Filmes

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Segunda aventura das Tartarugas Ninja se passa um ano após os eventos do primeiro filme. Os quatro heróis agora vivem o dilema de serem fieis à furtividade e o anonimato do código dos ninjas e a necessidade de reconhecimento de seus esforços para manter a cidade de Nova York segura, cujos louros estão sendo colhidos por Vernom Fenwick (Will Arnett), por conta de um acordo que os quatro fizeram com ele. Enquanto isso, o vilão Destruidor (Brian Tee) foge da cadeia e consegue reforços de peso para o seu time, tornando-se uma ameaça ainda maior para os quelônios loucos por pizza.

(Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows) – Ação. Estados Unidos, 2016.

De Dave Green. Com Megan Fox, Will Arnett, Laura Linney, Stephen Amell, Noel Fisher, Jeremy Howard, Pete Ploszek, Alan Ritchson, Tyler Perry, Brian Tee, Stephen “Sheamus” Farrelly, Gary Anthony Williams e Brad Garrett. 1h52min. Distribuidora: Paramount Pictures. Classificação: 10 anos.

Nível Esforçado

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras


Resenha – As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Um dos grandes problemas do primeiro filme deste reboot era que a história não sabia se seguia por uma pegada mais séria ou se aderia ao tom galhofa divertido. As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras opta por seguir a pegada divertida e mais leve da série animada do final dos anos 1980, que levou à franquia ao sucesso mundial. Foi justamente esta definição do tipo de tratamento que seria dado a este universo que fez com que o filme se tornasse bem mais divertido e empolgante que o primeiro, ainda que alguns problemas do filme anterior persistam nesta segunda aventura.

O maior deles, sem dúvida, é o próprio Destruidor. Na verdade, o desenvolvimento dele em As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é resultado de sua má concepção no primeiro filme, pois, para justificar a ligação de um poderoso mestre ninja com a engenharia genética que levou ao surgimento das Tartarugas, ele foi dividido em dois: Oroku Saki, o Destruidor propriamente dito, e Eric Sacks (William Fichtner), o cientista que trabalhou com o pai de April O’Neil (Megan Fox) e responsável pelo mutagênico que criou os heróis mutantes. O problema é que Sacks era justamente a alma que falta ao Destruidor na história, enquanto Saki representava apenas a força bruta. Por conta disso, apesar do tom ameaçador na atuação de Brian Tee, o personagem simplesmente não convence como o grande antagonista das Tartarugas. A falta de clareza em suas motivações e a falta de alma faz com que ele apenas sirva como elo entre os novos vilões a serviço do Clã do Pé. O maior reflexo disso é justamente em como foi firmada a aliança com o vilão da vez, Krang (Brad Garrett). Outra grande decepção entre os vilões é Karai (Brittany Ishibashi), personagem marcante na mitologia das Tartarugas que é reduzida à mera assistente do Destruidor.

Os grandes destaques no time dos vilões são a dupla de mutantes Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen “Sheamus” Farrelly), que roubam a cena em boa parte das aparições. A transposição dos capangas paspalhões do Destruidor para a telona ficou muito bem feita e de acordo com a essência de cada um. Outra aquisição do Clã do Pé que merece menção é o cientista Baxter Stockman (Tyler Perry), que é uma mistura muito feliz de sua versão das primeiras HQs das Tartarugas Ninja com a versão da série animada dos anos 1980. A atuação de Perry realmente convence que ele é um cientista brilhante e ao mesmo tempo perturbado, sem ficar exageradamente caricato nos padrões do filme. Já Krang tem uma motivação rasa, porém incisiva na história. Tanto é que sua aliança com Destruidor é feita numa sequência que dura quase 2 minutos. A aparição de Krang dita o rumo que a história vai seguir, mas não chega a despertar no espectador aquela ansiedade por um combate com os heróis.

