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Da Ação Policial à Galhofa Heroica – O Sucesso de Velozes e Furiosos

Velozes e Furiosos

Velozes e Furiosos 8 chega aos cinemas e traz consigo a consagração de uma franquia cuja evolução nas telonas foi algo deveras peculiar. Tudo começa em 2001 com o lançamento do primeiro Velozes e Furiosos. Com direção de Rob Cohen (Triplo X e A Múmia: Tumba do Imperador Dragão) e roteiro de Ken Li e Gary Scott Thompson, este filme foi inspirado em um artigo escrito por Li e publicado em uma revista cujo título era “Corredor X”. A ideia desta primeira aventura era fazer um filme de ação policial nos moldes de Caçadores de Emoções de 1991, onde um policial jovem, no caso, Brian O’Conner (Paul Walker) se infiltra no meio das corridas de ruas ilegais para descobrir uma gangue que usava carros tunados para praticar roubos de cargas. Porém, O’Conner acaba fazendo amizade com Dominic Toretto (Vin Diesel), o que o coloca em um grande dilema que perdura até o final do filme.

Mantendo a linha de filme de ação policial, em 2003, chega às telonas +Velozes +Furiosos, trazendo de volta apenas Brian O’Conner. Desta vez, o ex-policial, que estava foragido na Flórida, se junta ao seu melhor amigo Roman Pierce (Tyrese Gibson) para se infiltrarem novamente no mundo das corridas ilegais para ajudar a agende da Alfândega Monica Fuentes (Eva Mendes) investigar um traficante internacional de drogas. Em troca, ambos teriam suas fichas limpas. Inclusive, nos extras do DVD, existe um curta mostrando toda a trajetória de O’Connor do final do primeiro filme até sua chegada à Flórida, meio que para explicar porque Brian se tornou um fugitivo da polícia. Na ocasião, Vin Diesel recusou retornar ao papel de Toretto por não ter gostado da abordagem que deram ao roteiro da sequência, assinado por Gary Scott Thompson e Michael Brandt. +Velozes +Furiosos teve a direção de John Singleton (Quatro Irmãos, Shaft e Os Donos da Rua) e tinha momentos mais leves e com piadinhas, muitas delas, por conta de Roman servir como uma espécie de alívio cômico na dupla de protagonistas, totalmente diferente do Toretto de Vin Diesel.

Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio chega às telas em 2006 para manter o nome da franquia vivo. Com direção de Justin Lin (Star Trek: Sem Fronteiras) e roteiro de Chris Morgan (47 Ronins e O Procurado), a princípio só tinha o título em comum com os filmes anteriores. Ele traz a história do adolescente Sean Boswell (Lucas Black) que, após ter destruído seu carro numa corrida de rua e ter sido levado pelos canas, vai morar com seu pai em Tóquio para que não chegasse a ver o sol nascer quadrado na terra do Tio Sam. Entretanto, Sean acaba se envolvendo com a turma das corridas ilegais nipônicas e vê que lá, ao contrário do que estava acostumado nos Estados Unidos, tais corridas são um pouco diferentes: em vez de arrancada e pegas, a galera japonesa curte fazer drifting. Ao contrário dos filmes anteriores, Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio não possui nenhuma trama policial envolvida, mas seu foco é justamente no amadurecimento de Sean, se é que podemos chamar assim, e na conquista de respeito pelos outros. Nem a parte de humor chegava a ser tão presente. Esta aventura ainda conta com uma participação de Vin Diesel retornando como Dominic Toretto, resultado de um acordo que o ator fez com a Universal para que esta desse os direitos da franquia Riddick para ele. Aliás, Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio foi considerado por muito tempo como o pior filme da franquia. Porém, mal sabíamos que foi esse filme, com Lin na direção e Morgan no roteiro, que deu início ao rumo definitivo pelo qual a franquia iria seguir daqui pra frente.

