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Não vou ver o Cavaleiros do Zodíaco da Netflix!

É isso mesmo. Não vou ver o Cavaleiros do Zodíaco da Netflix. O trailer é bem ruim! O Shun agora ser mulher não ficou legal, os Cavaleiros Negros são só um bando de brutamontes de armadura (também não ficou legal) e o visual de computação gráfica está fraco e muito artificial, parece videogame feito nas coxas. De experiência ruim, já foi bastante o filme animado de 2014.

Eu imaginava que a nova versão da Netflix teria novidades, mas essas não ficaram boas. A animação estar fraca (a do filme de 2014 é muito melhor, embora o filme seja ruim) já cria uma sensação de que algo está errado.

A questão do Shun ser mulher é um tremendo erro. Errou feio, errou rude! E por uma razão muito simples. Porque muda drasticamente o que ele representava. Shun era um homem sensível, pacifista, que fugia do estereótipo do guerreiro machão. E agora, só porque ele é um personagem sensível, transformam-no em mulher. O resultado: só fortaleceu um estereótipo e enfraqueceu a essência do personagem (que era um dos mais maneiros da série). É mais ou menos a mesma sensação que me causou o Shiryu no filme de 2014 (o cavaleiro mais sério e imponente da série, virou um alívio cômico com “toc” de andar sempre vestido de armadura. Foi contra a essência do personagem e não ficou legal). Certas desconstruções de personagens às vezes são bem-vindas e funcionam. Mas nesse caso, não funciona, porque sinto que vai contra o que o Shun representa enquanto personagem.

Eu entendo que a Netflix e o roteirista Eugene Son tenham boas intenções. O próprio Son tentou explicar no seu Twitter: “Os cavaleiros de bronze com o Pégaso são todos caras. A série sempre teve personagens mulheres fantásticas e fortes, e isso reflete no grande número de mulheres que são apaixonadas pelo mangá e pelo anime. Mas 30 anos atrás, um grupo de homens lutando para salvar o mundo sem nenhuma mulher por perto não era grande coisa. Esse era o padrão até então. Hoje o mundo mudou. Garotos e garotas trabalhando lado a lado é o padrão. Nós somos acostumados a ver isso. Certo ou errado, o público pode interpretar uma equipe só de homens como nós tentando tomar um posicionamento sobre algo.”

Ok, concordo, tá certo! Agora, ele mesmo disse: “A série sempre teve personagens mulheres fantásticas e fortes”, e dito isso, poderiam ter elevado a participação de algumas destas personagens mulheres fantásticas, não poderiam? Sempre achei a Shaina uma das melhores personagens da série e uma das mais mal exploradas. Era a OPORTUNIDADE DE OURO agora, mas preferiram transformar o Shun em mulher.

Mas, beleza, talvez não quisessem usar uma personagem secundária no grupo principal; talvez quisessem que um dos personagens do grupo principal fosse uma mulher, pra equilibrar as coisas. Sabe o que poderiam ter feito? Poderiam ter transformado o Hyoga em mulher! Pelo perfil e histórico do Cisne, transformá-lo em mulher não mudaria drasticamente a essência nem do personagem nem da série. Funcionaria lindamente.

O problema do Shun agora ser mulher, repito, é que fortalece um estereótipo errado (se é sensível, então tem que ser mulher… um homem não pode ser sensível. Não faz sentido!). Não é legal. Se fosse Hyoga a mulher, seria bem mais tranquilo, e inclusive se adequaria às justificativas do roteirista. Foi uma escolha preguiçosa. A Netflix e Eugene Son deveriam apenas admitir que erraram e bola pra frente. Mas não, querem se justificar e se justificar e, pelo que vejo, só pioraram as coisas, até o ponto de não conseguirem lidar com a repercussão negativa que isso causou (mas são os modos do mundo atual, né, ninguém mais admite quando erra).

Como eu disse, entendo as boas intenções. Mas de boas intenções, o inferno está cheio. Se fossem intenções justas, intenções realmente honestas, talvez não saísse tão ruim (talvez a mulher fosse Hyoga). Mas às vezes parece que a Netflix está mais interessada em criar hype em cima da nostalgia do que produzir bom conteúdo. Eu gosto da Netflix, mas isso é uma questão que está virando recorrente quando se trata do serviço. Há uma tendência atual de querer lucrar a qualquer custo com a nostalgia. E a Netflix está se especializando nisso (o que não acho que vai ser bom a longo prazo, pra ela mesma). Essa moda está em todo a parte da cultura pop e acho que chegou num ponto crítico.

É até legal fazer adaptações, quando há um propósito digno e valem a pena. Eles lançaram She-Ra, que é a coisa mais maravilhosa! E She-Ra faz várias alterações bem-vindas nos personagens, só que fazem isso sem mudar drasticamente a essência deles ou o que representam (na verdade, até fazem eles representarem mais). Mas com Cavaleiros do Zodíaco está tudo muito equivocado. Do jeito que muito se faz hoje em dia (e parece ser o caso desse CDZ), parece mais que estão fazendo justamente pra capitalizar em cima da nossa saudade. E muitos vão dizer: “sou fã, vou ver” e, por isso, talvez dê certo, faça sucesso. Mas assim o ciclo só vai continuar e não teremos coisas novas legais pra apreciar.

Eu sou fã também, mas não é por isso que vou deixar me empurrarem qualquer merda que quiserem.

A verdade é que não senti que este CDZ aí da Netflix está sendo honesto conosco.

E além da questão do Shun, há outras. Os Cavaleiros Negros, por exemplo, antes tinham mais identidade (apesar de ser meio ilógico serem exatamente os mesmos dos cavaleiros protagonistas, mas, ok, coisas de roteiro de anime que se abstrai). O Cassius agora ser um Cavaleiro Negro é uma ideia legal, até faz sentido. Mas estes Cavaleiros Negros, do jeito que são mostrados no trailer, são genéricos (bonecos de massa). Uma das lutas mais emocionantes da série original era o Shiryu contra o Dragão Negro, e isso já é uma emoção que não vai estar nesta nova série da Netflix.

O que quero dizer é: se é pra fazer, faz pra ser emocionante! O que fez CDZ ser uma febre mundial é que o anime tinha batalhas épicas e toda uma carga emocional envolvida (uma carga que até hoje SOMENTE Lost Canvas conseguiu repetir).

E pesando ainda mais contra, a série da Netflix terá apenas 12 episódios. São poucas as chances de conseguirem explorar realmente o que faz Cavaleiros do Zodíaco ser CAVALEIROS DO ZODÍACO.

Eu sou muito fã de Cavaleiros do Zodíaco, mas honestamente, não vou ver esta série da Netflix. Hoje em dia, há muita coisa nova e legal pra ver. Não vou gastar tempo com algo que visivelmente não valerá a pena. Na saudade, fico com o CDZ antigo, que de vez em quando já paro pra rever mesmo.

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