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Super Máquina

Super Máquina

Nível Exemplar

Super David Hasselhoff

(Knight Rider) – Ação. Estados Unidos, 1982. De Glen A. Larson. Com David Hasselhoff, Edward Mulhare, William Daniels, Patricia McPherson (1ª, 3ª e 4ª temporadas), Rebecca Holden (2ª temporada) e Peter Parros (4ª temporada). Universal Studios. Television. 04 temporadas. 84 episódios. 50 min.

“A Super Máquina. Um voo de sombras a um mundo perigoso de um homem que não existe. Michael Knight, um jovem solitário numa cruzada para defender a causa dos inocentes, dos desamparados, dos fracos e oprimidos num mundo de criminosos que se sobrepõem à lei.” Era com essa frase na abertura do episódio que o telespectador era convidado a entrar no universo de uma das séries mais icônicas da década de 1980, que mostra as aventuras de um homem e seu carro falante defendendo a lei através da Fundação pela Lei e Governo quando os meios convencionais não são suficientes.

Super Máquina conta a história do policial Michael Long (Larry Anderson) que, após uma operação mal sucedida, leva um tiro no rosto dos criminosos os quais tentava prender. Ele acaba sendo resgatado pela equipe de Wilton Knight (Richard Basehart), bilionário filantropo dono do grupo Indústrias Knight (Knight Industries), e, devido ao tamanho do estrago feito pelo projétil, acaba tendo seu rosto reconstruído (ficando com a aparência do filho desaparecido de Wilton) e ganhando uma nova identidade: Michael Knight (David Hasselhoff). Wilton, que tinha uma doença terminal, pouco antes de morrer passou para Michael a missão de dar continuidade ao trabalho da Fundação pela Lei e Governo (F.L.A.G. – Foundation for Law and Government), que faz parte do grupo das Indústrias Knight. Devon Miles (Edward Mulhare), braço-direito de Wilton, assume a Fundação e passa a ser o responsável de passar as missões para Michael. Para executá-las, Devon fornece a Michael o veículo Knight 2000, um supercarro projetado e construído pela Fundação em cima de um Pontiac Trans Am Firebird 1982 e comandado pelo processador com inteligência artificial chamado Knight Industries Two Thousand, ou, simplesmente K.I.T.T. (William Daniels). A partir daí, Michael e K.I.T.T. rodam pelos os Estados Unidos ajudando os fracos e oprimidos à serviço da Fundação.

Além de Michael e Devon, a equipe da F.L.A.G. conta com a mecânica-chefe e programadora Bonnie Barstow (Patricia McPherson) responsável pela manutenção e pelos upgrades de K.I.T.T. ao longo da série. Super Máquina foi a primeira série a apresentar uma personagem feminina como mecânica de automóveis, entretanto, Bonnie foi substituída por April Curtis (Rebecca Holden) na segunda temporada, pois os produtores precisavam de uma personagem que tivesse mais sex appeal, ou seja, enquanto avançaram de um lado, retroagiram de outro. Entretanto, April não estava funcionando na série e o próprio David Hasselhoff botou pressão nos produtores para trazerem Bonnie de volta, o que, de fato, aconteceu no primeiro episódio da terceira temporada e ela voltou a fazer parte do elenco fixo até o último episódio da série. Já na quarta temporada, em prol de manter o interesse dos espectadores na série, mais um personagem foi adicionado ao time da Fundação: Reginald Cornelius III, ou simplesmente, RC3 (Peter Parros), um justiceiro solitário cujos “serviços” impressionaram Devon, que ofereceu a ele o emprego de motorista da unidade móvel da F.L.A.G. Além disso, K.I.T.T. ganhou dois upgrades importantes: ele passou a ter um modo conversível e também o Super Modo de Perseguição, cujo visual leva a assinatura de George Barris, responsável pelo Batmóvel de 1966, e faz com que o carro atinja velocidades quase 500 km/h!

Criada e produzida por Glen A. Larson (responsável pelas séries Battlestar Galactica, Magnum, O Homem de Seis Milhões de Dólares, As Aventuras de B.J., Duro Na Queda, entre outras), Super Máquina teve quatro temporadas com 21 episódios cada e foi filmada de 1982 a 1986. A série nunca teve grandes arcos de história, todos os episódios tinham começo, meio e fim e eram independentes entre si. Se você assistisse aos episódios fora de ordem, não ia fazer a menor diferença. Durante as quatro temporadas, os episódios seguiam basicamente a mesma estrutura de história: Devon passa uma missão para Michael e K.I.T.T.; a dupla chega em um determinado local e encontra a pessoa que necessita de ajuda; os vilões do episódio são encontrados, confrontados e derrotados; e os heróis partem para uma nova aventura no episódio seguinte e, se a pessoa necessitada fosse uma mulher bonita, Michael trocava uns beijos com a moça antes de partir. O foco mesmo das atenções sempre foram as peripécias de Michael e K.I.T.T. (cujo visual leva a assinatura de Michael Scheffe, um dos responsáveis pelo visual icônico do DeLorean de De Volta Para o Futuro): de um lado a lógica, a razão e os dispositivos de K.I.T.T. e de outro a intuição e emoção de Michael. Era justamente este contraponto e a química dos dois que conquistou telespectadores no mundo todo.

