Multiverso

Realidade ou fantasia – qual é o final feliz que você quer?

Final Feliz

Quantas vezes você já não escutou, talvez até mesmo falou, que final de filme ou série, quando o desfecho não foi o tão sonhado “felizes para sempre”, que tudo perdeu a graça? Afinal, em tempos tão turbulentos, o que cativa mais no entretenimento: o lindo e belo conto de fadas ou o final condizente com a provável realidade?

Dadas às circunstâncias da nossa realidade, muitos buscam assistir apenas a obras que possuem o tradicional final feliz, ou mesmo algo mais simples, já que a vida está tão complicada – afinal, não teria graça se somente o mal conseguir vencer. Acreditem, eu já ouvi esta frase muitas vezes.

Não obstante, também existe o público que se delicia com a história e apenas busca um desfecho coerente ou, quem sabe, um final aberto, onde nada é explicado com perfeição e você tira suas próprias conclusões.

Talvez, para responder a pergunta sobre o que mais seduz, se é que existe uma resposta, o ideal seria parar de pensar de maneira generalizada, raciocínio tão comum atualmente. Ao invés disso, poderíamos começar a pensar nos pequenos pontos, visto que a felicidade não é generalizada. Um exemplo bem simplório e pessoal, é que eu não gosto de comida japonesa, logo, ir a um rodízio japonês é praticamente um castigo pra mim. Metade do mundo ama comida japonesa e, nesses casos, um rodízio é um prêmio para o paladar. Dentro deste exemplo, pra mim, um final feliz seria bem longe da culinária oriental e bem perto de uma boa pizzaria, o que talvez não agradasse aos amantes do sushi. Além disso, um rodízio de comida japonesa possui um apelo de status muito maior.

Pois bem, entendido que cada um tem a sua individualidade de gostos com tudo, vamos ao ponto onde misturamos a realidade com o final feliz. Muitos romances clássicos, como Titanic, Ghost, Meu Primeiro Amor, ou os atuais A Culpa é das Estrelas e A Garota Dinamarquesa, demonstram que independentemente de relacionamentos finalizados, seus protagonistas não possuem um final totalmente triste. Afinal, Rose, mesmo longe de Jack, teve uma bela vida com filhos e grandes conquistas; Gerda Wegener, mesmo sem Einar, ganhou uma lição de amor e força de vontade, além de reencontrar a paixão em um tempo no qual o casamento era realmente para sempre. Esses são alguns exemplos, de que mesmo com um evidente final triste, os pontos de felicidade estão sempre inseridos e não existe um lado ruim ganhando a história.

O grande questionamento realmente começa quando se traduz na tela, enredos com grandes vilões que não são de fato vencidos pelo bem ou pela justiça. Algumas vezes, estes enredos podem ser até baseados em fatos reais, como o recente filme nacional O Nome da Morte, que conta a história de um assassino que tem 492 mortes nas costas, mas vive livre e inclusive teve seus relatos transformados em livro e filme. Star Wars: O Império Contra-Ataca também ilustra o mal vencendo, já que o poder do Império aumenta com a vitória de Darth Vader sobre Luke, obrigando a resistência recuar. Nesse ponto, a frase “A Arte imita a Vida” faz sentido, já que diante das variáveis presentes em nossa existência, tudo pode acontecer e isso inclui coisas ruins.

Fatalmente, sempre existirá público para os dois tipos de finais e creio que a pergunta de fato não será respondida, mas a ideia é começar a enxergar e entender que não se faz necessário os pontos mais comuns e generalizados de felicidade dentro do final de um enredo para que o mesmo seja feliz ou completo. Vale sempre a luta para que trabalhos que possuam esta atmosfera, emplaquem cada vez mais e a balança dos contos de fada comece a se igualar com os novos olhares, afinal, um dia nublado também pode ser um dia lindo e cheio de encantos.

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



  • Igor Marreiro

    A nossa tendência é procurar um final feliz e não o final que realmente aconteceria na vida real e normal. Lembro da minha frustração com o final do Filme Doce Novembro. A verdade eh que a gente acaba se
    Acostumado com os finais reais!

    Excelente texto!!!

  • Thalissa Os

    Adorei a reflexão! Quase Nunca presto atenção nos primeiros minutos do filme (uma eresia verdadeira) mas de fato o final do filme é o que costumo comentar primeiro… Mas seu texto me levou a conclusão que um bom filme não está no início ou no fim, mas sim no que vem depois e antes disso.

  • Carlos Ewald

    Adorei a matéria. Sim os filmes expressam muitas vezes a vida real. Sempre devemos perceber que existe um quilíbrio entre o bem e o mal. Por essa simples razão eles existem e devem ser expressados em forma de arte. Linda matéria minha amiga. Um abraço

  • Thailla Paixão Santos

    Sou dessas pessoas ai que gostam de final feliz. Fico CHOCADA quando o final é triste, mas confesso que isso me faz pensar muito mais no filme. Fico pensando como seria o final feliz e como o final triste acabou trazendo um contexto para a mensagem passada.
    Ótima coluna