Cultura Pop

Ser fã também é respeitar a dor alheia

Sinto falta do cinema de rua

Nos últimos dias, os fãs se comoveram com a notícia de que Zack Snyder e sua esposa Deborah Snyder se retiraram do trabalho de pós-produção do filme da Liga da Justiça por conta do suicídio de sua filha de 20 anos, Autumn, ocorrido em março (leia a notícia completa aqui). Enquanto muitos lamentaram o ocorrido, houve uma pequena parcela que, de forma inacreditável, comemorou a saída dele.

Por mais que os filmes do Snyder possam merecer críticas, ser insensível a uma tragédia familiar deste porte, por achar que isso vai ser melhor para seu personagem favorito, seria algo inimaginável de se admitir em público. Contudo, hoje em dia, muitos fazem isso de cara lavada, sem medo de esconder sua insensibilidade, ainda que travestida de humor. A que ponto o egoísmo desse grupo pode chegar, onde a dor de um ser humano é menosprezada em prol do atendimento de seus desejos mais mesquinhos por diversão?

É normal ver os fãs se exaltarem para defender seus heróis favoritos, mas há um limite ético que há muito vem sendo ultrapassado, e que agora parece ter atingido seu ápice. Muito disto é alimentado por uma parte de veículos de comunicação especializados em cultura pop que alimentam os haters, buscando criar polêmicas a qualquer custo, exagerando no tom negativo, e tentando encontrar defeitos em tudo para ganhar cliques e se mostrar como relevantes.

Em menor escala, já estamos vendo isso acontecer faz algum tempo. Alan Moore, por exemplo, muitas vezes é criticado por falar mal das adaptações de suas obras e dos quadrinhos mainstream em geral, como se devesse algo aos fãs e não tivesse suas razões para não gostar do modo como foi tratado pela DC. Fora diversos comportamentos, dessa parte do público, que incentivam machismo, misoginia e preconceitos em geral.

O pior de tudo é que um fã de super-heróis se comportar assim é a prova de que não entendeu nada dos personagens que supostamente gosta. Talvez isto tenha a ver com o próprio ego desse tipo de fã, que não admite ser contrariado e está mais preocupado em utilizar a cultura pop para se autoafirmar do que para se divertir.

Este episódio lamentável pode servir como ponto de partida a uma reflexão séria sobre o tipo de ambiente que desejamos para discutir nossas obras e personagens favoritos: o do respeito mútuo ou o do egoísmo cruel. Se olharmos para os próprios heróis que tanto amamos, a resposta só pode ser a primeira.

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  • Leandro Sobrinho

    Belo texto !! Rondi exatamente assim

    • Rafael Luppi Monteiro

      Obrigado!

  • http://www.facebook.com/tarcisiorosa Tarcisio Rosa

    Excelente texto Rafael.

  • Renato

    123

  • Leticia Dinis

    Melhor filme

  • Robertha Nascimento

    Belo texto!

  • Robertha Nascimento

    ❤️

  • Gabrielle Guimarães

    Mt bom

  • Rafael Luppi Monteiro

    obrigado a todos e todas pelos comentários!

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