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Sobre ser da realeza

Sobre Ser da Realeza

Desde pequena, eu sempre fui fascinada pela Disney. Principalmente pelas Princesas. A minha preferida sempre foi a Bela, de A Bela e a Fera. A Bela sempre via uma beleza que nem todos seriam capazes de enxergar: a beleza interior. E a Bela queria conhecer muito mais do que ela vivia. Eu gostava disso. E eu também fui a caçula da família por muito tempo, ou seja, dentro da minha família eu realmente era uma princesinha. Eu também gostava disso.

Eu tinha uns seis anos quando já contava a história de TODAS as princesas que conhecia da Disney – que naquela época eram umas quatro, rs. Como eu amava minhas bonecas que eram princesas… na minha cabeça, eu também era uma. E ai de quem dissesse o contrário.

Mas à medida que fui crescendo, fui percebendo que aquelas princesas sobre as quais eu sabia a história de trás para frente eram tidas como bobas e ingênuas pelas pessoas mais velhas. Para mim, a questão sobre ser uma princesa era que a bondade falava mais alto, porque no fim, o “felizes para sempre” SEMPRE acontecia para elas.

Eu tinha 15 anos quando A Princesa e o Sapo foi lançado em 2009. Tiana passou a ser, junto com a Bela, minha outra princesa favorita. Tiana trabalhava duro para conseguir alcançar seu objetivo de ter seu próprio restaurante, como ela planejava desde criança com o pai. Com 15 anos, eu já não tinha mais a ideia de um príncipe encantado em um cavalo branco. E Tiana, que não precisava de ninguém para ser empoderada, porque ela mesma queria ser dona de tudo que queria, se apaixona pelo sapo que na verdade era um príncipe que tinha virado um sapo, e aí vocês já entenderam, né? Mas o ponto é que Tiana era diferente das outras princesas. Ela não ficava sentada esperando a vida acontecer. Foi quando eu percebi o poder da Disney em contar uma história que dialogasse com a vida real.

Você não precisava, de fato, ser da realeza para ser uma Princesa da Disney. Ser uma princesa é muito mais que usar uma tiara e vestidos bonitos. É também fazer escolhas. Eu me lembro de às vezes ficar meio irritada quando aquelas princesas faziam escolhas erradas que levavam a caminhos errados. Tipo quando a Branca de Neve comeu a maçã envenenada que ganhou de uma senhorinha desconhecida. Quer dizer, todo mundo sabe que não se pode aceitar nada de pessoas desconhecidas, porque elas não são confiáveis. Mas no fim, eu entendia que era o que falava mais alto nelas: serem bondosas.

Cinderela era maltratada, escorraçada pela madrasta malvada, e mesmo assim, continuava sendo gentil com todos. Bela queria conhecer o mundo e via beleza onde as pessoas não viam. Que difícil devia ser para ela fazer isso em um vilarejo onde todos a viam como alguém diferente. Era mais ou menos a mesma coisa com a Ariel. Ela queria conhecer o mundo dos humanos. O que havia de errado nisso? E a Mulan… CARA, a Mulan! Que mulher corajosa.

Mas fico feliz que mesmo conhecendo todos os contos de fadas com finais felizes que a Disney produziu, pude conhecer outros mais. Merida, de Valente, assim como Tiana, não queria um príncipe, já que era o que todos esperavam dela. Ela queria mais. Anna, de Frozen, apesar de parecer seguir os padrões convencionais de “mulherzinha”, escalou uma montanha congelada para salvar sua irmã, Elsa. A própria Elsa tinha poderes que não conseguia controlar, perdeu os pais – os únicos que sabiam do que ela era capaz –, virou rainha super nova, escolheu viver isolada para não ferir os outros e, no final, consegue reverter o que a fazia sofrer em algo que a deixava feliz.

Ser princesa não é ser boba, ingênua ou achar que precisa de um príncipe para salvá-la. Ser princesa é também ser dona de si mesma. E apesar de pessoas ruins quererem corromper isso, ser princesa é ouvir seu coração e fazer o que te faz feliz. Clichezão, eu sei. Mas não tem problema ser clichê. A Disney me ensinou isso.

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