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Os 20 anos de Beast Wars

20 Anos de Beast Wars

Beast Wars: Transformers, a princípio, conta as histórias de duas facções de Transformers, os Maximals e os Predacons, que acabam caindo em um planeta primitivo. Ao descobrirem que o lugar tem Energon em abundância, os grupos passam brigar entre si pelo controle das reservas dos preciosos minerais que são a fonte de energia dos Transformers. Porém, à medida que a série vai avançando, ela se mostra, assim como o slogan da franquia, algo muito mais do que os olhos podem ver.

A série, que completa 20 anos este ano, revolucionou a franquia dos Transformers em vários sentidos. Primeiramente, pela introdução de vários conceitos que passaram a ser adotados fortemente em toda mitologia, como por exemplo, o conceito das protoformas (forma que os cybertronianos possuem antes de scannearem e adaptarem sua aparência para o ambiente onde estão), do Allspark e das centelhas, a alma dos Transformers. Além disso, o tratamento que os roteiristas deram à história é considerado referência e bastante elogiado pelos fãs de Transformers, pois os episódios tinham uma pegada bem mais séria e madura do que a série clássica, totalmente direcionada para a ficção científica, e tinham arcos de histórias elaborados o bastante para prender a atenção do espectador até o fim. Ao contrário da série dos anos 1980, Beast Wars teve um número de personagens um tanto limitado por conta do alto custo que era para se modelar e animar um Transformer para ser incluso na série. Por conta disso, os poucos personagens que tinham na série acabaram sendo muito bem desenvolvidos, o que agradou muito os fãs e se tornou mais um dos grandes diferenciais da série. O grau de desenvolvimento foi tamanho que o personagem Dinobot foi o primeiro da série a entrar para o Hall da Fama dos Transformers. Muitas das falas dele foram retiradas das peças de Shakespeare, principalmente de Hamlet. Outro ponto que merece ser destacado é que as personagens femininas faziam parte da linha de frente da série, principalmente a Predacon Blackarachnia, aqui no Brasil conhecida como Viúva Negra, tendo papel fundamental e boa parte das tramas ao longo da série.

Fica difícil entrar em detalhes da série sem soltar spoilers e, no caso de Beast Wars, é ainda mais grave porque são justamente seus plot twists que fazem com que o espectador tenha que remover pedaços do seu cérebro do teto ao final de cada arco de história. Como já foi dito, a série começa com duas naves caindo em um planeta primitivo: uma com um grupo de Maximals e outra com um grupo de Predacons. Eles descobrem que o tal planeta é rico em Energon bruto e a radiação emitida por ele é tanta que eles são obrigados a scannear as formas de vida do lugar e adaptar seus corpos a elas para poderem, simplesmente, caminhar e explorar o local, caso contrário, se o fizerem na forma de robô, a tal radiação de Energon os faz ter uma sobrecarga e automaticamente entrar em estase, o que seria uma espécie de estado de coma. Então, os personagens agora passaram a se transformar em animais e, não mais, em veículos. Os Maximals eram liderados por Optimus Primal, que se transformava em um gorila. Já os Predacons são liderados por Megatron que se transforma em um tiranossauro rex e, apesar do nome, não possui nenhum tipo de relação com o líder dos Decepticons, o Megatron original. Aliás, Beast Wars foi inicialmente pensada para ser uma série totalmente à parte da série clássica, porém, com o avançar da história ia e com as amarras que os roteiristas iam dando nas tramas, ela não só se mostrou ser uma continuação direta da G1 (Geração 1, como os fãs chamam a série animada dos anos 1980), como também os personagens clássicos passaram a ser peças importantíssimas da trama, principalmente a partir da metade da segunda temporada até o final da terceira. Como foi dito no início do parágrafo, me estender no tema seria dar inúmeros spoilers o que, no caso de Beast Wars, estragaria totalmente a experiência de assistir à série.

