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Frida Kahlo: Para Que Preciso de Pés Quando Tenho Asas Para Voar?

O triângulo amoroso entre Frida Kahlo, Diego Rivera e Leon Trotsky é um dos mais famosos do século XX. Nesta HQ, é contado com drama e bom humor, centrado na figura da artista mexicana, que começava a despontar para o mundo.

(Frida Kahlo: Pourquoi Voudrais-je des Pieds Puisque j’ai des Ailes Pour Voler?) – Drama. Bélgica, 2015.

De Jean-Luc Cornete e Flore Balthazar. Com Frida Kahlo, Diego Rivera, Leon Trotsky, Natalia Ivanovna Sedova, Cristina Kahlo, André Breton, Ramón Mercader. Editora Nemo. 128 páginas.

Nível Exemplar

Frida Kahlo


Resenha – Frida Kahlo

Uma graphic novel com figuras históricas sempre corre o risco de cair no didatismo forçado, como se a principal função de uma HQ fosse ser educativa. Felizmente não é o caso de Frida Kahlo: Para Que Preciso de Pés Quando Tenho Asas Para Voar?, que consegue retratar de forma bem dinâmica a conturbada relação da protagonista com seu marido Diego Rivera e seu amante Leon Trotsky.

Trata-se de três figuras históricas marcantes do século XX, mas o roteiro consegue ter a leveza necessária para retratar seus dramas enquanto indivíduos. A amizade e a admiração do pintor mexicano para com o revolucionário russo começa intenso, mas como muitas vezes acontece, o convívio acaba por afastar as pessoas. O romance de Frida e Trotsky também segue essa toada. No início, a paixão pelo proibido os aproxima, mas aos poucos a relação também vai se desgastando, devido ao sentimento de culpa e de cumprimento do dever do líder da Revolução de Outubro.

O roteiro possui bons diálogos, e muito bom humor. Contudo, de vez em quando, escorrega no caricato, como nas diversas piadas envolvendo Diego e comida, ou na necessidade de mostrar Frida tendo relações sexuais com praticamente todo o elenco masculino. Mesmo sendo características próprias, a insistência nessa demonstração acaba por tirar um pouco da força dos personagens, embora não a ponto de prejudicar seriamente a leitura.

O interessante é que a política está presente em toda obra, como não poderia deixar de ser, mas o objetivo dos autores não é a doutrinação. Ao contrário, há espaço para as discussões de ideias entre todos os personagens. Interessa mais como isso se reflete em cada um, e como os fazia se mover em relação às suas próprias vidas.

Também não é o escopo da obra contar a biografia de cada um deles. A ação é bem delimitada entre 1937 e 1940, período em que Trotsky chega ao México e é assassinado.

Entre os personagens secundários, destaque para André Breton e suas eternas polêmicas, bem como para Ramón Mercader, o misterioso assassino de Trotsky.

Impossível não lembrar do romance O Homem que Amava os Cachorros, de Leonardo Padura. Ambos abordam os mesmos personagens e até o mesmo período histórico, embora no caso de Padura seja apenas em parte do livro. Mas as preocupações são diversas. Enquanto Padura tenta entender os rumos das revoluções socialistas (incluindo aí Cuba), na HQ, a preocupação é maior com os indivíduos. Nesta, inclusive, o foco fica muito mais em Frida, que começava a fazer exposições e ter seu nome conhecido no mundo da arte. Além disso, Frida e Diego eram coadjuvantes no romance de Padura, e aqui assumem o protagonismo da história.

Além de uma boa HQ, esta graphic novel pode servir ainda como boa introdução para quem quer conhecer essas personalidades históricas. Através de seus diálogos, comportamentos e interações, dá para ir construindo o microcosmo em que viviam, e assim entender as atitudes que tomaram. Mais do que figuras dos livros de histórias, foram seres humanos, e neste sentido estão muito bem retratados na obra. Ao final, fica aquela sensação boa de que são pessoas que gostaríamos de ter conhecido.

Frida Kahlo: Para Que Preciso de Pés Quando Tenho Asas Para Voar? Rafael Monteiro
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