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Aliados

Durante uma missão em Casablanca, Marrocos, o oficial de inteligência canadense Max Vatan (Brad Pitt) conhece Marianne Beauséjour (Marion Cotillard), integrante da Resistência Francesa. Eles fingem ser um casal para realizar o assassinato de um oficial nazista, e acabam se apaixonando um pelo outro. Quando conseguem concluir o objetivo, decidem viver juntos em Londres. O relacionamento falso se torna real e tudo parece bem na vida em família de Max e Marianne, até que anos mais tarde, eles são novamente sugados de volta para os horrores da guerra.

(Allied) – Drama. Estados Unidos, 2016.

De Robert Zemeckis. Com Brad Pitt, Marion Cotillard, Lizzy Caplan, August Diehl e Jared Harris. 2h04min. Distribuidora: Paramount Pictures. Classificação: 14 anos.

Nível Heroico

Aliados


Resenha – A Casablanca de Max e Marianne

Robert Zemeckis é notório por contar boas histórias em seus filmes, normalmente carregados de ideias, técnicas e efeitos grandiosos, impulsionados pelos avanços da tecnologia ao longo dos anos. Agora ele investe em uma história de espionagem na Segunda Guerra Mundial e novamente comprova sua capacidade para contar grandes histórias. Aliados é um filme de menor escala – se comparado à sua filmografia –, contido em sua forma e intenso no drama de época encabeçado pelas maravilhosas performances de seus dois protagonistas. Baseado em um roteiro original de Steven Knight, há certa clareza na estrutura do filme, como os três atos desenvolvendo diferentes tipos de tensão à medida que explora mais a fundo a relação entre Max e Marianne.

A abertura em Casablanca é uma referência deliciosa. O estranhamento no enlace entre dois desconhecidos atuando juntos em uma missão de guerra cria uma química essencial para que, depois de completado o objetivo, eles se tornem amantes. O tempo todo o filme joga com a emoção e a inteligência das questões que pairam sobre a união dos dois agentes. Ao vê-los tão cúmplices e tão comprometidos um com o outro, somos sugados para os anseios da história, e levados a acreditar que tudo está caminhando da melhor maneira para estes dois. Quando surgem dúvidas e intrigas estimuladas pelo terror da guerra, a crença de que eles estão no caminho certo continua forte, mesmo quando Max se envolve em uma investigação pessoal.

A história avança lentamente enquanto desenvolve os interesses de seus personagens, pela missão e um pelo outro, criando uma tensão necessária e intrigante. Ainda assim, os dois encontram a chance de construir empatia, com o público e um pelo outro, no momentos de calmaria. Mesmo quando estão em meio a uma tempestade de areia. Que bela cena.

O filme se torna mais ágil quando chega ao terceiro ato, dada a urgência das circunstâncias pelas quais os dois protagonistas são levados, culminando em um clímax inesperado e emocionante. Zemeckis mantém seu filme sempre em uma escala menor do que o habitual em dramas de guerra, impulsionando suas sequências mais pelos diálogos soturnos do que pela ação. Mesmo quando a ação acontece, é precisa e contundente. Granada no tanque. Disparos fatais e sem remorso. Dá até para lembrar do Brad Pitt Bastardo Inglório.

Aliados têm um fôlego surpreende para seus personagens, e ainda assim, se mantém bastante emocional. A fotografia de Don Burgess concede estilo único às cenas, pela forma como os elementos estão dispostos na composição de cenários, figurino e costumes durante os dias de guerra, e pela própria forma como as cenas estão inseridas individualmente para representar a ideia do filme. Entre os momentos marcantes, além da bela cena no deserto que citei acima, vale um destaque para momentos como o nascimento da filha de Max e Marianne durante um Blitzkrieg e a queda de um avião durante uma festa em casa que culmina em outro momento de emoção elevada no dia seguinte ao acidente.

Brad Pitt e Marion Cotillard se inserem perfeitamente no período da Segunda Guerra Mundial. Eles têm desempenhos tão fortes quanto a relação entre Max e Marianne, e possuem uma complexidade cativante em suas atuações. Pitt é mais frio, reservado, de nervos controlados mesmo quando precisa lidar com as piores coisas da guerra. Cotillard é mais enigmática, tão envolvente quanto desafiadora em seus jeitos e suas intenções. Esse contraponto entre os dois nos mantém o tempo todo tentando adivinhar o que virá a seguir. Mexe com nossas emoções. Essas são as forças da história. O suspense. O imprevisível dos tempos de guerra. O não saber o que vai acontecer. Pensar em Kubrick ou Hitchcock não é exagero. Zemeckis é conhecido justamente por experimentar gêneros e estilos diferentes em seus filmes, e sua primeira incursão na Segunda Guerra Mundial é um feito valoroso. Facilmente alinhado com alguns dos grandes clássicos do cinema.

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