Filmes

Invisível

Crítica Invisível

Nível Heroico

Uma delicada reflexão sobre um tabu social

(Invisible) – Drama. Argentina, 2017. De Pablo Giorgelli. Com Mora Arenilla, Mara Bastelli e Diego Cremonesi. 1h27min. Distribuidora: Vitrine Filmes. Classificação: 14 anos.

A discussão sobre o aborto é sempre delicada, encarada com ideias pré-concebidas que despertam sempre as reações mais acaloradas. O tema, que inspira ser tratado com sensibilidade, na maioria das vezes, é tratado sob perspectivas religiosas e políticas. Existe um elemento moral e ético que permeia o debate, de fato, mas o tema traz consigo um questionamento que não parece ser levado em consideração pelos que o discutem: a realidade e os sentimentos da mulher que está passando por este momento da vida.

Invisível se aprofunda neste ponto de vista feminino ao contar a história de Ely, uma garota de 17 anos que mora em Buenos Aires. Ela cursa o último ano do ensino médio e trabalha em um pet shop para completar a renda familiar. Um dia, descobre que está grávida de Raúl, dono do pet shop, e sua vida muda radicalmente. Enquanto tenta manter a rotina diária como se nada tivesse acontecido, Ely é tomada pelo medo e pela angústia. Com as emoções em ebulição, ela precisa lidar com as pressões da sociedade e o estado de saúde frágil da sua mãe, e se vê forçada a amadurecer antes do que esperava para tomar decisões difíceis sobre seu futuro.

Pelo assunto que aborda, o filme mergulha em um sentimento pesado de melancolia ao nos apresentar a uma garota tentando descobrir o seu lugar no mundo. A sensação é ampliada pelo uso constante do primeiro plano nas cenas, alternados com planos e enquadramentos pensados para nos fazer sentir como se estivéssemos acompanhando Ely de perto, lado a lado. O público é levado a compartilhar do drama da garota, observando sem poder interferir, participando da angústia sem poder oferecer uma palavra de consolo ou sabedoria, simplesmente porque apenas a própria Ely pode tomar a decisão mais difícil de sua vida.

Invisível exige algo de seu espectador e eu recomendo que o assista de coração aberto. A história nos convida a pensar no assunto sem preconceitos, e desperta a empatia para a situação daquelas que, no caso do tema do aborto, são as maiores interessadas. O filme também surge como mais uma prova de como o cinema argentino está amadurecendo a cada ano em sua busca por temáticas questionadoras, que provoquem e estimulem o debate sobre assuntos importantes para a sociedade.

Invisível Alan Barcelos
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