Velozes e Furiosos 4 foi lançado em 2009 e trazia de volta às telas o núcleo de personagens do primeiro filme. Esta quarta aventura conta agora com Vin Diesel na produção e traz de volta a dupla Justin Lin na direção e Chris Morgan no roteiro. Agora, Brian O’Conner é um agente do FBI e se junta ao ex-fugitivo Dominic Toretto para combater um traficante de heroína que transportava drogas em carros tunados cruzando a fronteira do México. Com motivações distintas, tanto Toretto como Brian tentam se infiltrar na quadrilha do traficante e precisam por suas diferenças de lado para que esta operação tenha sucesso. Vin Diesel chegou a produzir e dirigir um curta metragem chamado Los Bandoleros que mostra como estava a vida de Toretto e sua namorada Letty (Michelle Rodriguez), foragidos na República Dominicana até os eventos que levaram Toretto de volta à Los Angeles. Foi em Velozes e Furiosos 4 que somos apresentados a três personagens que passarão a ser parte da família Toretto nos filmes seguintes: Gisele (Gal Gadot), Leo (Tego Calderon) e Santos (Don Omar), sem contar que é mostrada a ligação do personagem Han (Sung Kang), apresentado no filme anterior, com Dom e cia. Esta quarta aventura procurou retornar à linha mais séria de ação policial que o primeiro filme.

Chega às telas em 2011 Velozes & Furiosos 5: Operação Rio, a sequência que começou a dar a primeira amarrada na mitologia da franquia, pois reúne personagens de todos os filmes anteriores nesta mesma aventura: Mia (Jordana Brewster) e Vince (Matt Schulze) de Velozes e Furiosos; Roman e Tej (Chris ‘Ludacris’ Bridges) de +Velozes +Furiosos; Han (Sung Kang) de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio e; Gisele, Leo e Santos de Velozes e Furiosos 4. É a primeira vez em que todos eles se encontram no mesmo filme! A história começa exatamente onde terminou o filme anterior e, agora, todos da equipe passam a ser procurados pela polícia e, por conta disso, a família Toretto decide “comprar” sua liberdade roubando a fortuna de um traficante brasileiro no Rio de Janeiro (apesar de a maior parte das cenas desse filme terem sido feitas em Porto Rico). Além disso, eles contam com outro obstáculo: o agente federal Luke Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson) que, na minha opinião, é o verdadeiro vilão do filme. Velozes & Furiosos 5: Operação Rio conta novamente com o roteiro de Chris Morgan e a direção de Justin Lin e, ao contrário dos filmes anteriores, aposta mais nas sequências de ação e perseguição que beiram à galhofa de tão absurdas, afinal, devem existir métodos mais eficientes e discretos de se roubar um cofre do que arrastá-lo pelas ruas da cidade sendo puxado por dois carros e com todo o efetivo da polícia carioca atrás. Arrisco dizer que foi esta quinta aventura que deu o gás que faltava à franquia. O destaque aqui vai também pela reprodução bastante fiel das viaturas e das fardas da polícia carioca, mesmo sabendo que nunca teríamos Dodge Chargers como guarnições da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Aliás, é nesse filme que, mais um membro entra para a família Toretto: a policial militar Elena (Elsa Pataky) como novo par romântico de Toretto. Velozes & Furiosos 5: Operação Rio ainda conta com o retorno de mais um personagem da franquia na cena pós-créditos, que deixa um gancho para a próxima aventura.

Velozes & Furiosos 6 é lançado em 2013 e chega aproveitando o novo fôlego que Velozes e Furiosos 5: Operação Rio deu à franquia. Desta vez, Hobbs consegue fazer com que Dom, Brian e toda a equipe se reúna e o ajude a combater uma quadrilha de pilotos mercenários cujo líder Owen Shaw (Luke Evans) tem como seu braço direito uma desmemoriada Letty, ex-namorada de Dom que foi dada como morta. As cenas de perseguição agora vão parar nas ruas de Londres e, percebe-se, que não só os carros estão com cada vez mais personalidade, como também as sequências estão cada vez mais beirando à surrealidade, o que, de forma alguma, chega a ser um demérito. Muito pelo contrário! O alto nível de absurdo dá um tempero a mais para a franquia ter sua identidade ainda mais definida. E, para fechar com chave de ouro, a cena pós-créditos, não só amarra de vez todas histórias definindo a sequência de acontecimentos até aqui, onde os eventos de Velozes & Furiosos: Desafio em Tóquio passam a acontecer entre Velozes & Furiosos 6 e Velozes & Furiosos 7, como também deixa o gancho introduzindo o vilão Deckard Shaw (Jason Statham) do filme seguinte.

