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Rogue One: Uma História de Star Wars

Em uma época de conflito, um grupo de heróis improváveis se une para roubar os planos da Estrela da Morte, a maior arma de destruição do Império. Jyn Erso (Felicity Jones) é filha do homem que ajudou a construir a estação espacial e, por sua condição, acaba sendo recrutada pela Aliança Rebelde para liderar a missão.

(Rogue One: A Star Wars Story) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2016.

De Gareth Edwards. Com Felicity Jones, Diego Luna, Ben Mendelsohn, Donnie Yen, Jiang Wen, Mads Mikkelsen, Alan Tudyk, Riz Ahmed e Forest Whitaker. 2h13min. Distribuidora: Walt Disney. Classificação: 12 anos.

Nível Épico

Rogue One: Uma História de Star Wars


Resenha – O roubo dos planos da Estrela da Morte

Rogue One: Uma História de Star Wars segue o tom de O Despertar da Força, ao mostrar uma galáxia em meio ao horror da guerra. Gareth Edwards cria uma sensação de realismo doloroso ao explorar o impacto provocado pela guerra nos planetas e nas pessoas. Por estar, de forma corajosa, ampliando o escopo de uma história que já conhecemos – os rebeldes que roubaram os planos da Estrela da Morte –, Rogue One estabelece um equilíbrio admirável entre o antigo e o novo para construir uma história emocionante, ao mesmo tempo sombria e divertida, repleta de boas surpresas. Referências e elementos do universo de Star Wars são inseridos de forma natural, alguns auxiliados por avançadas técnicas de computação gráfica e efeitos visuais, de tal maneira que fortalecem tudo o que veio antes na saga. Enquanto Rogue One nos oferece personagens originais cativantes, mundos e ideias promissoras, nos leva aos surtos de empolgação com momentos memoráveis de algumas das figuras mais clássicas da história de Star Wars e do cinema. Acredite. Estamos diante de alguns dos melhores momentos de Darth Vader em toda a franquia. Tente não sufocar quando vê-lo. Tente não enfartar quando ouvi-lo.

A ameaça do Império, aliás, é um elemento curioso e que nos dá a dimensão de quão diferentes são as épocas no cenário de Rogue One – e consequentemente da trilogia clássica iniciada em 1977 – e O Despertar da Força – situado décadas depois. – Rogue One mostra um Império que não encontra inimigos a altura, em pleno auge, e até um pouco displicente por conta disso. Os Stormtroopers de Rogue One, assim como na trilogia clássica, soam mais despreocupados e mal treinados, como se nunca esperassem que alguém fosse ousado o bastante para atacar as principais bases imperiais, mesmo com as atividades da Aliança Rebelde. Na época de O Despertar da Força, eles parecem mais preparados, porque o Império sofreu uma derrota com a morte do Imperador e teve que se reestruturar para sobreviver, o que criou um senso de periculosidade maior em seus soldados e comandantes a ponto deles se tornarem mais efetivos.

Outro elemento bem-vindo de Rogue One é a desconstrução das noções básicas de preto e branco inerentes às histórias da saga. Star Wars sempre representou a Aliança Rebelde como o bem e o Império como o mal, dentro de uma simplicidade que deixava pouco espaço para questionamentos morais. O roteiro de Chris Weitz e Tony Gilroy adiciona noções cinzentas entre estes extremos, aproximando o universo primariamente maniqueísta de Star Wars um pouco da mais da nossa realidade, onde nem sempre tudo é preto e branco, especialmente nos dias de hoje. Rogue One assume estas tonalidades de forma natural, concedendo ainda mais profundidade aos personagens e a sua missão.

Por outro lado, nos mostra que a Aliança Rebelde não é formada apenas de atitudes nobres e altruístas, enquanto o Império não é formado apenas de vilania e tirania. No meio disso, há aqueles que, ao passar pelas bandeiras do Império no topo dos prédios, preferem apenas desviar o olhar e fingir que elas não existem. Nesse ponto, o enredo também toca em outro ponto crucial: aqueles que estão no meio sem tomar partido de lado algum, mas que em algum momento terão que se comprometer se quiserem que alguma coisa mude, nem que seja apenas para si mesmos.

