Cinema

Zetsuen no Tempest

Hakaze Kusaribe é a princesa e líder de uma família de magos dedicada à proteção da Árvore do Gênesis desde tempos ancestrais. Até o dia que Samon Kusaribe tenta ressuscitar a Árvore do Êxodo, que se opõe à Árvore do Gênesis e controla o poder da destruição. Para realizar seus planos, Samon prende Hakaze em um barril e a abandona em uma ilha deserta, de onde ela envia uma mensagem que é encontrada por Mahiro Fuwa. Ele deseja se vingar da pessoa que matou sua irmã, Aika, e concorda em ajudar Hakaze sob a promessa de que ela usará sua magia para encontrar o assassino da irmã. Mas as coisas tomam rumos inesperados quando Yoshino Takigawa, melhor amigo de Mahiro e secretamente namorado de Aika, é resgatado de uma situação de perigo e acaba envolvido nesta história de traição e vingança.

(Zetsuen no Tempest) – Fantasia. Japão, 2012.

De Masahiro Ando e Mari Okada. Baseado na obra de Kyo Shirodaira. Com os personagens Mahiro Fuwa, Yoshino Takigawa, Hakaze Kusaribe, Aika Fuwa, Samon Kusaribe e Megumu Hanemura. Estúdio Bones. 24 episódios. 30min.

Nível Exemplar

Zetsuen no Tempest


Resenha – O colapso da civilização

Zetsuen no Tempest é um anime peculiar. Mesmo quando explora aspectos óbvios de gênero, há momentos de exploração de cotidiano, comédia de harém e até mesmo ação de super-heróis. Mas em vez cair nos problemas típicos, desafia os rótulos com uma rebeldia que deve ser respeitada. Isso é uma coisa boa. Às vezes é satisfatório acompanhar um anime que não se perde nas explorações intermináveis de suas próprias ambições a ponto de se tornar uma paródia de seu próprio enredo, cenário e clichês. Zetsuen no Tempest não está completamente livre disso, mas mesmo em seus momentos de falha, ele se sai bem na construção de sua referência shakespeariana.

Uma das melhores coisas do anime é que ele usa alegremente e abertamente temas e tópicos de algumas das maiores peças de Shakespeare e até discute esses elementos com citações diretas às peças dentro do contexto da trama. Os temas de vingança e perdão são comparados à Hamlet e A Tempestade, levando a uma comparação entre os finais destas peças e a ideia, respectivamente, de abraçar a tragédia ou evitar a tragédia. É comum que tema tão ambiciosos e interessantes se percam em roteiros perdidos e mal desenvolvidos. Mas não é o caso aqui, e como amante de Shakespeare, isso me deixa imensamente feliz.

Zetsuen no Tempest tem problemas, claro. Alguns, inclusive, envolvendo escolhas do roteiro depois que a situação com Hakaze é resolvida. Dentre os problemas estão a forma como os eventos são espalhados pela série, de forma tão desequilibrada e insatisfatória que afeta o bom andamento da história em alguns momentos. Momentos dramáticos como o confronto entre Samon e Yoshino são desnecessariamente esticados ao ponto de uma conversa intensa entre inimigos se tornar um pouco constrangedora por se estender demais em elucubrações desnecessárias. A impressão que dá é que esticaram ao máximo os fatos para: render um pouco mais o anime e/ou evitar que o desfecho do fato viesse rápido demais, que é quase como colocar um filler no enredo – e isso raramente é bom. – Isso acontece em alguns outros momentos, o que muitas vezes torna alguns dos personagens secundários irrelevantes para o todo.

Mas apesar dos problemas, ainda há muito no anime a se recomendar. E seus méritos, sem dúvida, superam suas falhas. Principalmente no que diz respeito aos personagens. Mahiro, Hakaze e Yoshino são bem desenvolvidos, construídos com profundidade e sem deixar pontas soltas em suas intenções e relacionamentos. Eles possuem personalidades cativantes e repletas de camadas. A cada episódio, queremos desbravar e conhecer mais e mais sobre eles. Hakaze possui inteligência e confiança dentro de sua missão como maga, mas é ingênua e tímida com seus sentimentos e coisas que estejam fora de seu controle. Mahiro é esquentado e impulsivo, mas mostra inteligência e prudência enquanto busca vingança pela morte da irmã. Yoshino cria um contraponto para Mahiro com seu jeito introspectivo e contemplativo, ao mesmo tempo que isso faz dele uma incógnita constante dentro dos acontecimentos da trama. A conexão entre os três – e Aika, irmã de Mahiro – é natural e nos desperta simpatia. Eles basicamente sustentam o anime.

A música acrescenta peso adicional aos momentos que vão crescendo e ganhando mais contornos ao longo da história. As aberturas auxiliam neste impacto, especialmente a primeira, “Spirit Inspiration” da Nothing’s Carved in Stone, que é facilmente uma das minhas músicas preferidas atualmente (a banda também). O visual também é fantástico. Os elementos de ação e fantasia são grandiosos, bem articulados e maravilhosamente realizados pelo sempre competente estúdio Bones. O sistema de magia, que retira energias da Árvore do Gênesis através do consumo de itens cotidianos, é criativo e coerente, de dar orgulho em grandes escritores de fantasia como Ursula K. Le Guin e Brandon Sanderson.

O confronto supracitado entre Samon e Yoshino é um dos momentos altos do anime e um ponto chave na história ao revelar uma reviravolta impressionante no drama de Hakaze. A própria revelação da verdade por trás da morte de Aika é impressionante e faz valer cada mistério criado ao redor da personagem. Zetsuen no Tempest funciona justamente por seu enredo bem desenvolvido, de temática forte e de reviravoltas que não são tão fáceis de prever. O elemento shakespeariano nos atrai com ainda mais vigor para esta saga de amor, vingança e perdão.

Zetsuen no Tempest

Zetsuen no Tempest

Zetsuen no Tempest

Zetsuen no Tempest Alan Barcelos



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  • Konata Yuki

    apesar de algumas coisas eu amo esse anime demaisss

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