Cinema

Jogos Mortais: Jigsaw

Crítica Jogos Mortais: Jigsaw

Nível Esforçado

O resgate de uma ~mórbida nostalgia

(Jigsaw) – Terror. Estados Unidos, 2017. De Michael Spierig e Peter Spierig. Com Laura Vandervoort, Tobin Bell e Callum Keith Rennie. 1h32min. Distribuidora: Paris Filmes. Classificação: 18 anos.

Ele está de volta! O mestre de todas as armadilhas. Jigsaw retorna para a oitava parte de sua história macabra. Era quase como uma tradição. A cada ano, normalmente no final do ano, estreava um novo Jogos Mortais. Mas a tradição terminou em 2010 com Jogos Mortais: O Final. Agora, sete anos depois, começa um novo capítulo para o assassino dos quebra-cabeças e jogos sinistros. E a pergunta que não quer calar é: John Kramer está realmente morto?

Jogos Mortais: Jigsaw se aproveita do elemento que tem reavivado muitas franquias e histórias do passado, uma tendência cada vez mais presente no cinema e na cultura atual: a nostalgia. O primeiro Jogos Mortais, em 2004, nos apresentou um dos grandes diretores do terror da atualidade, James Wan, e conquistou uma legião de fãs não apenas para a franquia, mas também para todo um subgênero de terror que andava meio enfraquecido no cinema, o splatter. O sucesso da violência gráfica sanguinária de Jogos Mortais gerou múltiplas proles, desde suas continuações até filmes como O Albergue, Rejeitados Pelo Diabo, Wolf Creek, o terrível Turistas, entre outros.

O novo Jogos Mortais tenta resgatar as sensações e o interesse pelo subgênero desta época, meados dos anos 2000. Ele consegue? Até certo ponto, sim. Como muitas obras embaladas pela nostalgia, o mérito de Jigsaw está em resgatar o que poderíamos chamar de ~princípio básico da carnificina do primeiro Jogos Mortais: que é usar a carnificina de maneira sutil e pontual a favor da história, ao invés de apenas usar a história para inventar formas criativas de carnificina. É um fato que, a partir de Jogos Mortais 4 até O Final, a franquia tornou-se basicamente uma exploração gráfica da violência e suas sensações.

O filme é uma continuação digna, que respeita o legado da franquia e ainda constrói bases para futuras condições. Fala a verdade: quando Jogos Mortais: O Final estreou em 2010, dizendo que seria a última vez, você realmente acreditou que seria O FINAL? Jigsaw se esforça para recuperar um pouco da ideia original, com jogos que resultam em mortes criativas, absurdas e sangrentas, despertando um sentimento entre a tensão, o medo e o estímulo. O que a oitava parte não consegue resgatar do primeiro é o apelo da trama. Aqui, como aconteceu na maioria das continuações, a história é segundo plano para as mortes.

Os diretores Michael Spierig e Peter Spierig conduzem um filme de aparência impressionante, efeitos bem organizadas para a sanguinolência e armadilhas mirabolantes e desagradáveis. O elemento da investigação policial também está presente, como de costume, levando os investigadores sempre ao mesmo suspeito: John Kramer. Por estes conceitos presentes em toda a franquia, a lenda de Jigsaw consegue se manter razoavelmente firme neste retorno.

A reviravolta do final aposta em uma surpresa impactante, mas que soa forçada pela necessidade excessiva de explicações em diálogos e flashbacks. Acaba se tornando o ponto fraco de uma história já sem o apelo que transformou Jogos Mortais em um sucesso. O filme não reinventa a roda, e talvez tivesse se beneficiado mais se tentasse fazê-lo. Há sempre uma sensação previsível que nos acompanha como um assassino à espreita na escuridão. O mérito de Jogos Mortais: Jigsaw é reviver o antigo charme ~mórbido. Mas não vai além disso.

Jogos Mortais: Jigsaw Alan Barcelos



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