Do lado da Aliança Rebelde, há a luta constante para encontrar uma maneira de derrotar o Império, algo que parece cada vez mais improvável apesar dos esforços contínuos. O surgimento de informações sobre uma arma capaz de destruir planetas é o que começa a mover as peças para um caminho diferente. Jyn Erso (Felicity Jones) torna-se peça chave ao ser encontrada por Cassian Andor (Diego Luna), um espião rebelde cujo compromisso com a causa já o fez seguir por caminhos sombrios. A eles se junta Bodhi Rook (Riz Ahmed), um piloto de carga imperial que se torna um desertor por arrependimento e decide ajudar os rebeldes a pedido de Galen Erso (Mads Mikkelsen), pai de Jyn que se viu obrigado a trabalhar para o Império com o objetivo de protegê-la.

Estes personagens são desenvolvidos lentamente ao longo do filme, que tem pouco mais de duas horas de duração, e melhoram significativamente à medida que a história é contada. Cada membro do esquadrão denominado Rogue One possui um papel vital a desempenhar no enredo, aprofundando temas recorrentes a Star Wars como o significado de ter esperança e o valor do sacrifício.

Ainda que possa parecer que Rogue One permaneça a maior do tempo contando uma história de tons mais tristes e sombrios, há uma dose agradável de humor e aventura que ajuda a amenizar os momentos mais pesados. Este equilíbrio é um dos pontos fortes do filme. Se por um lado o Tenente Comandante Orson Krennic (Ben Mendelsohn) é um homem intimidador que não oferece qualquer sensação de alívio, por outro, ele possui um senso de humor mórbido que surge de seu jeito maquiavélico com naturalidade.

Os que melhor desempenham o papel de trazer leveza ao peso emocional da história são K-2SO (Alan Tudyk), um droid do Império reprogramado que tem o hábito de dizer exatamente tudo o que pensa; Chirrut Îmwe (Donnie Yen), um monge guerreiro cego com uma profunda fé na Força; e Baze Malbus (Wen Jiang), grande amigo e protetor brutamontes de Chirrut que é cético para os caminhos da Força. Destaque para Chirrut e Baze. A interação divertida entre eles, com o choque saudável entre crença e ceticismo, são essenciais para que Rogue One não se torne excessivamente melancólico e desolador. Afinal, se há algo todos nós sabemos, é que este esquadrão está efetivamente em uma missão suicida. O relacionamento entre os membros do grupo é o fundamento para sua vitória de roubar os planos da Estrela da Morte.

O equilíbrio de Rogue One também vale para a ação e o estilo. Enquanto o filme soa diferente de Star Wars em certos aspectos, também é inegavelmente um filme de Star Wars. A essência da franquia está o tempo todo presente na história, da mesma forma que na série animada Star Wars Rebels – com a qual, aliás, Rogue One possui algumas sutis conexões. – A maneira como Edwards desenvolve muitas das sequências de ação em um nível mais próximo do solo quase nos faz sentir como se estivéssemos em uma guerra de verdade, entrincheirados entre valas de terra e caixotes, com areia nos olhos. Às vezes água de chuva, dependendo do ambiente. Rogue One faz algo que O Despertar da Força também fez com eficiência: concede aos combates armas e estilo de luta únicos, de modo que cada personagem tenha sua própria maneira de lidar com as situações difíceis e estressantes. Nos combates espaciais, são acrescentados novas naves, novos tipos de Stormtroopers, elementos que criam uma sensação real de perigo e consequências de batalha. Cada cena de ação é construída para ser relevante à história, de modo que pouco a pouco somos levados com o esquadrão ao ato final onde forças rebeldes e imperiais se enfrentam em uma das batalhas MAIS ÉPICAS que a saga já vivenciou.

Star Wars, nestes tempos atuais de cultura pop em alta, está mais popular do que nunca. A estreia de O Despertar da Força revelou um trabalho para resgatar a imagem e o sentimento original da saga e trouxe um retorno digno à narrativa consistente e a uma forma mais prática de fazer cinema, algo que também fez o filme se sentir como um reflexo de Uma Nova Esperança, o sucesso que deu origem a tudo. Agora a Lucasfilm e a Disney tentam construir novos passos para a franquia desenvolvendo não apenas a saga principal, mas também arcos de histórias especiais que vêm para complementar o universo que conhecemos de Star Wars. Muitos se perguntavam se isso daria certo. Rogue One: Uma História de Star Wars é a prova cabal de que ESTÁ DANDO CERTO. Depois daqui só podemos esperar coisas incríveis para o futuro da franquia. Por isso mesmo a melhor forma de encarar Rogue One é honrá-lo por sua grandeza.

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Rogue One: Uma História de Star Wars Alan Barcelos
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