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Prevenge

Ruth está grávida e acredita estar ouvindo seu filho, como muitas outras gestantes acreditam. A diferença é que seu bebê está dizendo para ela começar uma matança. Viúva há apenas alguns meses, Ruth segue as ordens da criança e inicia uma violenta jornada de assassinatos.

(Prevenge) – Suspense. Reino Unido, 2016.

De Alice Lowe. Com Alice Lowe, Jo Hartley, Kayvan Novak e Tom Davis. 1h28min. Distribuidora: Kaleidoscope Film. Classificação: 16 anos.

FESTIVAL DO RIO 2017 – Exibição na Mostra Midnight Movies

Nível Esforçado

Prevenge


Permissividade demais com a perversidade

Escrito, dirigido e estrelado por Alice Lowe, Prevenge é um filme de humor negro, violento, um pouco lúdico, que demonstra ousadia ao retratar uma grávida que começa uma matança desenfreada para se vingar das pessoas envolvidas na morte de seu marido. Ela acredita que o bebê fala com ela e lhe dá instruções de como matar suas vítimas. Com isso, Prevenge se desenvolve sobre o medo que uma mulher pode sentir por ter algo crescendo dentro dela; nem todas as mulheres recebem essa sensação de forma natural. A maternidade, para algumas mulheres, pode ser inquietante, especialmente no caso de uma mulher como Ruth, que perdeu o marido de forma brutal e precisa lidar com o luto e o fato de que criará sua criança sozinha.

À medida que a trama avança, descobrimos versões e pontos de vista sobre a história de Ruth, o bebê e o que aconteceu com seu marido. Mas o ponto de vista de Ruth é o que prevalece, já que é a protagonista e acompanhamos tudo através de sua visão de mundo, inclusive a voz da criança em sua cabeça e os preparativos para seus homicídios. A paixão e a inventividade de Prevenge, contudo, se perde porque Lowe não consegue explorar todo o alcance que possui com sua ideia. O filme tem momentos ótimos (como quando Ruth põe a mãe de Dan na cama e oferece chocolate quente), mas o ritmo irregular impede que vá além do mediano.

Lowe instiga lembranças de O Bebê de Rosemary e Louca Obsessão de Stephen King, buscando no humor negro uma maneira de estimular simpatia pela personagem principal. O problema está justamente no fato de que a simpatia por Ruth é mais imposta a nós, espectadores, do que naturalmente construída pela trama. Quando tenta entrar na cabeça de Ruth e explorar suas motivações, Lowe falha. Na visão do filme, Ruth acredita estar em busca de justiça pelo que lhe aconteceu. Mas todas as pessoas são reduzidas à criaturas baixas e mesquinhas. As poucas tentativas de humanizar um personagem além de Ruth são frustradas pela necessidade que o filme parece ter de “perdoar” Ruth por todos os seus atos, independente do fato de que ela pode estar errada (ou pode ser, na verdade, uma psicopata perversa!).

Lowe apresenta uma Ruth brutal e nunca suaviza sua visão de mundo, o que funciona como estudo psicológico dos efeitos da gravidez (ao mexer com hormônios, mente e sensações de maneira avassaladora). O problema está justamente no fato de que Prevenge permite a Ruth ter pensamentos e emoções que existem além dos pensamentos e emoções de seu bebê. Essa permissividade no olhar de Lowe sobre a protagonista enfraquece o argumento. É como se o filme nos pedisse para desviar o olhar e ignorar as consequências sobre os atos de Ruth. O humor negro poderia ajudar a aliviar essa impressão de permissividade, mas nos poucos momentos em que é usado, soa presunçoso demais. No fim, Prevenge acaba sendo isso: um filme presunçoso, com uma boa ideia, mas que fica aquém do que poderia ter sido.

Prevenge

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Prevenge Alan Barcelos
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