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Creed II

Creed II

Nível Heroico

De volta ao básico

(Creed II) – Drama. Estados Unidos, 2018. De Steven Caple Jr. Com Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Dolph Lundgren, Florian Munteanu, Wood Harris e Phylicia Rashad. 2h10min. Distribuidora: Warner Bros. Classificação: 12 anos.

Pouco se esperava do primeiro Creed quando estreou, mas o filme se revelou uma grata surpresa. Nas mãos de Ryan Coogler, o spinoff deu novos ares à franquia Rocky, com a mesma pegada emocional dos filmes que vieram antes. Coogler é de uma competência notável, não à toa, saiu de Creed para dirigir Pantera Negra. Agora, seus personagens estão de volta sem ele, com a direção de Steven Caple Jr. Apesar de menos experiente e de mãos menos firmes do que Coogler, Caple Jr. entende o que funciona na franquia: os trejeitos, o estilo narrativo e, principalmente, de onde vem a emoção.

Creed II ainda fala sobre superação, como todos os outros, mas o faz de forma diferente. É um filme sobre cair e levantar, voltar ao básico para redescobrir quem você é e o que faz de você um campeão (no esporte e na vida). Adonis Creed tornou-se campeão mundial peso-pesado depois da derrota do primeiro filme, mas sua força é testada quando ele é desafiado por Viktor Drago, o filho de Ivan Drago, o homem que matou Apollo Creed no ringue em Rocky IV.

Há muito peso emocional em trazer de volta o icônico lutador de Dolph Lundgren. Ele tornou-se um homem marcado e amargurado pela derrota que sofreu para Balboa em 1985, e agora deposita todas as suas expectativas no filho, tratando-o com excessivo rigor para transformá-lo em um lutador selvagem como o próprio Ivan foi um dia. “Grande, forte, rápido e não convencional” é como Viktor é definido o tempo todo. Enquanto isso, Adonis precisa enfrentar seus próprios desafios quando descobre que sua esposa, Bianca, está grávida. Creed II assume aqui outra face comum à franquia: o valor e legado dos laços familiares. A batalha de Adonis logo se revela muito mais do que superar seus limites como boxeador. Ele precisa escapar da sombra do pai e da sombra de si mesmo. E para isso, ele aceita passar por um treinamento não convencional, a fim de se tornar um lutador não convencional, capaz de enfrentar e derrotar toda a pressão que Viktor Drago representa.

Michael B. Jordan ainda se mostra seguro e à vontade no papel de Adonis, um misto de perigo e vulnerabilidade quando lida com a sensação constante de ser um impostor, de talvez nunca chegar a ser o que seu pai foi no passado. Mas Creed II é também sobre deixar o passado para trás e viver o presente. O mais magnífico é como a história de Ivan e Viktor Drago nos é apresentada em paralelo à história de Adonis. O filme cria empatia por eles, humaniza um dos grandes “vilões” da carreira de Rocky Balboa. A reviravolta dos Drago é um ponto alto! Pra arrancar lágrimas dos durões!

As lutas são muito bem coreografadas, dinâmicas, ferozes, e o treinamento no deserto arranca um sorriso de qualquer fã. É como ver os espíritos de Rocky II, Rocky III e Rocky IV condensados em um só. E no meio disso tudo, um homem permanece estoico, marcante, sentado no canto dele, observando calmamente a história de sua história, um ídolo sob holofotes vestindo “CREED” nas costas. Rocky Balboa ainda é o mais sábio dos lutadores. Ele sabe que, sobretudo, as maiores batalhas não são travadas dentro de um ringue.

Creed II Alan Barcelos
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