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Alien: Covenant

História se passa 10 anos após os acontecimentos de Prometheus (e cerca de 20 anos antes de Alien: O Oitavo Passageiro). A nave Covenant está em uma missão colonizadora para um planeta distante, levando 2.000 colonos, 1.100 embriões, a tripulação e o modelo sintético Walter (Michael Fassbender). Quando ocorre um evento inesperado, Walter acorda a tripulação das câmaras de hibernação, sete anos antes de chegar ao destino. Durante os reparos, Tennessee (Danny McBride) capta o sinal de uma transmissão de voz humana proveniente de um planeta próximo, até então desconhecido. Uma vez que os tripulantes não desejam voltar a dormir, Chris (Billy Crudup) é promovido a capitão e decide seguir para este novo planeta com objetivo de investigar a fonte do sinal.

(Alien: Covenant) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2017.

De Ridley Scott. Com Katherine Waterston, Michael Fassbender, Noomi Rapace, James Franco, Guy Pearce, Billy Crudup, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Jussie Smollet, Amy Seimetz e Danny McBride. 2h02min. Distribuidora: Fox Films. Classificação: 16 anos.

Nível Esforçado

Alien: Covenant


Meio Alien, meio Prometheus, meio perdido no paraíso

Em apenas alguns minutos, é preciso admitir, a cena de abertura de Alien: Covenant consegue fazer o que Prometheus teve dificuldade de fazer em duas horas. Considero Prometheus um bom filme, embora problemático. E reconheço um potencial desperdiçado ali, especialmente pela tentativa de desenvolver um filme que não deveria ser da franquia Alien e acabou se tornando um filme da franquia Alien.

Alien: Covenant convincentemente explora a ideia da criação de forma mais simples e direta, sem parte do exagero delirante de Prometheus. O início nos mostra o sintético David (Michael Fassbender) se descobrindo diante de seu criador, Weyland (Guy Pearce), e a conversa entre eles é o fio condutor para tudo o que vem depois na história. A reviravolta principal do enredo e o clímax vêm desta temática, e são os pontos altos do filme.

De onde viemos, quem é criador, o dano que criações e criaturas podem causar. Ridley Scott oferece algumas respostas à questões levantadas em Prometheus e que sempre estiveram rondando a atmosfera da série Alien. A condução e o ritmo do filme, contudo, são questionáveis. Não é preciso, na verdade, estar familiarizado com a franquia para saber que, se existe uma expedição investigando territórios ou organismos alienígenas, escolhas ruins eventualmente são feitas. Faz parte do estilo de Alien. Mas esse é o ponto onde o filme mais se aproxima dos problemas de Prometheus. Os personagens, supostamente especialistas em suas áreas, parecem pessoas completamente ineptas, despreparadas, histéricas e estúpidas, e isso incomoda bastante — você vê uma infecção bizarra brotando das costas do sujeito, o que você faz? Abraça. Ou você é responsável por cuidar da nave de exploração quando desce em solo alienígena, então dá tudo errado, e o que você faz? Surta! — Os personagens fazem parte de uma expedição colonizadora de outro planeta, são militares, especialistas e cientistas em sua maioria, e faz sentido acreditar que foram devidamente treinados para tal missão. Mas na primeira adversidade, se desesperam e começam a fazer um monte de escolhas falhas, que não condizem com a lógica dos personagens dentro da trama e do cenário. Por mais que seja algo comum ao estilo da franquia, não é algo que víamos em Alien ou Aliens: O Resgate, pelo menos, não em uma proporção tão alarmante como aqui.

Os humanos são fracos e tolos, essa é provavelmente uma das premissas que Scott tentava abordar com Prometheus e agora com Alien: Covenant. Colocá-los perante a adversidade de enfrentar um Xenomorfo é uma forma de testá-los. Antes, havia certa dignidade em enfrentar o perigo, falhar e morrer. Agora, há apenas a falha miserável e vergonhosa. Apenas alguns (poucos) lutam com vigor e dignidade, e um destes, curiosamente, nem é humano. É curioso pensar que esta mudança na forma pode ser um reflexo dos tempos.

Os expedicionários seguem seu caminho com bastante turbulência e violência, desesperadamente tentando sobreviver. Não seria um filme de Alien sem algumas emoções e arrepios de perseguição alienígena. Nesse aspecto, no que lembra o que há de melhor na franquia, o filme é funciona muito bem. Causa tensão, horror, incômodo com Xenomorfos aterrorizantes.

Alien: Covenant era para ter sido Prometheus 2, que passou a ser chamado de Alien: Paradise Lost (Paraíso Perdido), em uma alusão óbvia à obra de John Milton. Há ainda uma proeminente referência literária ao soneto Ozymandias, de Percy Bysshe Shelley, que é usado para denotar como um conhecimento equivocado sobre a existência pode criar uma percepção perigosa de mundo. Ao mesmo tempo, representa o orgulho da humanidade e o inevitável declínio dos impérios. É até curioso em certos aspectos. David tinha ares do Frankenstein de Mary Shelley em Prometheus, e agora vem uma citação à Percy Shelley, de quem Mary foi esposa.

O David de Fassbender era a melhor parte de Prometheus, um enigma a ser decifrado. Agora David é um personagem mais desenvolvido, com motivações mais claras, e não há tanto desse carisma enigmático de antes. Mas Fassbender ainda impressiona por desempenhar dois sintéticos, criando distinção entre Walter e David através de gestos, diálogos e olhares.

Em paralelo, as comparações entre a Daniels de Katherine Waterston e a Ripley de Sigourney Weaver são inevitáveis. Waterston faz um trabalho refinado enfrentando a ameaça alienígena, ainda que sua personagem receba poucas chances para efetivamente brilhar como possível nova grande protagonista da série. Daniels fica apenas na promessa. E por isso, ainda não consegue se equiparar à Ripley. Ou à Dra. Elizabeth Shaw de Noomi Rapace, que também possuía uma força impressionante.

Scott criou um filme muito mais contido em Alien: Covenant, após a complicação excessiva de Prometheus. A tentativa, naturalmente, é louvável, mas não deixa de soar um pouco decepcionante perante todo o potencial que a história tinha. O maior problema de Alien: Covenant é justamente não se decidir por ser Prometheus 2 ou Alien, e ficar perdido em algum ponto no meio disso. É possível que nos próximos filmes as coisas se ajeitem e fluam melhor. Quem sabe. O fato é que Scott já tem planos para mais duas continuações nesta série prequel de Alien, e ele inclusive vai começar a filmar o próximo dentro de quatorze meses. Ou seja, ainda há muito paraíso perdido a explorar. O quanto disso será efetivamente um paraíso, vamos ter que esperar para ver.

Alien: Covenant

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Alien: Covenant

Alien: Covenant Alan Barcelos
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  • Andre Souza

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