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Os Transformers da Estrela

Os Transformers da Estrela

Uma coisa que as gerações mais novas nunca irão entender é que já existiu um mundo sem internet. A disponibilidade e o acesso à informação não era tão vasto e fácil como é hoje. O que tínhamos era o que os meios de comunicação tradicionais como TV, rádio e mídia impressa nos oferecia. Quando o assunto era o mercado de brinquedos, ficávamos limitados ao que os grandes fabricantes da época jogavam no mercado. Tanto é que qualquer brinquedo importado, normalmente trazido por algum amigo ou parente que viajou ao exterior (o que, naquela época, também não era algo tão acessível como é hoje), se tornava o assunto do dia durante a hora do recreio. Tal situação era bem refletida com os Transformers lançados no Brasil.

A Estrela Brinquedos lançou em maio de 1985 (conforme já dissemos aqui) a linha Transformers no Brasil. O licenciamento que a empresa fez com a Hasbro não permitia o uso da logo oficial da franquia Transformers, muito menos, as logos das facções. Além disso, como, nesta época, a série animada, os livros e revistas em quadrinhos ainda não haviam sido lançados, não houve nenhum tipo de preocupação em alinhar os brinquedos com essas mídias para as crianças associarem aos personagens e comprarem os itens. Com isso, a linha brasileira dos Transformers é praticamente um “frankenstein” misturando personagens da série oficial com brinquedos de outras linhas que sequer tinham relação com a mitologia dos robôs cybertronianos mas que, por se tratarem de carros que viram robôs, era o suficiente para ser considerado um Transformer aos olhos da Estrela.

A linha inicial dos Transformers da Estrela era composta por quatro tipos de robôs: os Robocars, os Saltman, os Bat-Robôs e os Eletrix. Os Robocars e os Saltman, das quatro categorias, eram os únicos personagens que eram, de fato, Transformers, porém, ao serem lançados no Brasil foram reduzidos a meros personagens genéricos com fichas técnicas traduzidas dos robôs que serviram de molde para eles.

Os Robocars eram compostos pelos seis robôs que a linha americana chamava de Minibots e representavam os personagens Bumblebee, Cliffjumper, Gears, Brawn e Windcharger e foram lançados aqui como Robocar Volks, Robocar Carrera, Robocar Pick-Up, Robocar Jipe e Robocar Camaro, respectivamente. O sexto personagem é a grande particularidade desta série, pois, se tratava de um robozinho cujo molde foi lançado na linha Microman da Takara no Japão (uma das linhas de brinquedos que serviu de base para os Transformers), porém, nunca foi lançado oficialmente pela Hasbro, apesar de ter sido vendido no mercado americano um lote deste personagem com a cartela do Cliffjumper, vacilada que a própria Hasbro nunca conseguiu explicar como aconteceu. O tal robozinho em questão foi lançado aqui como Robocar Sedan e ele fez do Brasil o único país do mundo a tê-lo como personagem oficial da linha Transformers na época. Outra grande particularidade da série Robocar é que, cada um destes seis robozinhos, foi disponibilizado com dois esquemas de cores cada, totalizando doze opções de personagens da linha Robocar, sendo que várias destas opções de cores também foram lançadas apenas no Brasil.

Os Transformers da Estrela

Outros personagens que foram lançados aqui usando modelos dos Transformers originais foram os Saltman, movidos à fricção em suas formas alternativas que, quando os soltávamos, eles vinham rodando e, em determinado momento, davam uma cambalhota no ar parando em pé na forma de robô. Os Saltman nada mais são do que os Autobots Top Spin e Twin Twist conhecidos como Jumpstarters, entretanto, vinham com dois esquemas de cores diferentes para cada modelo e se chamavam Saltman Z e Saltman X, respectivamente.

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Ao contrário das séries anteriores, os Bat-Robôs não são personagens oficiais da linha Transformers. Na verdade, os moldes são de uma linha chamada Powertrons lançada pela empresa japonesa Fujisho. Nos Estados Unidos, foram lançados pela Ertl como Pow-R-Trons. Os Bat-Robôs possuíam dois modelos, Turbo e Pick-Up (originalmente lançados como Turboid e Distroid pela Fujisho) e tinham uma mecânica parecida com a dos Saltman, só que em vez de darem cambalhotas no ar, eles precisavam “bater” de frente em uma parede para se transformar em robô. Assim como os Saltman, cada modelo foi disponibilizado com dois esquemas de cores diferentes. Curiosamente, na mesma época em que foram lançados pela Estrela, uma de suas maiores concorrentes na ocasião, a Glasslite, lançou os mesmos robôs na linha Mutante, concorrente direta dos Transformers, batizando os de Crashtron, onde o Turbo se chamava Turborg e o Pick-Up se chamava Blocker. Cada um com outros dois esquemas de cores diferentes, mais legais até que os da Estrela, na minha opinião.

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A linha Transformers brasileira também tinham os robôs chamados Eletrix, que consistiam em três modelos (Jipe, Esporte e Porsche nas cores azul, vermelho e preto, respectivamente) que se transformavam de carro para robô e vice-versa através de um controle remoto alimentado por duas pilhas AA e ligado aos carrinhos através de um fio. Os Eletrix, originalmente, são itens de uma linha de brinquedos japonesa chamada Remote Change Robo Series lançada pela empresa Yonezawa Toys. Ao contrário das séries anteriores, os Eletrix eram disponibilizados apenas com um esquema de cor cada, apesar de existirem rumores não confirmados de que o Eletrix Esporte também foi vendido na cor preta.