Beast Wars: Transformers foi uma série que não só causou grande impacto no universo dos Transformers como também ampliou os horizontes do mercado de animação. Produzida pela canadense Mainframe Entertainment de 1996 a 1999, foi a primeira e única série Transformers a faturar um prêmio Emmy em 1998 na categoria Melhor Desempenho em Animação. A série teve um total de 52 episódios divididos em 3 temporadas. A premiação se deve ao fato dos episódios serem totalmente produzidos em CGI, recurso que, em meados da década de 1990, era algo pouquíssimo explorado, tanto pelas limitações tecnológicas da época como também pelo altíssimo custo de produção. Para terem uma ideia, só a primeira temporada custou 18 milhões de dólares para ser concluída, uma quantia bastante considerável na ocasião.

A série no Japão acabou rendendo duas séries de spin-offs que, na verdade, serviram como “tampão” para a lacuna entre a produção da primeira e da segunda temporada de Beast Wars. A primeira delas chama-se Beast Wars II e, ao contrário da série original, ela foi feita com a boa e velha animação em 2D. A série em si tinha uma pegada mais de humor para focar no público infantil e conta a história da equipe de Maximals liderada por Lio Convoy (que se transforma em um leão), que em perseguição aos Predacons de Galvatron (que vira um dragão e uma tanque perfurador), chegam ao planeta Gaea. O lugar, por sua vez, é rico em uma fonte de energia instável chamada Angolmois. Até a metade da temporada, os episódios eram focados nos Maximals impedindo os Predacons de estabelecerem uma base em Gaea. A história só começou a se desenvolver mesmo após todos os personagens serem devidamente apresentados e sua conclusão deixou um gancho para Beast Wars Neo. Esta série animada apresenta um novo grupo de Maximals, liderados agora por Big Convoy (que se transforma em um mamute pré-histórico), que tentam coletar o máximo de cápsulas de Angolmois possíveis (espalhadas pelo universo no final de Beast Wars II) para que não caiam nas mãos dos Predacons de Magmatron (que se transforma se dividindo em três répteis pré-históricos: um alado, um aquático e um terrestre). Tanto Beast Wars II como Beast Wars Neo se passam num futuro bem distante dos Maximals de Primal e dos Predacons de Megatron.

A série Beast Wars foi exibida no Brasil, inicialmente, pelo canal de TV por assinatura HBO. Depois, passou a ser exibida pelo Cartoon Network quase que simultaneamente com o canal de TV aberto Rede Record. Foi dublada pelos estúdios Sigma, em São Paulo, com direção de Jorge Barcellos e tinha, no lado dos Maximals, as vozes de Guilherme Lopes (Optimus Primal), Felipe Di Nardo (Rhinox), Cassius Romero (Cheetor – 1ª temporada), Tatá Guarnieri (Cheetor – 2ª temporada em diante), Orlando Viggiani (Rattrap), Luiz Carlos de Moraes (Dinobot – 1ª temporada), Jorge Barcellos (Dinobot – 2ª temporada em diante), Armando Tiraboschi (Tigatron e Tigerhawk), Bruno Rocha (Silverbolt), Denise Reis (Airazor) e Afonso Amajones (Profundeza/Depth Charge). Já o lado dos Predacons, tinham as vozes de Antônio Moreno (Megatron), Ivo Roberto Tatu (Waspinator), Marcos Hailer (Terrorsauro), Fátima Noya (Viúva Negra/Blackarachnia), Sérgio Moreno (Inferno), Fábio Vilalonga (Tarantulas), Gilberto Baroli (Violência/Rampage), Fábio Tomasini (Quickstrike), Sidney Lilla (Scorponok) e Daoiz Cabezudo (Ravage).

Beast Wars: Transformers rendeu uma continuação, a série Beast Machines: Transformers, que apesar de fechar a cronologia clássica, é uma série que faz a maioria dos fãs torcer o nariz e preferir que não tivesse existido, mas isso já é assunto para um outro post.

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