Multiverso

Um dia de Tom, outro de Summer

500 Dias Com Ela

Mesmo depois de oito anos do lançamento, 500 Dias Com Ela (500 Days of Summer) levanta várias questões recorrentes nas conversas sobre o filme e mexe com as emoções dos que o assistem: Summer foi tão ruim assim? É possível corresponder a algo que não tem como ser correspondido?

No início do filme já somos alertados que aquela é uma história SOBRE amor e não uma história DE amor. Eu tenho certeza que na primeira vez que você assistiu, você ficou, assim como eu, bem chateado porque eles não ficam juntos no fim. Afinal, a gente sempre espera um final feliz em que os protagonistas ficam juntos e vivem felizes para sempre.

Aceitar finais de filmes que não acontecem do jeito que a gente quer faz parte do nosso amadurecimento cinéfilo. Ainda mais quando é sobre um casalzinho apaixonadinho e você quer que eles fiquem juntinhos. A questão sobre 500 Dias Com Ela é que eles nunca foram esse tipo de casal. Para Summer, eles nunca nem foram um casal.

Depois de oito anos que esse filme estreou, não é spoiler dizer que: eles não ficam juntos. E hoje, com meu amadurecimento cinéfilo citado acima, eu percebo: QUE BOM QUE ELES NÃO FICARAM JUNTOS!!!

Assistimos ao filme e ficamos bem desapontado com a Summer (Zooey Deschanel). Por que quem faria o que ela faz e negaria o amor de Tom (Joseph Gordon-Levitt), que estava ali, pronto e aos pés dela? Eis a resposta: qualquer um que não estivesse realmente interessado em ter um relacionamento. No caso, ela.

Durante todos esses anos, fiquei cultivando esse sentimento de “ela não deveria ter feito isso com ele!”. Quando, na verdade, Summer deixa claro desde o primeiro momento que não queria nada sério. Tom fantasiou na cabeça dele que aquela era uma história de amor e Summer era sua alma gêmea.

Continuo achando que Summer não foi correta, porque apesar de ter deixado claro (pelo menos ela achou que fez isso, mas sabemos que para Tom não ficou tãããão claro assim, né?), ela errou. Errou porque nutriu o sentimento de uma pessoa quando ela não era capaz de retribuir. Esse foi o erro cometido. O fato dela não ter amado Tom e ter casado com outro não foi o problema.

O problema é que, na vida, nem tudo é como a gente quer que seja. Tom mergulhou num relacionamento que ele achou que deveria investir, mas não era correspondido da mesma maneira. O amor nem sempre é recíproco. Ele é como a cena do filme em que vemos a expectativa versus a realidade, quando nosso mocinho apaixonado descobre que ela está noiva de outro.

500 Dias Com Ela

Espelhar nossas expectativas em outra pessoa e esperar que ela corresponda ao que esperamos não é sempre o caminho certo a se seguir. Pode dar certo ou não. Imagina você ter que estar com alguém sem querer verdadeiramente estar com essa pessoa. Não, você não é obrigado a isso.

Summer era livre e queria continuar desse jeito. Tom queria fazer com que ela pudesse amá-lo na mesma intensidade em que ele estava apaixonado. Mas a vida não é assim. Nem em filmes e muito menos na vida real. O amor de Tom por Summer seguiu o ciclo natural das coisas: nasceu, cresceu e, depois dele sofrer… morreu. O tempo cura tudo. 500 dias se passaram para que isso acontecesse, mas aconteceu.

E o mais legal de perceber é que a mais sábia nesta história é Rachel – Chloë Moretz novinha –, irmã de Tom. Enquanto ele sofria por esse amor que nunca seria correspondido na mesma intensidade, ela diz que o grande problema é só querermos achar as partes boas e ignorar as partes ruins. Às vezes, as partes ruins são os sinais que nos fazem entender que… bem… não era para ser.

Não adianta investirmos nossa felicidade em alguém e levar ao pé da letra que “É impossível ser feliz sozinho”. Antes Tom tivesse ficado sozinho e esperado que alguém como Autumn aparecesse no momento certo. (Sim, eu acho que o final do filme foi perfeito e se fosse na vida real, eles ainda estariam juntos). Mas a gente sabe que tem muito Tom e muita Summer andando por aí. Duvido que você não conheça ou não tenha vivido uma história parecida.

A história SOBRE amor de 500 Dias Com Ela acontece na vida real. É exatamente isso. Um dia você pode ser o Tom e no outro, você pode ser a Summer. Não tem fórmula. A questão é que você não tem que ser apaixonado e amar alguém só porque essa pessoa tem esse sentimento por você, da mesma forma que você não pode brincar com os sentimentos de outra pessoa se você não estiver pronto para corresponder. Você não pode ser feliz iludindo outra pessoa. Assim como você não tem que ser infeliz para fazer outra pessoa feliz.

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  • http://dicaaleatoria.wordpress.com/ Daniel Feitoza

    Excelente, amo o filme e essa resenha foi perfeita.

    Todos podemos ser (se já não fomos) em algum momento o Tom ou a Summer.

    O ideal é você ser o mais correto possível numa situação amorosa e o resto se desenrola. Ou não. e bola pra frente! ;)

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