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Desventuras em Série

Após a morte repentina e misteriosa dos pais em um incêndio, os irmãos Violet, Klaus e Sunny Baudelaire ficam órfãos e começam a ser perseguidos pelo Conde Olaf, um ator charlatão que na verdade só tem interesse na herança deles.

(A Series of Unfortunate Events) – Aventura. Estados Unidos, 2017.

De Daniel Handler. Com Neil Patrick Harris, Patrick Warburton, Malina Weissman, Louis Hynes, Presley Smith, Will Arnett, Cobie Smulders, Joan Cusack, Aasif Mandvi, Catherine O’Hara e Alfre Woodard. Netflix. 08 episódios. 50min.

Nível Exemplar

Desventuras em Série


Primeira Temporada – O suplício dos irmãos Baudelaire

“É melhor não olhar”. Se você procura finais felizes, não é em Desventuras em Série, nova produção da Netflix, que você vai encontrar. E se por algum momento você tiver um fio de esperança enquanto assiste… Bom, aí é com você mesmo.

O narrador Lemony Snicket, vivido por Patrick Warburton, nos fala isso o tempo todo. Desventuras em Série é uma adaptação dos 13 livros escritos pelo próprio Lemony, que é pseudônimo do autor Daniel Handle, também responsável pelo roteiro da série – que segue fielmente o enredo literário. – Em 2004, a história dos irmãos Baudelaire virou filme, com Jude Law como o narrador, Jim Carrey como Conde Olaf e Meryl Streep como tia Josephine. Apesar do elenco de peso, há quem diga que o filme não foi uma boa produção. Eu, particularmente, não concordo.

Quando uma história tem três versões – livro, filme e série – é impossível não fazer comparações entre eles. Mas é claro que é bom compreender que cada narrativa tem sua especificidade, logo, não tem como achar que as três versões da desafortunada vida dos Baudelaire serão totalmente iguais, certo? Partindo disso, podemos seguir em frente tendo em mente que esta é a razão de ser chamado adaptação. Claro que, como o próprio autor dos livros é o responsável pelo roteiro da série, a fidelidade à obra original é algo muito bom.

Assim como nos livros, o elemento que move a trama é a luta dos irmãos Baudelaire para escapar do Conde Olaf. Ele arma mil situações para ficar com a guarda deles e consequentemente, com a fortuna da família: desde se fantasiar de inúmeros personagens até matar os novos tutores dos Baudelaire. Isso mesmo. Matar. Quando assisti ao filme, tinha 10 anos e já achei meio inapropriado para uma história infanto-juvenil. Hoje continuo achando, mas agora vejo melhor as críticas feitas pelo autor, especialmente à questões sobre o sistema de adoção e como ele pode dar errado da pior maneira possível. Os questionamentos do autor são tão sutis que o espanto de tantos eventos ruins com as mesmas crianças, às vezes, nos impede de perceber estes detalhes que a história trabalha sobre a sociedade e as noções de moralidade.

A primeira temporada tem oito episódios e cada dois episódios é responsável por contar um dos livros da saga. No filme e na série, os eventos do casamento, da Sala dos Répteis e do Lago Lacrimoso estão presentes e são mostrados de formas parecidíssimas, quase não parece que há algum tipo de diferença, por menor que seja, nas duas versões; a única diferença é que estão na narrativa em ordens distintas. O único evento que é novidade na série é o da madeireira. Mas se o próprio Lemony disse que é melhor assistirmos à outra coisa, não preciso nem dar spoiler dessa parte, certo?

Em relação ao filme x livro: enquanto no filme o Conde Olaf interpretado por Jim Carrey era caricato e com certo tom de deboche – que na minha opinião se encaixou perfeitamente no enredo –, o Conde Olaf da série, vivido por Neil Patrick Harris, cansa. As características do personagem continuam as mesmas: todo mundo sabe que ele é vilão, mas de alguma forma, o eterno Barney de How I Met Your Mother não entrega o que era esperado. Apesar de Harris estar bem no papel do vilão, o que mais chama a atenção é a atuação dos atores mirins: Malina Weissman, a Violet; Louis Hynes, o Klaus; e Presley Smith, a bebê Sunny. Os três são super entrosados e até parecem irmãos de verdade! Outra coisa a ser destacada é a presença de atores negros, já que no filme não vemos isso. Considerando o tempo entre a produção do filme e da série, podemos perceber uma diferença de pensamento na época do filme e hoje em dia, quando é mais que necessário a presença de todos no audiovisual.

No filme, figurino, efeitos (apesar de ser um filme lançado há 13 anos) e cenários são um pouco mais sombrios, o que ajuda bastante na narrativa. Na série, o apelo é muito mais teatral. Os cortes, os cenários e até mesmo a forma como Lemony Snicket narra a história fazem com que a produção tenha uma pegada meio Moonrise Kingdom, com um narrador o tempo todo presente e frisando que provavelmente há outras histórias melhores para serem assistidas, o que convenhamos acabou sendo um excelente marketing da Netflix durante a promoção da série. Literalmente.

O problema de os espectadores serem o tempo todo avisados que não há final feliz é que o enredo fica repetitivo. No filme, o narrador de Jude Law faz o mesmo, mas não de forma tão cansativa. Na série, o sofrimento dos órfãos Baudelaire aumenta três vezes e, quando achamos que vai melhorar, vem aquele balde de água fria para lembrar que felicidade nessa história… Já sabe, né?

Mas o ponto positivo é que agora há um desenvolvimento mais aprofundado sobre a Sociedade Secreta da qual os pais das crianças faziam parte, e que os tutores Dr. Montgomery Montgomery (Aasif Mandvi) e Tia Josefine (Alfre Woodard) não são escolhidos ao acaso: eles eram dessa mesma sociedade e guardam vários segredos que os órfãos nunca conseguem descobrir porque o Conde Olaf sempre chega com um plano maligno para acabar com a possibilidade de Violet, Klaus e Sunny descobrirem a verdade. E o ponto negativo é que os adultos são cegos (e burros) e nunca percebem que o Conde Olaf disfarçado está se aproximando até ser tarde demais. Adultos sempre vendo em “preto e branco”. Figurativamente falando.

Agora o que temos a fazer é esperar a segunda temporada (e uma possível terceira), que Daniel Handle disse já ter planos para desenvolver, para descobrirmos quais são os segredos e ligações que essa sociedade secreta têm para afetarem tanto a felicidade dos irmãos. Até porque, dá muita vontade de dar um abraço neles e falar que “de alguma maneira vai ficar tudo bem, ok?” Mas com tantos alertas, é bom não esperarmos por isso.

Desventuras em Série

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Desventuras em Série

Desventuras em Série Nycole Reif
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  • Danielly Sampaio

    Po muito boa essa séria, comecei a vê semana passada. super recomendo!!

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