Meus Contos

A Bruxa do Arco #Arquivos da Foice 1

O mundo não é o que você pensa. É um lugar de horrores que não deveríamos ver. Seus piores pesadelos são reais, espreitando, caçando, com sede de sangue e almas. E a única força capaz de combatê-los é a Foice. Os relatos estão disponíveis para consulta nos arquivos. Mas saiba que ao lê-los você não poderá mais se esconder. Quando uma mulher grávida aparece estripada no Arco do Teles, duas Ceifeiras são enviadas para investigar e impedir outros assassinatos. Karen ainda está em treinamento, sofrendo com a influência de um redemoinho mágico sobre suas habilidades. Isa é uma necromante experiente, a única da ordem. Logo descobrem que duas crianças também foram mortas no local e que essas mortes podem ter ligação com uma antiga lenda da cidade.

Arquivos da Foice é uma série de histórias de fantasia urbana ambientadas em um mundo de horror e magia. Há uma guerra sobrenatural acontecendo nos cantos escuros das cidades, onde as sombras têm garras, tentáculos e, às vezes, tesouras no lugar das mãos.

O conto completo tem 54 páginas e está publicado na Amazon.

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Todos os casos estão aqui: Arquivos da Foice

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A Bruxa do Arco


- Uma pequena amostra do Caso 1 -

Assassinato do Arco do Teles

Sombras esgueiravam-se pontiagudas até o ventre inchado. Percorriam as paredes do Arco. Sufocavam o desespero. Com esforço descomunal, a pobre mulher rompeu o silêncio da madrugada escura num grito de socorro abafado pelo som agudo de metal se arrastando; inúmeras facas lutavam para cravá-la na pele áspera e reduzi-la a retalhos de carne. As lâminas vis, banhadas e quase deterioradas pelo sangue seco de assassinatos anteriores, chocavam-se umas contra as outras em uma cacofonia sinistra enquanto saboreavam o tormento nos olhos da próxima vítima, a imagem atroz refletida nas órbitas arregaladas que vertiam lágrimas incansáveis.

A besta. O demônio. O assassino. Ela não sabia o que era aquela criatura horrenda que a atacava. Sabia apenas que era o mais puro mal manifestado em pele grotesca remendada com pedaços carcomidos de couro e carne. Dentes irregulares protuberantes e navalhas afiadas brotavam de dentro dos dedos disformes e da palma e das costas das mãos. Babava saliva fétida. Suava um suor sem brilho. A luz ao redor parecia morrer na escuridão de um pesadelo impossível.

Ela não sentia a dor do tornozelo quebrado, um pedaço de osso atravessado fora da pele em carne viva pela queda que sofreu quando a criatura deu o bote surgida das sombras. Já não sentia as pernas. Os braços, dormentes e trêmulos. Ante o vislumbre da morte iminente, a vida passava diante de suas memórias num turbilhão. Lembrou-se de quando veio para a cidade grande, uma caipira do sertão maranhense em busca de oportunidades. Nunca conseguiu se adaptar plenamente ao mundo tão diferente da roça. Após perder os pais para a febre amarela, embarcou na boleia de um pau-de-arara e desembarcou no Rio de Janeiro. Desempregada, analfabeta e sozinha, vivia e vagava pelas ruas em busca de latas de lixo que oferecessem algum resto de comida azeda e estragada, ou talvez algumas caixas de papelão onde pudesse dormir à noite. Dormia estirada por calçadas, esquinas e becos, entre caixotes e jornais, isso quando a lombar não suportava mais a dor de dormir sentada. Fazia dois anos e 295 noites que estava na rua, lutando por espaço entre outros mendigos, com quem ocasionalmente dividia a cama e a garrafa de cachaça, às vezes ajudava a enfrentar o frio e a fome. Acabou viciada na cachaça e no sexo, e grávida de uma criança que não sabia se seria menino ou menina. Pelo tamanho da barriga, nasceria dentro de poucas semanas.

Não mais. O nascimento seria naquela noite. O fim também. Vida e morte num instante. Ninguém sequer notaria ou se importaria. Ela e o bebê morreriam como indigentes invisíveis. Ninguém olhava para mendigos. Ninguém ligava para a morte de mendigos. Ninguém acreditaria naquela monstruosidade salivando à sua frente se ela sobrevivesse para contar a história. Os músculos retesados de seu corpo revelavam a verdade inquestionável. Ela não sobreviveria. Foi arrastada de um canto frio qualquer das ruas internas até a escuridão opressora do Arco que todos os moradores de rua temiam.

A cidade estranhamente vazia e silenciosa não escutou seus gritos. Se escutasse, sequer reagiria. A cidade também não a queria. Não havia qualquer perspectiva de ajuda ou o barulho de uma sirene que pudesse salvá-la no último minuto. Ela torcia apenas para que alguma providência divina salvasse seu bebê. Pelo menos, o bebê.

As lâminas penetraram-lhe a pele da barriga, uma de cada vez e todas juntas, rasgando tecido, carne e intestinos em direção às coxas, deslizando lentamente o sangue em rios de agonia e excremento. Ela demorou a perceber a pele sendo esgarçada, até ver que tentava inutilmente segurar seus órgãos delgados com as mãos encharcadas. As vísceras escorregavam por entre os dedos. Não somente as vísceras. O bebê. Queria segurar o bebê. Em seus últimos segundos de consciência, ouviu o engasgo da criança se afogando no ar, e conseguiu vê-lo envolto nos braços e navalhas da criatura.

