, por causa da experiência de terror que nos oferece. Deixa um sabor agridoce no paladar. Poucos filmes atualmente conseguem isso: inspirar um genuíno sentimento de horror, de que algo está muito errado. É angustiante e inevitável. O sentimento é duradouro. É quase como… o luto.

Ari Aster é definitivamente um nome para se ficar de olho nos próximos anos, alguém que pode trazer percepções novas e perturbadoras para o cinema de terror. Se você achou Hereditário insano, você ainda não viu nada. Midsommar é implacável. Difícil de assistir. Mas você se sente estranhamente bem. Isso sim é aterrorizante.

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