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It: A Coisa

Baseado na obra de Stephen King, a história começa com o assassinato de uma criança, George Denbrough, na pequena cidade de Derry, no Maine. O irmão mais velho de Georgie e seu grupo de amigos, o Clube dos Perdedores, entram em uma busca pelo assassino e logo se deparam com uma entidade maligna, Pennywise, que está caçando e devorando crianças.

(It) – Horror. Estados Unidos, 2017.

De Andy Muschietti. Com Bill Skarsgård, Jackson Robert Scott, Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Jaeden Lieberher, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs e Jeremy Ray Taylor. 2h15min. Distribuidora: Warner Bros. Classificação: 16 anos.

Nível Épico

It: A Coisa


O medo em múltiplas formas

Stephen King é um dos autores mais publicados e vendidos da atualidade. Sua popularidade, há muito, extrapolou o território das letras. Muitas adaptações surgiram e estão surgindo, algumas bem sucedidas, outras nem tanto. É gratificante ver que a adaptação de Andy Muschietti de It: A Coisa é um caso de sucesso e, além disso, capta o espírito e os temas explorados por King em suas obras de forma excepcional.

Cabe ressaltar, contudo, que o filme It é fruto de uma tendência “retro” anos 1980 fortalecida e estimulada pelo sucesso de Stranger Things na Netflix em 2016. Muito do que este novo It é se deve a série, não apenas a presença do ator mirim Finn Wolfhard no elenco. O livro é bem mais pesado, tenso e sombrio do que este filme, que é mais equilibrado entre o humor juvenil e o horror assustador. O filme anterior, It: Uma Obra-Prima do Medo, de 1990, com Tim Curry no papel de Pennywise, era mais horripilante, embora também fosse mais trash, uma vez que era uma minissérie para a televisão de baixo orçamento, que muitos de nós assistiu em forma de filme nos cine trashs da vida quando éramos mais jovens.

Quando você vê o filme, você rapidamente percebe o quão mais importante é a participação das crianças, algo que já difere este filme do de 1990. E isso é muito bom para a história. Nenhuma das crianças parece desnecessária no grupo, cada um tem de desempenhar o seu próprio papel da ação e todos os jovens atores parecem muito naturais em suas performances.

O mais impressionante é que, aqui, todo o filme é apoiado por estes sete personagens mirins e eles não vacilam. Eles têm uma química maravilhosa e relações transparentes uns com os outros, de modo que demonstram uma profunda amizade e um espírito autêntico de “um por todos e todos por um”. Eles se comportam de forma realista em face dos horrores indizíveis que enfrentam. Eles têm um medo significativo e imaginam o monstro com relutância, porque sabem que não têm alguém para ajudá-los. É um alento quando Richie repetidamente adverte o grupo que eles são apenas crianças que deveriam estar se divertindo no verão, ao invés de perseguirem um monstro por esgotos ou casas abandonadas.

Dentre as crianças, merece destaque o desempenho de Sophia Lillis como Beverly. Ela possui uma força digna de nota, que consegue impulsionar todas as suas cenas por si só, mesmo quando divide espaço com Pennywise. Exteriormente, é ousada e corajosa, e esconde as feridas profundas que foram infligidas a ela por seu pai. Seu monstro está muito mais próximo, e ela o enfrenta com uma sede inspiradora por liberdade. Além disso, Lillis ainda tem algo de Amy Adams no olhar e nos trejeitos; uma curiosidade é que, em breve, as duas estarão juntas na minissérie da HBO, Objetos Cortantes, em que Lillis interpretará a versão jovem da personagem de Adams.

O Pennywise de Bill Skarsgård é um horror a parte. Ele é a personificação do mal em forma de (geralmente) palhaço. Mas ele assume muitas formas, e suas aparições são os momentos de maior estranheza e opressão da trama. Pennywise brinca com suas vítimas, insultando-os e mexendo com seus medos, criando cenários de pesadelo. A composição artística e efeitos visuais tornam a Coisa mais temível. Ao contrário da minissérie de 1990, o monstro aqui é menos definido em sua forma, embora não oscile tanto entre suas aparências como no livro. Ainda assim, o Pennywise de Skarsgård é um mistério a ser desvendado e temido. Quando aparece, o faz para assustar. Não é de graça, ou apenas para causar alguns sustos. O horror de It: A Coisa é mais climático, voltado para construir a atmosfera de uma história que se passa em uma cidade provinciana e macabra.

Muschietti deixa, em vários momentos, a expectativa ao redor do monstro a cargo da nossa imaginação, revelando-o apenas quando necessário e quando a história chega ao seu clímax. It: A Coisa mexe com o imaginário e os sentimentos de amizade e memória, enquanto um grupo de crianças tenta sobreviver ao ensino médio (e a uma criatura maligna). O filme não é um evento de puro horror. É bem sucedido por saber equilibrar com eficiência os elementos aterrorizantes da história de King e o carisma juvenil de seus personagens. Alguns poderiam se lembrar de Conta Comigo, uma das melhores adaptações de uma obra de Stephen King. E trazer esta lembrança torna It ainda mais envolvente. Escapar de Pennywise, nesse caso, é quase impossível.


