Cinema

Luke Cage

Ex-membro de gangue acusado por um crime que não cometeu, Luke Cage (Mike Colter) se voluntaria para uma experiência médica que dá errado, e acaba ganhando super-força e pele invunerável no processo. Com seus novos poderes, Cage escapa da prisão e tenta reconstruir a vida no Harlem, em Nova York, mas a ascensão de criminosos como Cottonmouth (Mahershala Ali) e Cascavel (Erik LaRay Harvey) o obrigam a lutar contra o crime nas ruas de sua cidade.

(Luke Cage) – Ação. Estados Unidos, 2016.

De Cheo Hodari Coker. Com Mike Colter, Mahershala Ali, Alfre Woodard, Theo Rossi, Simone Missick, Frank Whaley, Erik LaRay Harvey, Rosario Dawson e Sonia Braga. Netflix. 13 episódios. 50min.

Luke Cage


Resenha – O legado do Harlem

Luke Cage já foi conhecido como Poderoso, um nome que diz muito sobre o personagem, um dos mais poderosos do Universo Marvel dos quadrinhos. Alguns elementos da série se assemelham à versão do personagem nas HQs, como o fato de Luke ter sido preso por um crime que não cometeu e ter ganhado super-poderes por causa de uma experiência mal sucedida por causa da sabotagem de um carcereiro. Cage ganhou super-força e pele invulnerável graças ao incidente. Nos quadrinhos, ele também era conhecido por trabalhar como guarda-costas e fazer serviços por dinheiro, muitas vezes participando de histórias ao lado de outros heróis, em especial Demolidor, Punho de Ferro e Jessica Jones.

Não é a toa que a Netflix esteja preparando terreno para juntar todos estes heróis na série Os Defensores, e pela construção de Luke Cage em sua série solo, já podemos começar a pensar na possibilidade de Cage assumir a posição de líder do grupo – papel que já desempenhou como líder dos Novos Vingadores em momentos importantes dos quadrinhos. – Mas a série solo de Luke Cage, apesar de suas inspirações nas HQs, constrói sua própria identidade. Alguns elementos dos quadrinhos do personagem foram alterados para tornar a história mais atual e mais próxima da cultura negra dos Estados Unidos.

Luke Cage surgiu inspirado pelo movimento blaxploitation no cinema norte-americano dos anos 1970. Os filmes eram realizados e protagonizados por negros, principalmente direcionados ao público negro, e se tornaram influência para toda uma geração. O detetive de Shaft (1971) foi um dos grandes filmes do gênero e uma forte influência para Cage, algo que foi trazido para a série. Cage faz referências à Shaft enquanto toma seu próprio rumo como um herói tentando viver em paz até que se vê obrigado a proteger os cidadãos do Harlem da criminalidade crescente.

Outro elemento importante do blaxploitation bastante forte na série é a trilha sonora. Nos filmes do movimento, as músicas vinham de artistas consagrados da música negra norte-americana. Na série, a música é o que poderíamos definir como um personagem a parte

O Harlem, cenário da trama, é berço do Hip Hop, de onde o gênero se tornou popular nos Estados Unidos. O criador, Cheo Hodari Coker, utiliza a música como ferramenta narrativa para despertar a emoção, ditando o ritmo do show, definindo personagens – que estabelecem relações através da música – e moldando Luke Cage como um super-herói. Lendas do rap aparecem em reverências (mais do que referências) visuais, estilísticas e musicais, desde o imponente quadro de Notorious BIG com sua coroa torta na sala de Cottonmouth até a participação especial de personalidades como Method Man do Wu-Tang Clan e Raphael Saadiq (ambos com canções na trilha sonora). Destacam-se também os títulos dos episódios: são todos nomes de músicas da dupla de rap Gang Starr e se alinham com o desenvolvimento da história do próprio Luke Cage. A série quase nos faz sentir como se cada episódio fosse um álbum musical.

Luke Cage capta tão bem a vibração do Harlem quanto do Universo Marvel. Parte da série ocorre simultaneamente com os acontecimentos da segunda temporada de Demolidor, algo que podemos perceber por causa de Claire Temple e as conexões dos fatos envolvendo a personagem em acontecimentos de Luke Cage em um dia e de Demolidor no outro. A série, como todas as demais na Netflix, faz referência aos Vingadores, ainda mostrando as implicações da Batalha de Nova York em um nível mais mundano. Há ligações ao empresário vilão de Homem de Ferro 2, Justin Hammer, e outros personagens de Demolidor, como Wilson Fisk e Frank Castle. Há a presença, claro, de Stan Lee. A Prisão Seagate onde conhecemos o passado de Carl Lucas é a mesma para onde o falso Mandarim de Homem de Ferro 3 foi enviado, e aparece no curta All Hail the King (onde descobrimos que existe o verdadeiro Mandarim em algum lugar do mundo).

O antagonista, Cascavel, é o perfeito oposto de Cage, desenvolvido inicialmente como um nome murmurado para despertar o medo e posteriormente revelado como um indivíduo repleto de tanta raiva e maldade que até mesmo Wilson Fisk tremeria em sua presença. Cascavel é construído lentamente para surgir como a pessoa que Luke Cage poderia ter se tornado se tivesse seguido pelo caminho errado. A série faz um excelente trabalho ao desenvolver sua história e seus personagens pacientemente até que tudo se transforme em uma guerra de heróis resolutos contra vilões corruptos. Cascavel é apenas o ápice de uma espiral de caos e corrupção alimentada por Cornell Stokes (Cottonmouth) e pela vereadora Mariah Dillard (Black Mariah). Agora é curioso notar que a Netflix chama o vilão de Kid Cascavel nas legendas, um nome utilizado nas primeiras edições dos quadrinhos do Luke Cage aqui no Brasil, mas que não é mais usado hoje em dia.

A força violenta dos vilões é o que torna Luke Cage um grande herói. Mike Colter nos envolve na presença imponente do personagem da mesma forma que envolve todos (e todas) que cruzam olhares com o herói na série. Ele é forte e humano como os heróis que vieram antes, Demolidor e Jessica Jones, nos lembrando de que esta é a Marvel em um âmbito mais íntimo e mundano. Cage é um herói centrado e sem aspirações à grandiosidade dos Vingadores. Ele é um homem comum lutando para fazer da cidade onde vive um lugar melhor.

Assim como a antecessora, Jessica Jones, construiu uma história de detetive que se aprofundava nas questões da agressão contra as mulheres e na superação da violência, Luke Cage cresce ao contar uma história que se aprofunda em questões raciais enquanto transita pelo legado icônico do Harlem, oscilando entre as sutilezas do Universo Marvel e o orgulho do Hip Hop, para criar uma série que fala não apenas para a cultura dos super-heróis, mas também para toda a sociedade – assim como fizeram nomes importantes da história mencionados na série, como Martin Luther King, Malcolm X, Kenyatta. – Ainda que carregue em si o espírito de uma época passada, Luke Cage é um marco do tempo presente. Principalmente por sua incrível capacidade de demolir barreiras.

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  • Stephanie Pereira

    Estou louca pra começar a assistir …

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