Tudo parecia ir muito bem para a franquia Velozes e Furiosos, porém, um acontecimento em especial acaba fazendo com que todos os planos para ela sejam revistos: a morte trágica do ator Paul Walker num acidente de carro em 2013. A tragédia ocorreu no intervalo das filmagens de Velozes & Furiosos 7 que só chegou aos cinemas em 2015. Em muitas das cenas que faltavam ser filmadas de Brian O’Conner, usaram os irmãos do ator como dublê de corpo com o rosto de Paul modelado em 3D e inserido por computação gráfica na pós-produção. Quando não era isso, eram cenas onde o rosto de Brian ficava coberto, seja por sombras, ou pelo próprio ângulo da câmera que não o mostrava. Nesta sétima aventura, Deckard Shaw busca vingança pelo que fizeram com seu irmão Owen e resolve matar cada membro da equipe de Dom. Em paralelo, entra na franquia o personagem Sr. Ninguém (Kurt Russell), um obscuro agente do governo que deixa o tom de galhofa ainda mais evidente no filme. Sr. Ninguém pede ajuda à família Toretto para que roubassem o software terrorista chamado “Olho de Deus”, desenvolvido pela hacker Ramsey (Nathalie Emmanuel), para que não caísse nas mãos do terrorista Jakande (Djimon Hounson). Em troca, Sr. Ninguém os ajudaria a pegar Deckard Shaw. As cenas de perseguição agora são ambientadas em Dubai e nas ruas de Los Angeles, com direito a carros voando de um prédio para outro. Com roteiro de Chris Morgan e, agora, com direção de James Wan (Jogos Mortais e Invocação do Mal). O filme marca a despedida de Paul Walker e presta uma bela homenagem ao ator, porém, quebra o ritmo dos filmes anteriores não deixando ganchos nem cenas pós-créditos para uma sequência.

Muita expectativa rondava a produção de Velozes & Furiosos 8. A curiosidade era sobre como a franquia seguiria em frente agora sem um de seus protagonistas e a resposta chegou às telonas esta semana com a nova aventura de Dominic Toretto e sua turma. A história começa com ele e Letty curtindo sua lua de mel em Havana. Logo nos primeiros minutos de filme, já tem uma sequência de corrida pelas ruas da capital cubana que carrega o grau de absurdo característico das cenas de perseguição dos últimos filmes. Só esta primeira passagem já diz qual vai ser o tom do aventura daqui pra frente. Lá, Toretto é abordado pela ciber terrorista Cipher (Charlize Theron), que o faz mudar de lado deixando toda a sua equipe na mão durante uma missão convocada por Hobbs. Agora, Hobbs, Sr. Ninguém e toda a equipe se reúnem e passam a contar com a ajuda de Deckard Shaw, não só para encontrar Dom, como também derrotar Cipher cujo plano é simplesmente a dominação mundial. A galhofa das cenas de corrida, que agora são ambientadas não só em Havana como também nas ruas de Nova York e no congelado Mar de Barents e, se não bastassem o envolvimento de tanques e aviões nos filmes anteriores, agora também temos uma sequência de perseguição com um submarino nuclear russo como mostrada no trailer e outra envolvendo carros-zumbis (sim, isso mesmo que você leu), também fica presente nas sequências que não envolvem carros. A esculhambação passou a ser geral, o tom sério policial dos primeiros filmes ficou totalmente para trás para dar lugar ao real propósito da saga inteira: a diversão. Vale destacar aqui TODAS as cenas de diálogo entre Deckard Shaw e Luke Hobbs. Jason Statham consegue render mais risadas do que já rendeu na trilogia Os Mercenários, não só com sua interação com The Rock, que ficou ótima onde ambos se portam como dois meninos de 7 anos discutindo, como em um outro momento crucial do filme que não será mencionado aqui para evitar spoilers. Aliás, Dwayne Johnson também tem um momento impagável logo no início do filme onde ele faz um haka com as meninas do time de futebol de sua filha para intimidar as adversárias. Outra menção honrosa é a participação de Helen Mirren que, mesmo com poucos minutos de tela, deixa a sua marca na franquia.

A direção de F. Gary Gary e o roteiro de Chris Morgan nesta mais recente aventura da franquia, talvez numa tentativa de deixar de lado o impacto causado pela morte de Walker, deixaram a galhofa correr solta neste filme, bem mais que nos anteriores. Outra coisa bem perceptível nesse filme foi o quanto as coisas ficaram, digamos, maiores comparadas com os outros filmes. Uma simples perseguição de carros vem recebendo cada vez mais elementos a cada filme da franquia, envolvendo não só outros tipos de veículos como outras situações que são tão absurdas a ponto desta surrealidade virar a marca da diversão destes filmes. Justamente por isso, os rumores de que, no próximo Velozes & Furiosos, aconteça uma cena de perseguição no espaço, possa se tornar algo perfeitamente plausível para a franquia atualmente. O que vale são as derrapadas, o combustível queimado e as risadas.

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