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Owl City

Owl City

Uma dos fenômenos sociais que mais me intriga e, às vezes, também me fascina é o quanto a tecnologia pode influenciar na vida das pessoas a ponto de mudar desde pequenos hábitos a todo um status quo estabelecido há gerações. Chegamos até a iniciar uma divertida discussão sobre isso no nosso podcast sobre o fim das locadoras. Aliás, uma das músicas que faz parte da trilha sonora do mesmo é do projeto musical idealizado por Adam Randal Young chamado Owl City e é justamente de sua ascensão que vou falar agora.

A vida de Adam Young e o surgimento deste projeto musical vai na contramão da ascensão de muitos dos ícones da música que conhecemos hoje. Young foi um jovem de família cristã que cresceu numa cidade do interior do estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Após, se formar no high school foi trabalhar carregando caminhões no armazém de uma grande empresa de refrigerantes e, graças ao seu problema de insônia, passava as noites tendo as ideias e gravando suas composições no porão da casa de seus pais. No início para meados dos anos 2000, ele criou um perfil na rede social MySpace e começou a publicar suas músicas por lá. Adam procurava ser bastante ativo nessa rede, sempre interagindo com todos que deixavam comentários, mensagens e feedbacks, sendo atencioso e bastante acessível com quem entravam em contato. Foi justamente este tipo de interação que serviu de fundação para sua base de fãs que é super fiel até os dias de hoje.

Adam começou a disponibilizar suas músicas para venda no iTunes e, em 2007, lançou o EP Of June e, em 2008, o álbum Maybe I’m Dreaming. Ambos foram parar no Top 20 de álbums eletrônicos da Billboard. Tal fato chamou a atenção do presidente da gravadora Universal Republic, que acabou assinando contrato com o artista e resultando em seu primeiro álbum chamado Ocean Eyes, cuja faixa “Fireflies” conquistou posições nas mais importantes paradas dos EUA e do Reino Unido e chegou a figurar o topo da Billboard 100 na categoria sleeper hit, que são produções que fazem muito sucesso com pouquíssima divulgação antes da estreia. Aliás, a letra de “Fireflies” fala de uma forma cheia de lirismos justamente sobre seu processo criativo durante os períodos de insônia além de render um videoclipe muito legal:

Sempre usando as plataformas digitais, Adam Young procurava divulgar seu trabalho e manter seus fãs informados sobre os próximos lançamentos. Em 2010, lançou o álbum All Things Bright And Beautiful cuja faixa “Deer in The Highlights”, teve seu lançamento muito diferente da forma tradicional. Durante a semana de seu lançamento, em cada dia, era liberada uma parte da música, por exemplo: no primeiro dia, a trilha da bateria foi liberada; no segundo dia, era liberada uma faixa com bateria e baixo; no terceiro dia, era acrescentada a trilha com sintetizador e, no quarto dia, foi acrescentada a parte com a voz de Adam. Além da forma inusitada de lançar a canção que fala de uma jeito bem sarcástico sobre a forma como projetamos nossas paixões e idealizamos um amor profundo em pessoas que conhecemos superficialmente. Manja a relação do Charlie Brown com a Garotinha Ruiva, episódio que, com certeza, quase todo mundo já passou durante a adolescência? Então. “Deer in The Highlights” ainda conta com um videoclipe onde Young passa boa parte do tempo ao volante do icônico DeLorean da clássica trilogia De Volta Para o Futuro:

Em 2012, o projeto Owl City continuava a pleno vapor a ponto de render uma parceria com a cantora Carly Rae Jepsen (lembram de Call Me Maybe?) com a música “Good Time“, que simplesmente se tornou um dos hits do verão norte-americano naquele ano. Além de “Good Time”, Owl City também fez parte da trilha sonora do filme da Disney Detona Ralph com a faixa que toca durante os créditos finais chamada “When Can I See You Again?” que, também, rendeu outro clipe bem bacaninha:

Não satisfeito, no ano seguinte, Owl City figurou a trilha sonora de outro filme: Os Smurfs 2, com a música “Live It Up.” Nos anos posteriores, Adam Young participou de um álbum de tributo ao ex-Beatle Paul McCartney chamado “The Art of McCartney” e, em 2015, lançou o single “Unbeliavable” em parceria com os irmãos Hanson cuja letra é totalmente nostálgica falando sobre as coisas boas da infância dos artistas. O fato mais curioso deste projeto (além de constar na trilha sonora do nosso podcast sobre o fim das locadoras, obviamente) é que foi todo feito online. Adam Young só chegou a conhecer os irmãos Hanson pessoalmente um dia antes de quando ambos iam se apresentar ao vivo no programa de TV “The Today Show”!.

No último dia 1º de junho, foi lançado o álbum Cinematic de Owl City, cujas faixas são focadas mais em suas vivências do que as ideias surgidas na sua cabeça imaginativa. Além de Owl City, Adam Young também tem outros projetos musicais como o “Adam Young Scores“, onde o artista compõe trilhas sonoras instrumentais para eventos da história americana.

Apesar disto aqui parecer mais um press-release do que um texto de coluna, a história do projeto musical de Adam Young é um grande exemplo do quão maravilhosa é esta ferramenta chamada internet se soubermos usá-la direito. Imaginem o quão seria mais árduo o caminho do projeto Owl City (não quero dizer que tenha sido fácil, que fique bem claro). Além disto, muito provavelmente, ele não chegaria onde chegou mesmo com um trabalho com a qualidade como o dele (ironicamente, é mais ou menos o ponto que ele toca na faixa “Fiji Water” de Cinematic). Portanto, fica a dica aqui, inclusive para este que vos escreve, para que passemos a usar a internet de forma consciente e colaborativa para crescermos e evoluirmos não só como pessoas mas para integrarmos ainda mais a todos de uma forma positiva. É esta a proposta do Nível Épico e é isso o que vamos fazer enquanto estivermos aqui.

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