Multiverso

A ascensão do Lado Sombrio da Força

Lado Sombrio da Força

Rose Mallinger sobreviveu ao Holocausto. Com 97 anos, foi assassinada no atentado terrorista ocorrido em Pittsburgh no último 27 de outubro, junto com outras 10 pessoas. O terrorista entrou atirando na sinagoga onde as vítimas se encontravam, gritando palavras de ordem de cunho antissemita. O assassino defendia a supremacia branca, encontrando eco nos valores nazistas que julgávamos já superados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, estamos atravessando tempos sombrios em que o ódio e a intolerância parecem prevalecer, saindo do campo da política para invadir o nosso cotidiano. A grande pergunta a se fazer é como combater esse ódio sem sucumbir a ele, e talvez em Star Wars possamos encontrar alguma resposta.

A queda de Anakin Skywalker e sua ascensão como Darth Vader é um bom exemplo de como agir movido apenas pelo ódio e pelo medo pode nos levar a um caminho trágico e sem volta. Anakin era um jovem brilhante, com o potencial de se tornar um dos Jedi mais poderosos da história, mas o ódio que carregava dentro de si o levou a tomar decisões que acabaram por destruir todos a quem amava, passando o resto da vida preso em um papel que ao mesmo tempo causava dor aos outros e lhe trazia sofrimento.

Quando, em Ataque dos Clones, ele massacra uma vila inteira, o seu destino já estava traçado, ainda que não o soubesse. Depois, o medo de perder sua esposa Amidala em meio ao caos da queda da República fez com que cedesse ao Lado Sombrio da Força, e a partir de então, todo aquele potencial para o bem acabou sendo usado da pior forma possível, como podemos ver em A Vingança dos Sith.

Palpatine agiu de forma engenhosa para conquistar o poder. Aproveitando-se das contradições da República, e da corrupção que lá havia, lançou um discurso de mentiras que destruiu tudo de bom e ruim do antigo regime. E em seu lugar, instalou o Império, um regime político de exceção onde qualquer oposição era perseguida e tinha como destino a morte. A conversão de Anakin foi essencial, com a manipulação da insegurança deste para jogá-lo no caminho do radicalismo que, ao final, acabou por fazê-lo tentar matar tanto a esposa, que estava grávida, quanto o seu mestre e melhor amigo, Obi-Wan Kenobi. Ao sucumbir ao ódio, Anakin destruiu tudo o que mais amava.

Felizmente, seus filhos sobreviveram, e quis o destino (e George Lucas!) que eles fossem os líderes da rebelião que combateria o regime político instalado com a ajuda do pai. Essa história todos conhecem, mas o que cabe ressaltar é que Luke Skywalker resistiu ao ódio e não se entregou ao Lado Sombrio da Força. A motivação de Luke era não só a de trocar o regime político e proteger seus amigos, mas também a de libertar o próprio pai das amarras de suas escolhas erradas.

Luke, assim, agiu por amor, mas isto não significou se omitir ou cruzar os braços. A Aliança Rebelde se organizou e desta forma lutou para que a opressão do Império encontrasse seu fim. Palpatine, já como Imperador, tentou seduzir Luke, como anos antes havia feito com Anakin. A diferença é que Luke não abriu mão de seus ideais ou daqueles a quem amava em troca de uma promessa vazia de poder.

Quando os tempos sombrios se anunciam, e a política começa a gerar morte e violência propagada pelo ódio, a primeira coisa a se fazer é nos lembrarmos quem realmente somos e quem nós amamos. Agir sem abrir mão do que se acha correto nos leva a ser racionais e, sendo racionais, conseguimos agir sem ódio e ver com clareza os desafios que surgem para que possam ser superados. Isso não significa deixar de lutar, mas serve para que não nos esqueçamos dos motivos pelos quais entramos na luta.

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