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O que podemos aprender com as brigas dos super-heróis no cinema?

Super-Heróis

O ano de 2016 vai ficar marcado na cultura pop como o ano do embate entre os heróis. Tanto Capitão América: Guerra Civil como Batman v Superman tiraram os super-heróis de suas zonas de conforto e os fizeram encarar a si mesmos e questionarem seu papel perante a sociedade. Embora sejam obras de ficção, podemos extrair delas um pouco do clima do tempo em que vivemos.

No filme da DC, temos um Superman que age por instinto, sem parar para pensar nas possíveis consequências que seus atos podem causar, e isto o coloca em rota de colisão com o Batman. Vemos Bruce Wayne tomando as dores do cidadão comum, com a diferença de que, graças à sua imensa fortuna, consegue fazer algo a respeito e tenta derrotar quem aparentemente está num nível inatingível. Contudo, movido apenas pelo ódio, é incapaz de enxergar o óbvio. Já Superman utiliza seus poderes da forma que julga correta, mas deixa seus sentimentos pessoais nublarem suas decisões.

Nenhum deles percebe que é Lex Luthor quem os manipula e os faz se moverem de acordo com seu interesse. Aliás, a escolha de Jesse Eisenberg para o papel se revela perfeita, pois é impossível não fazer o paralelo com o papel que o consagrou: Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, que com seus algoritmos e captação de informações faz algo parecido todos os dias na timeline dos usuários da rede social (sem contar o recente vazamento de pauta de reunião semanal onde era explícita a vontade da companhia de influenciar nas eleições presidenciais dos EUA, com a frase “Qual a responsabilidade do Facebook em ajudar a prevenir que (Donald) Trump seja presidente em 2017?”).

Já na Guerra Civil da Marvel, temos dois lados com pontos de vista perfeitamente válidos que poderiam chegar a algum meio-termo, mas a radicalização de ambos acaba levando ao conflito. No fundo todos ali são amigos, entretanto as atitudes cada vez mais extremadas podem trazer consequências para todos. O Homem de Ferro entende ser melhor que as ações dos heróis sejam previamente reguladas, mas isto os faz abrir mão do poder de decisão. Já o Capitão América é contra a regulação para manter sua liberdade, mas quantas vezes já vimos os EUA, em nome dessa liberdade, passar por cima das leis internacionais e fazer guerras que trazem mais problemas do que soluções para os países invadidos?

O grande paralelo aqui é a cada vez maior tendência à polarização de qualquer debate, que afasta as pessoas que pensam de forma diferente e faz cada um ficar em sua bolha alimentando o ódio pelo outro lado. Isso acontece nas redes sociais e transborda para fora delas. Todos são contra a corrupção, mas ao invés de refletir sobre os motivos dela existir, criam lados em que um acusa o outro de corrupto. Todos condenam o estupro, mas logo aparece quem culpe a vítima ou procure diminuí-la, ou quem procure apenas soluções violentas, tudo isso só para não ter que lidar com as raízes estruturais dos problemas que resultam nas diferenças de gênero. E podemos citar inúmeros outros exemplos.

Mas como toda boa história de super-heróis, os filmes nos trazem esperança de dias melhores. Virou piada o Batman ter poupado a vida do Superman pelo fato de ambos terem a mãe chamada Martha, mas o que parece ter passado despercebido é que, pela primeira vez no filme, Batman finalmente ouviu o que seu oponente tinha a dizer! A partir daí criou empatia com o mesmo, e só então percebeu qual era o verdadeiro problema – Lex Luthor e sua sede de poder. — Ou seja, ele abriu o espaço para a empatia e com isso abriu um canal para o diálogo.

Da mesma forma, em Guerra Civil, Capitão América ao final manda uma mensagem para o Homem de Ferro dizendo que, se um dia este precisasse, o Capitão estaria lá. Ou seja, manteve acesa a possibilidade do diálogo entre ambos, e percebemos um certo alívio em Tony Stark por ainda pode ver em Steve Rogers um amigo.

E por fim, claro, temos em Batman v. Superman a presença da Mulher-Maravilha, que com poucos minutos em tela mostra a que veio e rouba a cena. A presença feminina ali rompe com a lógica do patriarcado e mostra que a solução é a atuação de homens e mulheres em pé de igualdade, única solução possível para que superemos nossos problemas e possamos evoluir como sociedade.

Não que sejam filmes perfeitos. Mas não custa tentar entender seus significados. Ficar numa discussão interminável e sem sentido sobre qual é melhor que qual é cair na mesma armadilha que os super-heróis caíram nos filmes — e isso vale para qualquer discussão, além do mundo da cultura pop. — Nossos heróis mostraram a solução, então que tal aprendermos com eles e nos esforçarmos para também fazermos do nosso mundo um lugar melhor?

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  • Diana Santos

    Ótimo texto Rafael! :)

    • Rafael Luppi Monteiro

      Obrigado! :-)

    • Rafael Luppi Monteiro

      Obrigado, Diana! :-)

  • Rafael Luppi Monteiro

    Obrigado, Diana! :-)

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