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Podres de Ricos

Podres de Ricos

Nível Heroico

Conto de fadas moderno… e adoravelmente asiático

(Crazy Rich Asians) – Comédia. Estados Unidos, 2018. De Jon M. Chu. Com Constance Wu, Gemma Chan, Michelle Yeoh, Awkwafina e Henry Golding. 2h00min. Distribuidora: Warner Bros. Classificação: 12 anos.

Curioso como aqueles filmes dos quais pouco se espera, às vezes, são aqueles que mais surpreendem. No caso das comédias românticas, é ainda mais intrigante. O gênero teve seu momento de glamour e tragédia nas décadas passadas, quando filmes eram lançados aos montes, faziam sucesso e o que fazia sucesso se replicava de forma incontrolável e mecanizada em busca de mais sucesso, produzindo algumas grandes ideias… mas muita coisa ruim, o que acabou por desgastar o gênero e levá-lo para o limbo.

Agora, as comédias românticas estão ressurgindo, só que não mais numa “linha de produção”, e sim com o objetivo de contar boas histórias de forma despretensiosa e divertida. A Netflix vem investindo no gênero e está se saindo bem com suas ideias, vide A Barraca do Beijo, Para Todos os Garotos que já Amei, entre outros filmes com amor.

Mas no cinema, o gênero já não tem mais a mesma força ou apelo de anos atrás. O lado negativo é que bons filmes do gênero são, em geral, pouco divulgados, lançados de maneira tímida e acabam passando despercebidos. O lado bom? É que quando fazem uma comédia romântica, fazem com gosto, pra fazer direito! Basta ver o caso de filmes recentes como Será Que? ou Doentes de Amor.

É o caso do fantástico Podres de Ricos! O filme é simples e despretensioso, mas tem tanto a mostrar e contar que é IMPOSSÍVEL passar por ele sem se apaixonar. A história é clássica, com ares de conto de fadas – Cinderela manda lembranças –, sobre uma menina pobre que se apaixona por um príncipe encantado e precisa enfrentar todo o choque cultural que vem dessa diferença de classes e mundos.

O príncipe, no caso, vem de uma família realmente ~podre de rica. Com tudo o que tem direito! São excêntricos, exibidos, extravagantes, maliciosos (foi mal, acabaram meus adjetivos com a letra “e” e eu queria falar do lado “podre” desses ricos). Por isso mesmo, Nick Young foi para Nova York tentar descobrir um mundo diferente, ser alguém diferente, onde conheceu a bela professora de economia Rachel Chu, por quem se apaixonou e com quem deseja ficar o resto da vida – Um Príncipe em Nova York também mandou lembranças. – Só que Nick escondeu suas origens dela. Quando ele a leva para o casamento de seu melhor amigo, em Singapura, Rachel descobre sobre a família complicada e extremamente rica de seu príncipe e ainda precisa lidar com a mãe dele, que não aprova a relação dos dois.

Jon M. Chu dirige essa comédia ultrajante e divertida, adaptada do livro Asiáticos Podres de Ricos de Kevin Kwan. Com um elenco inteiramente formado por asiáticos (cujo processo envolveu encontrar e selecionar o máximo de atores e atrizes asiáticas que falassem inglês até chegarem ao elenco que desejavam) e um rol de realizadores também encabeçado por asiáticos, o filme não poupa esforços para mostrar que personagens asiáticos podem ser desenvolvidos de forma mais aprofundada na indústria do cinema norte-americana – um lugar onde, infelizmente, ainda predominam visões superficiais e estereotipadas. – E no meio disso tudo, Podres de Ricos ainda tenta mostrar que pessoas super ricas podem ser frias e mesquinhas, mas também podem ser bonitas em sua generosidade e compaixão. O filme faz um bom contraponto sobre todas as faces de sua história.

A subtrama da prima de Nick, Astrid, é a que mais me cativou, desenvolvida em paralelo com a trama principal. Gemma Chan interpreta uma “princesa” adorável e gentil, que vive um drama pessoal em sua casa por causa do complexo de inferioridade que o marido sente em relação a ela e à riqueza dela. Astrid comete seus próprios erros no relacionamento, mas lida com isso de maneira sóbria e adulta, e demonstra um amor sincero. Ela também é a única que se esforça para proteger Rachel, mesmo lindando com suas próprias questões. E junto com a protagonista, Astrid se revela uma das personagens mais fortes e emocionantes da história.

Rachel, por sua vez, é interpretada por Constance Wu de forma igualmente sóbria e cativante, com uma desenvoltura envolvente. Ela é elegante, despojada, iluminada até mesmo nos momentos mais difíceis de sua personagem. É sem dúvida o coração de Podres de Ricos. Henry Golding, conhecido astro da Malásia, é mais discreto com seu Nick, principalmente porque o foco acaba sendo o embate entre Rachel e a mãe dele, Eleanor. Michelle Yeoh é feroz e assustadora como a matriarca superprotetora que acredita que nenhuma mulher vai ser boa o bastante para seu filho.

E por fim, preciso falar da Peik Lin Goh, da atriz Awkwafina – que personagem SENSACIONAL! É engraçada, meio louca, MUITO LOUCA hahaha, uma nova rica extravagante que é a melhor amiga de Rachel nessa viagem. Peik Lin é aquela amiga inquestionável, que está ali para dar apoio e levantar o moral, genuína e sincera de uma maneira apaixonante… e meio louca, eu já disse isso, não disse?

O conto da menina comum que se apaixona por um descendente da realeza não é novidade: é uma ideia que desperta sonhos e paixões há gerações e que deu origem às várias histórias de Princesas da Disney e até às da vida real, é só ver a comoção que um casamento na família real britânica provoca no mundo hoje em dia. Podres de Ricos não tenta reinventar a roda, apenas a remonta com muita ostentação e um equilíbrio entre drama e humor de encher os olhos (talvez até de lágrimas). É um belo conto de fadas moderno ~um filme PHYNO, RYCOH e DIVOH.

Podres de Ricos Alan Barcelos
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