O Contista

Revolução 15. Garota Capturada

Revolução

Agero estava impaciente, sentia-se daquela forma sempre que precisava encarar seu marechal. Tigris era um homem que inspirava medo. Especialmente quando se divertia com seus jogos mortais na Mad Max. Fazia dez anos que Agero servia ao governador-geral de Tarsila como comandante de pelotão, desde a morte do antigo comandante. Agora, o pelotão empreendia uma missão de suma importância para seu senhor. Encontrar os terroristas que roubaram a arma experimental que os cientistas à serviço do marechal estavam desenvolvendo.

Ele não sabia que tipo de arma estava sendo desenvolvida e não importava. O que importava era a satisfação do grande Marechal Tigris Maximilian. Mas não eram boas notícias que Agero trazia, e isso o atormentava. Principalmente porque, para entregá-las ao marechal, teria que interrompê-lo durante seu momento de divertimento na grande arena da cidade.

Atravessou os corredores internos a passos largos, até alcançar as gigantescas portas de metal enegrecido. Parou por um instante, respirou fundo e entrou no Salão Regente da Mad Max, de onde o Marechal Tigris sempre acompanhava os jogos, sentado como um rei em seu trono de ouro e pedras preciosas; ele observava a matança na arena de olhos vidrados, cotovelo sobre o braço do trono, o rosto apoiado tediosamente sobre o punho, expressando uma indiferença que escondia sua insaciável sede de morte e sangue. Uma vez ou outra, esboçava um riso torto de satisfação, quase sempre quando miolos estouravam pelo chão ou na redoma de vidro que cercava o picadeiro central.

Agero sentia prazer em servi-lo. Ajoelhou-se ao lado do trono, de cabeça baixa, e reverenciou: — Vossa Excelência. — Como filho do Primordial Kadmos, Tigris fazia questão de ser tratado com a deferência reservada a um membro soberano da nobreza autocrata.

O marechal se remexeu no trono, pondo-se com o torso ereto; os olhos permaneciam compenetrados nos jogos. Estava ciente da situação, mas queria ouvir da boca do subordinado. Sem sequer olhar para ele, fez sua voz reverberar grotesca pelo salão:

— Tenente Agero, alguma novidade sobre a arma roubada?

— Ainda não conseguimos recuperá-la, senhor. Descobrimos que a ação foi liderada pelo homem que chegou a Sol Poente e matou dois de nossos legionários. Um deles sobreviveu, mas teve o braço decepado, e nos forneceu uma descrição do forasteiro.

Agero hesitou.

Tigris lançou um olhar inquisidor, enviesado, sem se virar para o subordinado.

— Meu senhor, pela descrição que nos foi passada, é um homem negro, de cicatrizes no pescoço e no braço direito, portando uma metakatana.

Tigris cerrou os punhos e sorriu diabolicamente.

— O Escorpião — sibilou. — O desgraçado que provocou o apagão em Bonamarte e vem causando problemas à Autocracia.

— Recebemos informações de que ele estaria em um espetáculo clandestino de música em um armazém na Sol Poente e organizamos uma missão para capturá-lo, mas ele escapou.

— Eu o quero aqui na minha arena, para esmagá-lo com minhas próprias mãos e fazê-lo pagar pelos seus crimes.

— Sim, Vossa Excelência!

Agero permaneceu imóvel, ajoelhado, cabeça baixa, esperando por uma dispensa ou novas instruções. Após um longo período de silêncio, em que pôde escutar os gritos agonizantes dos combatentes digladiando na arena, seu senhor novamente se pronunciou.

— Algo mais, tenente? — a voz gutural pressionava os nervos.

— Capturamos uma garota no armazém, senhor. Eu mesmo supervisionei a ação, e depois de avaliá-la, nossos sensores ficaram malucos, não conseguiram definir se era uma Revo ou uma humana. Ela tem as marcas da cinese, mas mesmo assim, os sensores não conseguem detectá-la como Revo.

Finalmente, Tigris se virou para encará-lo, remexendo-se no trono, demonstrando-se incomodado com aquela informação. Agero não se moveu, não ousaria encarar seu senhor de volta se não fosse ordenado a fazê-lo. Permaneceu de cabeça baixa enquanto o marechal o avaliava.

— Nuri já retornou? — perguntou Tigris.

— Ainda não, senhor. Recebemos notícias de que as coisas em Basoalto se complicaram.

— Aquele inútil, não consegue lidar nem mesmo com um bando de rebeldes desorganizados — Tigris cuspiu as palavras por entre os dentes, o semblante demonstrando apenas frieza. — Às vezes, me pergunto por que mantenho esse idiota ao meu lado.

Agero sabia por quê. Todos na Legião sabiam.

— Em breve, ele estará de volta, senhor — limitou-se a dizer.

— Prepare as coisas na Rocha, tenente — ordenou o marechal. — Eu quero ver esta garota com meus próprios olhos.

— Sim, Vossa Excelência! — os olhos se moveram involuntariamente na direção de seu senhor; no último instante, ele conseguiu evitar o contato visual, e ainda de cabeça baixa, completou: — Vou pessoalmente preparar a garota para sua chegada.

— Perfeito. Está dispensado, tenente.

— Sim, Vossa Excelência!

Agero levantou-se, prestou uma reverência e saiu.


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