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Locke

Na véspera da grande manhã de sua carreira, o engenheiro especializado em explosivos Ivan Lock (Tom Hardy) recebe uma ligação que o faz mudar todos os seus planos. Ele entra em seu automóvel e segue em viagem para Londres, tendo de lidar durante o trajeto com os preparativos finais para a manhã, a insatisfação de seus chefes, o conflito com sua esposa, seus filhos, o fantasma de seu pai e a situação médica em Londres. Tudo isso sem sair do carro.

(Locke) – Drama. Reino Unido, 2013.

De Steven Knight. Com Tom Hardy, Andrew Scott, Olivia Colman e Ruth Wilson. 1h25min. Distribuidora: Lionsgate. Classificação: 14 anos.

Locke


LOCKE – RESENHA

Road movies geralmente são filmes em que os personagens fazem uma viagem transformadora, com um final feliz ou ao menos cheio de esperança, após viverem experiências fortes em novos lugares. Locke coloca essas regras para serem testadas e subvertidas, se tornando assim uma obra surpreendente.

Toda a ação se passa dentro do carro, durante a viagem de Ivan Locke de Birmingham a Londres. O único personagem em cena é o próprio engenheiro, todos os demais estão presentes apenas via telefone. Assim, é a atuação de Tom Hardy que nos deixa eletrizados e angustiado para saber qual será o destino do homem que resolveu jogar tudo para o alto e fazer aquilo que considera certo. O ator mais uma vez se mostra à altura do desafio, apresentando grande atuação.

O conflito é construído por meio dos diálogos. Locke tem que lidar, ao mesmo tempo, com os preparativos para a grande demolição que acorrerá na próxima manhã, com a esposa decepcionada, os filhos e a situação médica em Londres. A confusão é tanta que parece levar o protagonista a um beco sem saída. Este precisa usar toda sua habilidade para contornar os possíveis desastres iminentes. E ainda precisa fazer um acerto de contas pessoal com o pai morto, o que garante algumas das melhores cenas. O banco de trás vazio simboliza não só o fantasma do pai, como a sua ausência em toda a vida do protagonista, numa boa sacada do diretor Steven Knight.

Quanto aos coadjuvantes, só os conhecemos por suas vozes. O grande destaque vai para Andrew Scott, que interpreta o assistente de Locke. Quem o conhece pelo Moriarty da série Sherlock da BBC sabe que o ator consegue misturar situações dramáticas e engraçadas, e aqui não é diferente. Aliás, os poucos momentos de alívio cômico ocorrem graças a ele.

A viagem não funciona apenas como a metáfora de transformação. Indo além, ela é o único caminho possível para que Locke atinja seu objetivo. Os carros que passam ao lado, nas únicas e curtas externas, são como os elementos devem ser ultrapassados para chegar ao fim. O emprego e a família podem ser o preço a pagar para que compense seu único erro. Mas a grande força do personagem é a sua moral, e por mais que seja tentador dar a volta e pegar o retorno, ele segue em frente.

Em tempos onde o egoísmo e o individualismo exacerbado parece ser a regra, Locke nos mostra a força da integridade e da ética. Por mais duras que suas atitudes possam parecer, são todas baseadas na honestidade e em fazer a coisa certa. Algumas vezes até ficamos com raiva dos outros personagens por não entenderem a posição do engenheiro. Contudo, são atitudes compreensíveis, pois nenhum deles possui a visão do todo.

Seguir sempre em frente parece ser a grande lição do filme. E Locke é o grande herói em tela não por suas habilidades, e sim por suas atitudes. Quando a crise moral parece ser a regra, assumir seus erros e arcar com suas responsabilidades é o que faz a diferença.

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