Do lado dos heróis, a caracterização das Tartarugas continua primorosa. Os problemas que eles tinham entre si no primeiro filme aparentemente já haviam sido superados, apesar de alguns atritos entre Leonardo (Pete Plozsek) e Raphael (Alan Ritchson). O dilema do quarteto agora é terem seus esforços reconhecidos, serem aceitos pelos humanos e poderem circular pelas ruas sem serem vistos como aberrações. Esse é o combustível que move as Tartarugas ao longo de toda a história. A personalidade geek de Donatello (Jeremy Howard) ficou ainda mais evidenciada, sendo responsável por todas as engenhocas usadas pelas Tartarugas ao longo de todo o filme e Michaelangelo (Noel Fisher) tem seus melhores momentos no filme por conta de seu incrível e cativante humor zoeiro.

No lado dos humanos aliados às Tartarugas temos Megan Fox reprisando seu papel como April O’Neil que, por sua vez, a interpreta de forma bem funcional, ajudando nas investigações da história. Em compensação, a grande vacilada do filme foi, de fato, Casey Jones (Stephen Amell). O personagem, originalmente, era um justiceiro solitário que combatia o crime usando uma máscara de hóquei e surrava os bandidos com tacos de várias modalidades esportivas. Metaforicamente falando, Jones era uma tartaruga dentro do corpo de um humano. As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras apresenta Jones reduzido a um policial bocó que apenas quer se vingar daqueles que colocaram seu emprego em risco. Vernom Fenwick é quem assumiu a responsabilidade pela captura de Destruidor e, por conta disso, virou o herói da cidade, porém, o personagem acaba servindo como um mero recurso em determinado ponto da história. Nada além.

A estrutura do roteiro em si carrega os mesmos problemas do primeiro filme, com inúmeras mudanças na história, e justamente por isso, muita coisa fica mal explicada ou ganha uma explicação leviana demais. O ritmo frenético que dita boa parte do filme, contudo, faz com que o espectador não tenha muito tempo para questionar. Dentre as cenas de ação do filme, o destaque vai para a sequência em que as Tartarugas tentam impedir a fuga do Destruidor que, mesmo tendo sido exaustivamente repetida nos trailers, dá gosto de assistir. Além dela, tem também a sequência dos quelônios com Rocksteady e Bebop nas Cataratas do Iguaçu. A cena final também merece destaque. Outra coisa que se nota também é o dedo de Michael Bay em alguns momentos como cenas de ação em câmera lenta e o clímax que lembra, e muito, os filmes dos Transformers. Aliás, logo no início do filme, Michaelangelo tem uma cena que faz referência à Transformers, com direito até ao som clássico de transformação dos robôs da franquia.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, na verdade, carrega inúmeras referências, não só da série animada de 1987 (sua maior fonte de inspiração, diga-se de passagem), como também da série animada de 2003, da série animada de 2012 produzida pela Nickelodeon, além dos dois primeiros filmes dos anos 1990. Por exemplo, a música que toca nos créditos finais foi gravada pela boy band mexicana CD9 e é uma versão da abertura da série animada de 1987 com uma inserção do Ninja Rap, tema de As Tartarugas Ninja II: O Segredo de Ooze. No Brasil, o tema das Tartarugas ficou a cargo do MC Gui.

A diversão do filme é garantida. Para quem for assistir à versão dublada, Bebop, Rocksteady e Krang tiveram as mesmas vozes da série animada de 1987 com Garcia Júnior, Márcio Simões e Mario Jorge, respectivamente. Além deles, temos as vozes de Sylvia Salustti (April O’Neal), Mário Tupinambá (Vernom Fenwick), Renan Ribeiro (Raphael), Wirley Contaifer (Michaelangelo), Andreas Avancini (Leonardo), Fred Mascarenhas (Donatello), Duda Ribeiro (Casey Jones), Mauro Horta (Destruidor), Luiz Carlos Persy (Splinter) e Angélica Borges (Karai).

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras David Nery
Compartilhe este Post

Posts Relacionados