Entretenimento

Os cancelamentos de Sense8 e Get Down apontam novos rumos para as séries de televisão

Herói

Os fãs ficaram com o coração partido com a notícia de que a série Sense8 foi cancelada. Curioso que dias antes a Netflix já havia anunciado que Get Down não seria renovado, o que abriu a temporada de especulações sobre os motivos do não prosseguimento destas séries.

No caso de Sense8, a primeira coisa que vem em mente são os altos custos da produção. Filmada em 13 países diferentes, com atores das mais diferentes etnias, a produção da série acaba ficando muito cara. A Netflix não divulga os números de sua audiência, mas esse tipo de investimento implica numa expectativa de retorno com grandes números.

O grande problema é que o hype das maratonas em um único final de semana parece estar acabando. O número de séries só aumenta, e mesmo os fãs mais assíduos estão com dificuldades de ficar em dia com todas. Isto pode estar implicando num retorno ao ritmo antigo, de assistir a um episódio por semana, como vem sendo o caso de American Gods, Twin Peaks, Better Call Saul, entre outras. Até porque é muito mais fácil gerar buzz com um só episódio do que com 13 de uma vez. Além disso, as séries podem estar chegando a um ponto parecido com o do mercado de HQs dos anos 1990, quando a oferta de produtos era tão grande que as vendas de cada um individualmente começou a cair vertiginosamente.

O cinema cada vez mais depende da bilheteria do primeiro fim de semana, os livros também cada vez mais têm seu sucesso determinado pelas pré-vendas ou pela primeira semana de venda. As séries de TV começaram então a conquistar espaço justamente por possibilitarem um respiro maior aos criadores, principalmente as exibidas em streaming. Esses cancelamentos, contudo, já podem ser indícios de que as coisas estão começando a mudar, ainda mais se associarmos com as declarações recentes de Reed Hastings, presidente da Netflix, de que a empresa pode aumentar o número de cancelamentos.

Para piorar, ambas as séries são importantes por darem espaço à diversidade. Em Get Down, temos um retrato muito importante da comunidade negra dos EUA, recuperando sua história. Já em Sense8 temos heróis globalizados, de diferentes etnias e nações, passando uma mensagem de amor e união da humanidade. E a comunidade LGBT nunca foi tão bem retratada, com heróis e heroínas de diferentes orientações sexuais assumindo um protagonismo que nunca conseguiriam numa produção típica de Hollywood.

Aliás, foi de extremo mal gosto anunciar esse cancelamento justo no primeiro dia do mês do orgulho LGBT. Foi no mínimo uma insensibilidade e, ao mesmo tempo, uma amostra do quanto a luta pela diversidade ainda precisa caminhar para a conquista de direitos desta comunidade.

A verdade é que temos uma indústria cultural cada vez mais imediatista, trabalhando para um público também cada vez mais imediatista. E o hype pela novidade está cada vez mais difícil de se manter por mais do que 2 ou 3 dias. Qualquer coisa que não seja sucesso imediato é vista como fracasso. Só torçamos para que não chegue ao ponto em que o marketing seja muito mais importante do que o obra em si.

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Aperte o Play