Guinchou um pedido de clemência. Em vão.

A voz saiu um gorgolejo do sangue que invadia seus pulmões. Uma poça de bile, fluidos e placenta se arrastava no chão ao redor até os cascos das patas de bode de seu algoz. Em um espasmo, as navalhas cortaram o cordão umbilical, deixando a criança livre da mãe moribunda cujos sentidos começavam a falhar. A cabeça pendia torta em um último esforço para ver a criança. O olho revirado para os dizeres escritos na placa presa na parede acima.

“ARCO DO TELLES”

Abaixo das letras borradas pela ação do tempo, uma figura de podridão envelhecida salivava um sorriso de ansiedade degenerada. A sombra em forma de gente abria a bocarra distorcida em tentáculos grotescos para receber a oferenda da criatura dos pesadelos. O bebê, entregue e envolvido pelos apêndices malignos, encontrou o mesmo fim da mãe em um sacrifício de rejuvenescimento. A sombra bebeu o sangue da criança, os tentáculos pulsando insaciáveis, refestelando-se da potente juventude até restar apenas cinzas levadas pelo vento. A criatura misturou-se às sombras, deixando para trás um rastro de horror a ser encontrado pelos primeiros transeuntes no raiar do dia. Pela manhã, alguém gritou por socorro e finalmente trouxe consigo as sirenes.

O terceiro assassinato em menos de uma semana, que até então ninguém sabia ser o terceiro. Foi o primeiro a receber atenção da mídia. Chocou a população. As fofocas proliferaram como os insetos no cadáver e logo na cidade só se falava do Assassinato do Arco do Teles. A vítima permaneceu desconhecida, sem um nome para despertar comoção além do horror da circunstância. Não era mais tão invisível, contudo.


***

Ouvimos outro grito, também de garota. Outra vítima. Maldição!

Corremos mais para o interior das ruas e becos, corredores de portas coloridas e restaurantes fechados. No entroncamento com a Rua do Ouvidor, paramos no beco onde os paralelepípedos dão lugar ao piso cinzento de outro corredor. Ao redor, portas corrediças frias e sem cor. Ao longo do corredor, no alto, três arcos metálicos de luminárias enferrujadas contornam brilhos fracos na figura aberrante abaixo, que se prepara para cravar as garras em outra garota de rua encurralada pelo medo. É o Espectro!

Aponto o braço esticado com a mão aberta, segurando o pulso com a outra mão para aguentar o coice da magia.


# Arte de elemento místico. Das formas sobrecarregadas. Dos desejos agravados. Da iluminação além da penumbra ~Eu crio o Poder: Disparo de Fogo. #


Uma bola de magia flamejante irrompe da minha mão explodindo contra o monstro, que cambaleia com o impacto. Ele se vira contra nós. O disparo não o derruba, apenas provoca queimaduras superficiais. Como eu temia, minha magia saiu enfraquecida. Espectros são resistentes, precisam de grandes doses de poder mágico para serem feridos. Ele vem em nossa direção, bufando uma respiração grotesca. A pele grossa e fibrosa, cinzento-amarronzada, revestida de camadas serrilhadas de queratina, ainda goteja os borrões de sangue espirrado da vítima que encontramos no beco. As navalhas afiadas nos dedos sedentas por nos esquartejar.

Isa corre para cima do inimigo, um borrão escuro de Vento Negro. O Espectro a ataca com as garras, um golpe desengonçado por causa dos braços compridos. Ela esquiva com a velocidade sobrenatural da magia e perfura uma faca no braço do monstro. Com um segundo movimento, crava a outra faca na barriga, espirrando sangue viscoso enegrecido do furo. Enquanto se esforça para manter as facas fincadas no couro da criatura, grita para a garota de rua que acompanha a ação com olhos vidrados: — CORRE!!! — A menina também adolescente, com pele marrom-ocre e três cicatrizes de corte no braço esquerdo, pisca como se despertasse de um transe e obedece. Corre para longe do beco e desaparece em algum ponto entre o Centro Cultural dos Correios e do Banco do Brasil.

Estico o braço novamente com a mão aberta segurando o pulso.


# Arte de elemento místico. Pulsação cadente de revoltas inomináveis e incompreensíveis. Do calor ao enxofre. Surto coletivo ~Eu crio o Poder: Rajadas de Fogo. #


Uma sucessão de disparos flamejantes surgem da minha mão contra a criatura, um atrás do outro, explodindo ataques rasantes. Isa se afasta usando o Vento Negro, o Espectro guinchando um ganido medonho quando ela arranca as facas do corpo dele. Continuo disparando enquanto a magia me permite, as chamas enfraquecidas servindo mais como distração do que para causar dano real, mas suficientes para ajudar Isa. Um leve brilho de energia mágica estoura faíscas na minha mão durante um disparo, algo dá errado e o fogo explode contra mim, jogando-me no chão…


***

Conheça o Caso 2: A Mulher do Buraco de Bala na Cabeça

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  • Ana Lúcia Merege

    Comprei e vou conferir.

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Obrigado!! Aguardo comentários quando terminar. :)

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