Diferenças entre o filme e o livro

No romance de mais de 1.000 páginas de Stephen King, a história macabra de Derry é contada através de vários períodos de tempo. E como em qualquer adaptação, alguns detalhes da obra original às vezes são retirados ou alterados. Mesmo a minissérie de televisão, It: Uma Obra-Prima do Medo, com suas três horas e doze minutos, não abrange tudo o que King colocou no livro. Felizmente, o novo filme é consideravelmente fiel ao material original, em parte, devido à decisão dos cineastas de dividir a história em duas partes. Mas algumas coisas sofreram mudanças para se encaixar mais adequadamente à proposta do filme.

A partir daqui, o texto tem spoilers sobre o filme, então, se você não tiver visto ainda, volte depois de assisti-lo.

A época da história: A diferença mais imediata entre o romance e o filme é o período de tempo. No livro de King, a história acontece entre 1984 e 1985, quando os membros do Clube dos Perdedores já são adultos. Ao longo do livro, há vários flashbacks para 1957 e 1958, quando o irmão mais novo de Bill, Georgie, foi assassinado e o Clube enfrentou Pennywise pela primeira vez. O filme gira em torno do Clube quando eles ainda são crianças, no final da década de 1980, uma escolha feita, certamente, pelo sucesso de Stranger Things e porque, hoje em dia, é mais fácil criar identificação do público pelos anos 1980 do que pelos anos 1950. It: A Coisa é o Capítulo 1 da história. O Capítulo 2 trará os membros do Clube dos Perdedores já crescidos, 27 anos depois, para lidarem com Pennywise na época atual.

Georgie: A cena de abertura que mostra o assassinato de Georgie é quase totalmente semelhante ao capítulo de abertura do livro, com uma grande exceção: no filme, o corpo de Georgie nunca é recuperado.

Mike Hanlon: O livro é vagamente narrado por Mike Hanlon, que trabalha como bibliotecário de Derry na idade adulta e ajuda a levar o Clube dos Perdedores de volta a Derry para o confronto final. Mike passou grande parte de sua vida adulta reunindo informações sobre a história sombria da cidade, que é intimamente ligado à história da Coisa. No filme, o papel de desvendar o passado da cidade fica por conta de Ben, que a revela ao restante do Clube tendo como base um álbum de recortes que ele mesmo criou. Outras mudanças em Mike incluem o fato de que ele perdeu os pais em um incêndio e mora com seu avô (ao invés do pai, como é no livro) e as balas de prata que os personagens usam no romance para derrubar Pennywise quando são crianças são adaptadas no filme para uma arma de parafusos levada por Mike.

Os monstros: Talvez um dos aspectos mais emblemáticos de It seja a habilidade de Pennywise para se transformar no medo específico de cada criança. Como as crianças no livro crescem durante o auge da tendência dos filmes B de monstros, Pennywise assume a forma de alguns dos mais famosos monstros do cinema, o Lobisomem, a Múmia, o Monstro da Lagoa Negra. O filme não usa estes monstros. Os medos das crianças são diferentes, dependendo da história de cada um. Bill é assombrado por seu irmão, Georgie. Mike não vê um pássaro gigante, vê os pais mortos em um incêndio. Richie não vê um lobisomem. A cena de Bervely acontece de uma forma adaptada, e ainda assim, é tão impactante quanto a do livro.

Cena controversa de Beverly: Uma das cenas mais controversas no livro de King ocorre logo após a derrota dos perdedores para Pennywise quando são crianças. Eles brigam e se separam, perdendo-se nos esgotos. Como uma maneira de uni-los de novo, Beverly se despe e se oferece ao grupo. O livro fala bastante sobre o significado do círculo dos sete que forma o Clube dos Perdedores, e isso culmina nesta cena, como uma forma de restabelecer de vez a união entre eles. O diretor Andy Muschietti decidiu não usá-la no filme. O que acontece é o juramento de sangue que une as crianças do Clube dos Perdedores. Na minissérie de 1990, a cena de Beverly também não aparece.


It: A Coisa

Os que estão dizendo sobre o filme

“Apesar da mensagem clara do medo, It também tem uma mensagem bastante clara em seu arco final. É normal ter medo, mas é escolha nossa como agir diante dele. O filme consegue passar várias dessas pequenas lições e ainda assim ser um ótimo entretenimento, e deixa uma baita vontade de estar novamente na companhia do grupo de otários. Assim como eles aprendem, quando se há bons companheiros ao seu lado, não há nada a se temer.” – Beto Menezes // Cinema em Série

“It – A Coisa, pelo contrário, conserta os detalhes que o anterior deixou em aberto, explicando mais com mais didática visual. A crueldade sociopata (à moda de Jogos Mortais, de James Wan) do palhaço é potencializada ao sobrenatural, à ficção e à ilusão do existir. Ao colocar no campo da maldade diabólica (com luzes que piscam, quadros que caem, figuras que saem das pinturas), abraçando a estrutura de Annabelle e Premonição, por exemplo, o espectador sente o medo que não consegue fugir. É mais explícito no gênero com mais músicas condutoras de suspense. Há a condescendência ‘possuída’ dos moradores (que lembra Twin Peaks, de David Lynch), a luz estética, a morte que não mata de imediato (e sim chama para ‘flutuar’) e o olho na escuridão (que infere sutilmente a ‘Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas’, de Apichatpong Weerasethakul. ‘A coisa se alimenta do povo’, diz-se sobre a ‘infecção ambulante’.” – Fabricio Duque // Vertentes do Cinema

It: A Coisa Alan Barcelos
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  • Leticia Dinis

    Ótimo texto! Eu amei o filme!❤

  • Davi Wayne

    oi

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