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Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida

Nível Esforçado

Só vale por causa da Arlequina

(Suicide Squad) – Ação. Estados Unidos, 2016. De David Ayer. Com Margot Robbie, Joel Kinnaman, Will Smith, Viola Davis, Jai Courtney, Cara Delevingne, Karen Fukuhara, Adam Beach, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Jay Hernandez. 2h03min. Distribuidora: Warner Bros. Classificação: 12 anos.

Esquadrão Suicida segue os eventos de Batman v Superman em um mundo que ainda tenta superar a perda de seu maior herói. O governo tenta encontrar uma forma de lidar com a ascensão dos meta-humanos e, para isso, a implacável Amanda Waller (Viola Davis) recruta os piores criminosos da sociedade para realizar missões que envolvam seres super-poderosos. Quando Midway City é ameaçada por uma terrível força sobrenatural, a recém-formada Força Tarefa X recebe sinal verde para sua primeira missão. A questão é quantos destes criminosos sobreviverão a ela. A história é bastante simples, lembrando um pouco a forma como o Esquadrão Suicida foi reapresentado nos quadrinhos em 2011 com os Novos 52.

A diferença é que o recomeço nas HQs era mais pesado, mais dentro do fato de que são vilões descartáveis trabalhando em missões suicidas por questão de sobrevivência; ou seja, eles são frios, violentos e impiedosos. Demora um pouco pra essa vilania suavizar nos quadrinhos. O filme, por ter que construir tudo de forma mais rápida, suaviza as coisas rápido demais. Isso é o que posso considerar o problema do filme, porque essa suavização atrapalha um pouco o ritmo das coisas.

O problema de Esquadrão Suicida é o ritmo, basicamente. Alguns momentos são longos quando deveriam ser mais curtos, ou curtos demais quando deveriam se estender um pouco além. Muita coisa acontece em pouco tempo. E não demora muito até que os vilões comecem a abandonar as rixas e considerar uns aos outros como amigos importantes. Eles são vilões. Amizade – o ser amigo – é algo muito forte para vilões assumirem e dizerem assim tão prontamente. Em dado momento, eles falam sobre a “honra entre os ladrões”. Esse é o sentimento que existe ali, e é esse sentimento que deveria ter se mantido ao longo de toda a história: a camaradagem e o companheirismo entre criminosos antissociais. A amizade mais forte poderia vir depois, em outras aparições, com mais calma. Ainda não dá para saber se veremos um Esquadrão Suicida 2, mas uma coisa é certa, alguns destes personagens vão aparecer em outras histórias do DC Filmes, especialmente os personagens mais icônicos e de maior destaque: Pistoleiro e Arlequina.

Eles dois são a força de Esquadrão Suicida. São os personagens que assumem o centro da ação e que mais aparecem e se destacam. O filme cria uma história simples para construir seus personagens, e poucos são explorados além do básico. Apenas Pistoleiro (Will Smith) e Arlequina (Margot Robbie) são trabalhados com um pouco mais de profundidade, inclusive se envolvendo em algumas subtramas. Depois deles, o que mais recebe atenção talvez seja o jovem El Diablo com seu destrutivo poder de controlar chamas.

O filme é surpreendentemente colorido em meio aos seus desejos de vilania. E impulsionado por uma trilha sonora vibrante. A mistura de cor e música ajuda o tom de loucura que cerca os personagens, não apenas pela insanidade da Arlequina e do Coringa, mas também pela forma como é construído o verdadeiro antagonista da história, alguém que oscila entre personalidades, lutando entre a prepotência e a humanidade. Por um lado, é uma vantagem. Por outro, depois de tantas edições que o filme e a história sofreram para ficar “mais leve”, é o que faz Esquadrão Suicida ser um filme que não sabe o que quer ser. Não sabe se quer ser mocinho, vilão, filme de herói, filme de monstros, filme de aventura, filme de terror. É um filme bem perdido. O que é uma tristeza considerando todo o potencial que tinha nos trailers.

O Coringa, vale mencionar, é um problemão: é uma carta especial lançada no grande jogo e um puta de um desperdício foda de personagem! Em geral, gosto das performances do Jared Leto no cinema, mas ficou ruim de Coringa. O problema é que ele quis muito ser um Heath Ledger e, ao mesmo tempo, tentou escapar dessa sombra… falhou miseravelmente.

O grande destaque do filme, e A ÚNICA COISA REALMENTE LEGAL, é a Arlequina de Margot Robbie. Ela é um espetáculo à parte! Uma força da natureza carismática, aloprada e divertida, tudo na medida certa dentro de sua estranheza psicótica. Se há uma coisa que você, eu e todo mundo vamos falar durante um bom tempo sobre o filme é COMO A ARLEQUINA É INCRÍVEL!!! E se há uma razão para que uma continuação de Esquadrão Suicida seja feita no futuro, é por ela. Margot Robbie merece um pouco mais de Arlequina em sua vida. E nós também.

Esquadrão Suicida Alan Barcelos
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