Ms. Marvel: Nada Normal | Nível Épico

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Ms. Marvel: Nada Normal

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Super-heroína muçulmana

(Ms. Marvel: No Normal) – Ação. Estados Unidos, 2014. De G. Willow Wilson e Adrian Alphona. Com Kamala Khan (Ms. Marvel), Yusuf Khan (pai), Muneeba Khan (mãe), Aamir Khan (irmão), Nakia (melhor amiga) e Bruno (melhor amigo). Marvel Comics. Editora Panini. 128 páginas.

Desde o início do Universo Marvel, o que sempre deu destaque aos heróis criados por Stan Lee e cia. é que, apesar de todos os poderes fantásticos, os protagonistas possuíam um elo com a vida comum, igual a todos os leitores. O grande destaque nesse sentido foi o Homem-Aranha, que além de enfrentar supervilões ainda tinha que se virar para pagar o aluguel e ajudar a Tia May com as despesas da casa.

Seguindo esta bela tradição, em 2013 surge a nova Ms. Marvel, Kamala Khan. Adolescente tímida, tendo que se virar entre os estudos, a família e os dramas típicos desta fase da vida, certa noite ela ganha poderes de uma névoa mística (que pode ou não ter ligação com os Inumanos) e resolve combater o crime.

O divertido é que a protagonista não consegue controlar muito bem suas novas habilidades, o que resulta em cenas bem engraçadas. Além disso, surge o paralelo com as mudanças corporais que toda adolescente sofre, com direito até a uma cena em que ela precisa se esconder no banheiro com medo de passar vergonha. E mais: a heroína não tem a menor experiência em lidar com a situação, acaba metendo os pés pelas mãos e complicando o que parecia simples.

Claro que faz diferença o fato dela ser uma super-heroína mulçumana, mesma religião de sua autora, G. Willow Wilson, o que garante autenticidade a tudo que é narrado. Mas apesar das tradições diferentes, é fácil se identificar com a protagonista. Quem nunca brigou com os pais para ir numa festa, ou questionou algum costume religioso? Ela não come bacon por motivos de fé, mas quantas meninas evitam comer o que gostam para não serem julgadas pelo peso?

Ms. Marvel: Nada Normal

São todos dramas humanos que estamos acostumados a ver nas nossas obras favoritas. Assim, o grande mérito da HQ é criar a empatia com quem é diferente, uma missão importante em tempos onde os discursos de ódio ganham tanta força. E em nenhum momento o tom da série é panfletário; ao contrário, tudo é retratado com muita leveza e bom-humor, com doses de ação nas horas certas.

Também não podíamos deixar de mencionar a arte de Adrian Alphona, que casa perfeitamente com o tom leve e divertido do roteiro. Apesar de puxar um pouco para o lado do mangá, o artista possui estilo próprio, que já havia funcionado bem na HQ Os Fugitivos, e aqui parece estar no auge de sua forma.

Não é à toa que a personagem se tornou um grande sucesso. Roteiros inteligentes, elenco carismático, doses de bom-humor e aquela boa combinação de super-heróis com vida real que a Marvel sabe fazer tão bem. Ms. Marvel é a HQ com a cara de como queremos a cultura pop do século XXI: antenada, inclusiva, divertida e que encara de frente os problemas, sem deixar de estar de bem com a vida.

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