Os Transformers da Estrela

Já em 1986, com a série animada sendo exibida na TV e as crianças da época já sabendo a diferença entre um Autobot e um Decepticon, a Estrela, que vinha perdendo terreno para as linhas concorrentes Mutantes da Glasslite e os Converts da Mimo, teve que reagir. Como já mencionado antes, o licenciamento feito pela Estrela não envolvia o uso das insígnias e o nome das facções dos Transformers na linha de brinquedos, daí lançou no mercado a série Optimus x Malignus, que, nada mais eram do que os Robocars, com mais duas outras opções de cores cada (boa parte delas até exclusividade do mercado brasileiro) e, agora, divididos em facções, cada uma com uma insígnia criada exclusivamente para esta linha: Volks, Carrera e Sedan para o lado dos Optimus e Pick-Up, Jipe e Camaro para o lado dos Malignus. Os nomes das facções são baseados nas designações receberam nas publicações brasileiras, no caso, os Optimus representavam os Autobots e os Malignus são os Decepticons. Com exceção de um jogo de tabuleiro, nenhum outro item foi lançado na linha Transformers da Estrela após os Optimus x Malignus e, se for para colocar os motivos disso, seria mera especulação de minha parte.

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Graças a estas particularidades da linha brasileira, colecionadores de Transformers do mundo todo olham os robozinhos da Estrela com respeito e a consagração disto respeito veio em 2008 com a inclusão dos Malignus Jipe, Camaro e Pick-Up, além do Bat-Robô Turbo no universo expandido do Transformers Collector’s Club na história Withered Hope. No ano seguinte, os personagens Volks, Carrera, Sedan e Furão (nome brasileiro dado ao Bumblebee nos quadrinhos nacionais), não só fizeram aparições em diversos episódios da série Transformers Animated, como foram inclusos oficialmente na mitologia da série como personagens distintos no livro Transformers Animated: The Allspark Almanac II. Estes personagens em Transformers Animated foram inspirados no Optimus Volks laranja, Optimus Carrera azul, Robocar Sedan branco e no Robocar Volks amarelo. Quem iria imaginar que aqueles robozinhos que ocupavam as prateleiras das lojas brasileiras fariam sucesso mundial até hoje?

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  • Marcus Valerio XR

    Prezável, talvez você então possa me esclarecer melhor uma coisa. Então a decisão de mudar os nomes das facções e dos personagens deveu-se a falta de direitos de uso, não? Mas já alguma explicação para escolhas tão estranhas de nomes, como chamar o Starscream de ‘Cometa’ ou o Optmus Prime de ‘Supremus Absolutus’? Isso se deveu apenas a péssima inventividade ou há alguma explicação relacionado a possíveis nomes alternativos em outros países?

    E porque essa confusão permaneceu por tanto tempo nos quadrinhos mesmo com a série animada usando os nomes originais no Brasil?

    Obrigado desde já e parabéns pelo ótimo texto.

    • http://apertastart.com.br/ Helder Jaguarhx Chaves

      Creio eu que essas traduções nem foram feitas pela Estrela e sim pela tradutora e publicadora dos quadrinhos oficiais na época. Essas traduções de personagens de língua inglesa para versões loclaizadas em português eram comuns no Brasil até meados dos anos 80 e início dos anos 90. As crianças da época NÃO tinham tanto acesso a língua inglesa, como é hoje, e muitas das empresas que publicavam quadrinhos e animações no Brasil, também NÃO entendiam muito do inglês ou subestimavam a capacidade do público em entender palavras em inglês. Veja o caso de muitos personagens da Marvel e da DC que, muitas vezes, tinham até duas versões diferentes de nome no Brasil. O primeiro Flash da DC se tornou ”Joel Ciclone” e o Flash 2Barry Allen era chamado de ”Relâmpago Escarlate” na animação dos ”Superamigos”. Superman era chamado de ”Super-Homem” na época e Clark era conhecido no Brasil como ”Eduardo”. Peter-Parker, o Homem-Aranha, já foi traduzido como ”Pedro Prado”, por aqui.

      O que não estavam completamente errados: muitas pessoas não entendiam direito inglês mesmo e, como se tratava de um produto comercial, não era vantagem ver as pessoas NÃO conseguindo sequer decorar o nome dos personagens que queriam vender. Só que isso mudou muito quando começaram a ser exibidos desenhos animados que mantinham nomes em inglês originais, como Thundercats, Silverhawks, além do próprio Transformers. Isso sem falar dos jogos de videogame que estavam chegando em consoles da Nintendo e Sega mantendo seus títulos originais.

      Algumas traduções são um tanto bizarras ou absurdas, mas NÃO creio que foi falta de criatividade, de forma alguma: ”Supremus Absolutus” parece um tanto exagerado, mas, foi uma boa tradução que manteve o conceito de um nome igualmente exagerado que é ”Optimus Prime”, que nem sei ao certo como deveria ser traduzido isso ao pé da letra ou não.

      E essa traduçãolocalização foi interessante para a própria marca: agora, temos versões ”brasileiras” de transformers, como FurãoBumblebee, na mitologia oficial da franquia. Algo único. ;)

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