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Globo de Ouro 2017 – A vitória de La La Land e Meryl Streep

Globo de Ouro 2017

Astros do cinema e da televisão se reuniram na noite do último domingo para a 74º edição da entrega do Globo de Ouro, primeira grande noite da temporada de prêmios. Dentre os vencedores, um se destacou: o aclamado La La Land. O filme de Damien Chazelle levou para casa todos os sete dos prêmios para os quais foi nomeado: Melhor Filme (Comédia ou Musical), Melhor Ator (Ryan Gosling), Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Roteiro e Melhor Diretor (Damien Chazelle), Melhor Trilha Sonora (Justin Hurwitz), Melhor Canção original (“City of Stars”).

O feito é uma quebra de recordes para o Globo de Ouro, com mais vitórias do que os recordistas anteriores, O Expresso da Meia-Noite (1978) e Um Estranho no Ninho (1975). Cada um tinha seis vitórias em uma mesma noite de premiação. A conquista de La La Land não é surpresa, uma vez que o filme fez bastante sucesso na estreia nos Estados Unidos e vem recebendo muitos elogios. O filme vem arrebatando público e crítica, assim como arrebatou a premiação.

Outro grande vencedor foi Moonlight, que ganhou apenas um prêmio, mas um grande prêmio: o Melhor Filme de Drama. Essa é uma grande conquista para o filme, uma história de baixo orçamento sobre um jovem negro gay crescendo em Miami, que nem sempre consegue destaque nas premiações.

O apresentador deste ano, Jimmy Fallon, iniciou os trabalhos com um número de abertura em referência à abertura de La La Land, cantando junto de Nicole Kidman, Amy Adams e vários outros. No fim ele abriu com uma alfinetada: “Este é o Globo de Ouro, um dos poucos lugares onde a América ainda honra o voto popular.”

Apesar desta e de uma ou outra boa sacada no humor, Fallon não foi feliz nas piadas com política, e demonstrou pouca desenvoltura para conduzir a cerimônia. O que me fez lembrar várias vezes da apresentação de Tina Fey e Amy Poehler, até hoje saudosa e insuperável. Em um dos momentos mais hilários da noite, aliás, Steve Carell e Kristen Wiig apresentaram juntos a categoria de Melhor Filme de Animação. Os dois mostraram química e humor afiado, e já atuaram juntos dublando a animação Meu Malvado Favorito. Eles seriam ÓTIMAS opções para anfitriões em futuras premiações do Globo de Ouro. Seria incrível se a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (Hollywood Foreign Press Association, HFPA) pensasse nisso para o ano que vem.

Fallon, na verdade, ficou em segundo plano numa noite marcada por grandes discursos de vencedores dos prêmios.

Meryl Streep, aos 67 anos, recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille em honra às suas contribuições relevantes para o mundo da arte e do entretenimento. Inestimável (ela) e merecido (o reconhecimento).

Viola Davis subiu ao palco para homenageá-la com um discurso emocionante, sendo seguida por um vídeo maravilhoso com uma montagem dos 40 anos de Streep na tela, 30 indicações ao Globo de Ouro e oito vitórias. Streep, emocionada, pediu desculpas por ter perdido a voz antes da cerimônia e por possivelmente lhe falhar a memória com o que tinha para dizer. E o que se seguiu foi um discurso emocionado sobre a importância de respeitar o próximo e a diversidade, em que ela citou vários dos atores importantes da indústria cinematográfica que estavam na cerimônia e não eram naturais dos Estados Unidos. O discurso questionava as posturas do Presidente eleito Donald Trump contra os estrangeiros, os artistas, as minorias e os jornalistas. Se quiser ver ou rever o discurso, clique para assistir ao vídeo.

“Desrespeito convida desrespeito”, ela disse. “Quando os poderosos usam sua posição para intimidar os outros, todos nós perdemos.” Streep então pediu uma imprensa com coragem para manter os poderosos responsáveis por seus atos. Em tempos de um Presidente eleito que incita a intolerância e pessoas que se sentem livres para agir com ódio por ter um homem com estas atitudes erradas no poder, as palavras de Streep são forças de inspiração que devem ser ditas e ouvidas muitas e muitas vezes. O que estamos precisando hoje em dia, mais do que nunca, é de compreensão e respeito.

Streep terminou com um tributo a Carrie Fisher, lembrando de um conselho que a atriz lhe tinha dado no passado: “Pegue seu coração partido e transforme em arte.”

Deixo aqui o vídeo com o discurso para ver e rever. O que marca geralmente nestas cerimônias da temporada de premiações são exatamente estes discursos que vêm dos ganhadores, que buscam nos lembrar da importância de respeitarmos uns aos outros. Algo tão simples, mas que parece estar caindo no esquecimento. Com mulheres como Mery Streep e Viola Davis crescendo arrebatadoras já no Globo de Ouro, podemos esperar por uma entrega de Oscar para abalar as emoções do mundo.


CINEMA

Filme, Drama: Moonlight.

Atriz, Drama: Isabelle Huppert; Elle.

Ator, Drama: Casey Affleck; Manchester à Beira Mar.

Diretor: Damien Chazelle; La La Land.

Filme, Musical ou Comédia: La La Land.

Ator, Musical ou Comédia: Ryan Gosling; La La Land.

Atriz, Musical ou Comédia: Emma Stone; La La Land.

Ator Coadjuvante: Aaron Taylor-Johnson; Animais Noturnos.

Atriz Coadjuvante: Viola Davis; Cercas.

Filme de Animação: Zootopia.

Filme Estrangeiro: Elle (França).

Roteiro: Damien Chazelle; La La Land.

Trilha Sonora Original: Justin Hurwitz; La La Land.

Canção Original: “City of Stars” (música de Benj Pasek and Justin Paul); La La Land.


TELEVISÃO

Série, Drama: The Crown.

Ator, Drama: Billy Bob Thornton; Goliath.

Atriz, Drama: Claire Foy; The Crown.

Série, Musical ou Comédia: Atlanta.

Atriz, Musical ou Comédia: Tracee Ellis Ross; Black-ish.

Ator, Musical ou Comédia: Donald Glover; Atlanta.

Minissérie ou Filme: The People v. O.J. Simpson: American Crime Story.

Atriz, Minissérie ou Filme: Sarah Paulson; The People v. O.J. Simpson: American Crime Story.

Ator, Minissérie ou Filme: Tom Hiddleston; The Night Manager.

Atriz Coadjuvante, Série, Minissérie ou Filme: Olivia Colman; The Night Manager.

Ator Coadjuvante, Série, Minissérie ou Filme: Hugh Laurie; The Night Manager.

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