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Guerra do Velho

Guerra do Velho

Nível Exemplar

Uma ideia intrigante

(Old Man’s War) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2005. De John Scalzi. Com os personagens John Perry, Thomas, Jessie, Harry, Susan, Maggie, Alan e Jane Sagan. Editora Aleph. 368 páginas.

John Scalzi é um escritor nativo dos EUA, ganhador do prêmio Hugo, que finalmente é publicado no Brasil. A estreia não poderia ser com outro livro senão Guerra do Velho, romance de estreia que o tornou famoso. Fama totalmente justificada, pois se trata de uma história ágil, envolvente e bem-humorada, que finalmente poderá ser apreciado pelo público brasileiro.

O protagonista é John Perry, publicitário aposentado que se alista nas Forças Coloniais de Defesa (FDC), órgão militar responsável pelo combate com outras raças alienígenas, defendendo as colônias terráqueas espalhadas por toda a galáxia. São recrutados apenas pessoas que completam os 75 anos, sendo o grande atrativo para eles o fato de que ganharão novos corpos e voltarão a possuir juventude. Mas isso acaba sendo um tiro no escuro, uma vez que a FDC não atua na Terra, e nenhum recruta tem ideia do que esperar da nova vida em que ingressam.

O livro é dividido em 3 partes. Na primeira, vemos o treinamento dos novatos. Na segunda, acompanhamos John Perry em diversas batalhas contra os alienígenas. Finalmente na terceira, John ingressa numa missão que pode literalmente definir a sobrevivência da FDC contra uma das principais raças inimigas da Terra.

As cenas de ação são bastante fluidas e emocionantes. Scalzi consegue elaborar um clima que deixa o leitor inseguro sobre quem conseguirá ou não sobreviver. E não duvide, isto é guerra, e personagens irão perecer em combate.

O tempero do livro, contudo, é o bom humor. Não há momentos hilários, mas o sarcasmo do protagonista é muito bem trabalhado, garantindo umas boas risadas. O destaque nesse sentido sem dúvida é o treinamento. Os idosos que voltam a ser jovens e resolvem aprontar novamente garantem bons momentos, e acaba sendo uma grande ferramenta para o desenvolvimento de personagens.

O livro é o primeiro de uma série que, até o momento, possui seis romances e alguns contos já publicados. Mas sua história é fechada e pode ser lido perfeitamente sem necessidade de adquirir os demais.

Scalzi tem a preocupação apenas de contar uma boa história, e nisso é muito bom. Mas não espere do livro alguma crítica social contra os horrores da guerra. Por outro lado, também não faz ode ao militarismo. Seu grande tema na verdade é sobre recomeços, e o quanto se está disposto a abrir mão de tudo por uma segunda chance. Esse subtexto é o que dá profundidade aos personagens, e enriquece bastante a obra.

Guerra do Velho

O romance tem como influência assumida o livro Tropas Estrelares de Robert Heinlein. Contudo, o fato dos recrutas serem já idosos faz a diferença. Talvez por isso que a primeira parte do livro seja a mais interessante, pois vamos descobrindo o novo mundo pelos olhos de alguém com experiência de vida. Essa mudança do ponto de vista tradicional do herói de aventuras traz elementos interessantes para a narrativa.

O livro ainda é muito bem escrito. Sem gorduras, tudo que está lá tem um bom motivo ou função. Ainda é uma leitura ágil, o que o torna aquele tipo de leitura que não dá vontade de parar até o leitor perceber que o livro terminou.

O mercado brasileiro de ficção científica literária até pouco tempo atrás estava preso aos mesmos nomes clássicos de sempre. É muito bom ver finalmente um material um pouco mais novo chegando aos leitores brasileiros. Autores como John Scalzi, Jeff VanderMeer e China Miéville são já consagrados no exterior, mas ainda eram ilustres desconhecidos para a maioria em terras tupiniquins. É legal ver essa mudança chegando, e esperemos que seja algo para ficar.

Guerra do Velho Rafael Monteiro
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