O fato de Super Máquina não ter grandes arcos de história fazia com que não houvesse espaço para se desenvolver muito os vilões e coadjuvantes da série. As histórias, normalmente, eram amarradas para durarem naquele episódio somente. Apesar disso, alguns poucos coadjuvantes chegaram a ganhar espaço e retornarem em outros episódios, com a ex-noiva de Michael Long, Stephanie ‘Stevie’ March (Catherine Hickland), e Garthe Knight (David Hasselhoff) e K.A.R.R. (Peter Cullen), os antagonistas de Michael e K.I.T.T., respectivamente. Garthe é o filho desaparecido de Wilton Knight, que estava preso na África (daí o sumiço) por fazer parte do Movimento de Libertação Pan-Africano. Graças aos subornos da mãe de Garthe, Elizabeth Knight (Barbara Rush), ele consegue voltar para os Estados Unidos e, financiado por um ditador africano, constrói o caminhão Goliath para roubar mísseis das Forças Armadas Americanas. Goliath tinha não só a mesma blindagem molecular de K.I.T.T. como também era dotado de lançadores de foguete no teto da cabine, lançadores de gás no pára-choque dianteiro e uma grade frontal altamente afiada. Por outro lado, o Knight Automated Roving Robot ou, simplesmente, K.A.R.R. foi o primeiro protótipo do Knight 2000 feito pelas Indústrias Knight, entretanto, o que o diferenciava de K.I.T.T. era que ele não tinha como uma das diretivas de sua programação a proteção à vida humana, apenas a autopreservação. Justamente por isso, K.A.R.R. foi desativado e guardado em um galpão do grupo, por ser considerado altamente perigoso. Entretanto, acaba sendo reativado por dois ladrões que invadiram o tal galpão e tentaram roubá-lo.

A série foi exibida no Brasil, inicialmente, pela TV Record, porém, pouco tempo depois, foi para o SBT e ficou no canal até sua última temporada. Na TV a cabo, foi exibida no canal USA, que hoje se chama SyFy. Aqui, os protagonistas receberam as vozes de Júlio Chaves (Michael), Isaac Bardavid (K.I.T.T., substituído pelo dublador André Filho na segunda metade da 4º temporada), José Santa Cruz (Devon), Fátima Mourão (Bonnie, substituída por Angela Bonatti na 4ª temporada), Juciara Diácovo (April) e Nizo Neto (RC3). O sucesso da série foi tamanho que gerou uma linha de brinquedos produzida pela Glasslite e fez com que K.I.T.T. fosse trazido ao Brasil para ficar exposto em shoppings centers e participar do quadro Sonho Maluco do programa Viva A Noite apresentado por Gugu Liberato na época. O quadro consistia na pessoa enviar uma carta para a produção do programa explicando qual era seu sonho e, se fosse escolhida, os produtores corriam atrás para realizar o sonho da pessoa em rede nacional. Na ocasião, um menino pediu para dar um passeio na Super Máquina e seu desejo foi atendido, com direito ao K.I.T.T. ir ao palco do programa e “conversar” diretamente com Gugu.

Super Máquina nunca teve um episódio final, de fato. Apesar disso, várias tentativas de se dar continuidade à história e transformá-la numa franquia foram feitas, mas todas fracassadas. A primeira delas foi em 1991 com o filme Super Máquina 2000 (Knight Rider 2000), cuja intenção era servir de piloto para uma nova série com Michael e Devon “passando o bastão” para os novos protagonistas Shawn McCormick (Susan Norman) e Russell Maddock (Carmen Argenziano). A história se passava num futuro onde as armas de fogo foram abolidas da sociedade e os presos eram mantidos em criogenia até cumprirem pena ou enquanto aguardavam julgamento, porém, após o prefeito ser morto com tiros pelo vilão Thomas J. Watts (Mitch Pileggi), a Fundação é acionada para caçá-lo e prendê-lo, o que faz com que Michael volte de sua aposentadoria e reative K.I.T.T.

