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Um Currículo Relapso

Um Currículo Relapso

O tema currículo continua me rondando. Acho que o tema da última coluna abriu uma pequena caixa e um monte de gente resolveu contar seus currículos de shows para mim. Uma situação estranha já que eu não sou lá uma grande frequentadora de shows e meu gosto musical é bastante peculiar. O interessante é que tudo isso me fez pensar em outras áreas do meu currículo cultural e como eu me dedico a elas. Tema de hoje: cinema.

Tenho que admitir que já fui muito mais cinéfila do que sou hoje. Na minha infância e adolescência, assistia a tudo de tudo, corria atrás das referências, buscava os filmes, ia aos festivais. Isso tudo era antes da internet dominar as comunicações e as pesquisas e o acesso aos filmes terem se tornado tão mais simples. Eu era a criança que ia direto para a estante de clássicos na locadora de vídeo. Acho que assisti a quase tudo que tinha disponível. Dos clássicos hollywoodianos assisti a muita coisa no Corujão em um tempo em que o Corujão só passava filmes em preto e branco ou grandes épicos. Eram madrugadas gloriosas em companhia de Elizabeth Taylor, Paul Newman, Leslie Carron, Gergory Peck.

Fui crescendo e migrando dos filmões clichezentos e descobrindo o cinema europeu e de lá para o resto do mundo, inclusive o brasileiro. Foi a época de ser rata de cinemas com circuitos alternativos, de descobrir Fellini, Rossellini, Truffaut, Glauber, Person, Kusturica. Assistir a novas formas de contar histórias, diferentes perspectivas, me fez voltar ao cinemão e vê-lo de outra forma. Nesse período assisti a um filme do Curdistão com legendas em alemão (eu acho). Era para ter legendas eletrônicas em português, mas elas nunca apareceram. Foi uma experiência. Assistia de tudo, dos meus musicais queridos ao mais alternativo dos filmes, tinha uma ânsia em ver cada vez mais. Cheguei a ver quatro filmes no mesmo dia, não recomendo. Hoje misturo todas as histórias e acho que formei um quinto filme que é uma mistura louca dos outros quatro.

A vida de adulto chegou e meus hábitos cinéfilos arrefeceram. Assisto a muita coisa, vou ao cinema com frequência, mas meu currículo passou a ter mais lacunas. Trainspotting, coitado, está há anos na lista para ver e não consegue entrar no currículo. Em anos anteriores, teria corrido ao cinema. E assim, tantos outros filmes foram ficando de fora do currículo de uma pessoa que um dia foi cinéfila. Enfim, meu currículo de cinema poderia estar sendo cuidado com o mesmo zelo do que o de shows, mas não anda dando tempo e olha que eu ainda vou ao cinema toda a semana.

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