A segunda tentativa foi em 1994 com o filme Califórnia 2010 (Knight Rider 2010), cuja história se passava num futuro apocalíptico à la Mad Max e que a única coisa em comum com a franquia era que o protagonista Jake McQueen (Richard Joseph Paul) dirigia um carro que falava. Nenhuma menção à Michael, K.I.T.T. ou à fundação é feita. A história consistia em Jake querer se vingar da empresa Chrysalid que matou seu pai, Marshall Will McQueen (Michael Beach), e sua namorada, Hannah Tyrie (Hudson Leick). Para isso, Jake constrói um carro cheio de aparatos e dispositivos e, ao conseguir cristalizar a alma de sua namorada através de um computador, a integra no carro e parte em busca de vingança.

Em 1997, produziu-se a série TKR (Team Knight Rider), que seria uma continuação direta de Super Máquina 2000, apesar de se passar quatro anos antes dos incidentes ocorridos no filme. TKR tinha cinco protagonistas: Kyle Stewart (Brixton Karnes), Jenny Andrews (Christine Steel), Duke DePalma (Duane Davis), Erica West (Kathy Trageser) e Kevin “Trek” Sanders (Nick Wechsler) e todos eles estavam ao volante (ou ao guidão) de cinco veículos falantes computadorizados à serviço da Fundação. TKR só teve uma temporada por conta da baixíssima audiência, sem contar nas inúmeras incoerências que a história tinha com a “mitologia” original. A tentativa mais recente foi a série A Nova Super Máquina (Knight Rider) produzida em 2008 e se passa 25 anos após a série original. Desta vez, quem está ao volante do novo K.I.T.T., agora um Ford Mustang GT500KR Shelby, (Val Kilmer) é Mike Traceur (Justin Bruening), filho de Michael Knight com sua ex-noiva, Sarah Graiman (Deanna Russo), e seu ex-sogro e projetista de K.I.T.T., Dr. Charles Graiman (Bruce Davidson) como equipe de apoio. A série segue basicamente a mesma premissa da Super Máquina original, porém com elementos de politicagem e jogos de interesse adicionados entre o governo e a Fundação. Infelizmente, esta série também não foi para frente e, inclusive, teve o número de episódios reduzidos de 22 para 17 em sua primeira e única temporada.

No final de 2015, David Hasselhoff anunciou em sua página oficial o projeto Knight Rider Heroes, que seria uma continuação da série original abstraindo totalmente as tentativas anteriores. Neste projeto, a parceria entre a Fundação e o governo acabou e este passa a persegui-la, forçando a F.L.A.G. operar de forma clandestina. Em recente entrevista, o ator declarou que sonha em transformar a série em uma franquia e explicou que o projeto seriam as aventuras de Michael e seu filho ao redor do mundo juntamente com K.I.T.T., em seu visual original como o Pontiac Trans Am Firebird que todos conhecemos, com uma leve pegada de Velozes e Furiosos.

Por incrível que pareça, em todas as tentativas frustradas de dar seguimento à franquia, exceto esta recente de David Hasselhoff, tinham a participação de Larson na produção. É difícil afirmar se a razão do fracasso foi a resistência de Larson em tentar manter a fórmula original ou se, simplesmente, com o avanço das novas mídias e da tecnologia, uma série com uma premissa tão simples como é a de Super Máquina não desperta mais o interesse do público como despertava na década de 1980. Aliás, Super Máquina é uma série feita numa época onde o público em geral não se preocupava muito com o porquê das coisas. O herói simplesmente era bom porque era bom, assim como o vilão simplesmente era mau porque era mau e acabou. Ninguém queria saber das motivações de ambos ou de tramas complicadas. As pessoas só queriam chegar em casa, “desligar um pouco o cérebro” e curtir Michael Knight e K.I.T.T. fazendo acrobacias e procurando trazer esperança e fazer o bem a quem precisa. “Um homem pode fazer a diferença,” esse era o lema e a mensagem que queriam passar para cada um de nós: Michael e K.I.T.T. representavam o ideal de que cada um de nós pode fazer a diferença no mundo e fazer dele um lugar melhor.

BÔNUS: Entramos em contato com os dubladores Júlio Chaves e Isaac Bardavid. Ouça o que eles gravaram para nós! (Aliás, gostaria de deixar registrado meus imensos e sinceros agradecimentos ao dublador Guilherme Briggs que, no meio de sua agenda lotada, conseguiu encontrar um tempinho para gravar estes áudios para nós. Muito obrigado mesmo! De coração!)

Isaac Bardavid, a voz brasileira do K.I.T.T., fala sobre carros: ouça o áudio

Júlio Chaves, a voz brasileira do Michael Knight, fala um pouco sobre a série e as tecnologias apresentadas por ela: ouça o áudio

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