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Rua Cloverfield, 10

Continuação de Cloverfield (2008), o filme conta a história de Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que acorda dentro de um porão após sofrer um acidente de carro. Lá, ela descobre que o mundo foi dizimado por um ataque nuclear e o porão é o único lugar seguro. O problema é que ela não confia no dono da casa e tenta descobrir o que está realmente acontecendo do lado de fora.

(10 Cloverfield Lane) – Suspense. Estados Unidos, 2016.

De Dan Trachtenberg. Com Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr. e John Goodman. 1h43min. Distribuidora: Paramount Pictures. Classificação: 12 anos.

Rua Cloverfield, 10


RUA CLOVERFIELD, 10 – RESENHA

Rua Cloverfield, 10 surgiu de um projeto secreto produzido por J.J. Abrams com direção de Dan Trachtenberg, que atiçou a curiosidade por ser cheio de segredos. Os próprios atores não sabiam direito no que estavam se metendo — você pode ler mais aqui. — Assim como o monstro do Cloverfield original, de 2008, o projeto se manteve escondido até o momento certo de mostrar a cara. O que se sabia de verdade é que o diretor Dan Trachtenberg estava envolvido no projeto de Valencia após ficar bastante conhecido pelo fan film de Portal que lançou no YouTube em 2011. Apenas às vésperas do lançamento que o projeto se assumiu como continuação de Cloverfield e ganhou destaque.

O resultado é algo que lembra um grande episódio de Além da Imaginação (The Twilight Zone), usando a temática da “febre da cabana”, um fenômeno reconhecido que ocorre quando uma pessoa vivendo em total isolamento começa a desenvolver um perfil paranoico crescente que beira à sociopatia.

Embora muitos possam imaginá-lo como um filme de terror, Rua Cloverfield, 10 é mais um suspense inteligente e carregado de tensão sobre pessoas encerradas em um bunker por causa de um ataque nuclear que não sabemos realmente se aconteceu. Existe toda uma paranoia que é construída ao longo da narrativa, impulsionada pelo ponto de vista da personagem principal, Michelle, que acorda em um lugar desconhecido, com dois desconhecidos em quem ela não sabe se pode confiar. O tempo todo o filme estimula essa desconfiança, nos fazendo questionar, junto com Michelle, quem está falando a verdade, quem é bom e quem é mau, se existe alguém bem intencionado ou alguma coisa benigna naquela situação toda. A paranoia, a claustrofobia e o mistério se misturam em um sentimento constante de ansiedade que quase faz parar a respiração.

Mary Elizabeth Winstead — MARAVILHOSA TODA VIDA! — cria uma Michelle forte, inteligente e determinada, que começa a história fugindo de um namorado abusivo (a voz dele é do Bradley Cooper). O rádio dá indícios de que algo está acontecendo no mundo, então ela sofre um acidente e acorda dentro do bunker; tudo isso em uma sequência de abertura de tirar o fôlego.

Conhecemos Howard, um homem nervoso e mal-humorado interpretado por John Goodman, que ajudou Michelle e afirma que a está mantendo no bunker porque quer mantê-la viva. O mundo acabou em um ataque nuclear, é o que ele conta para ela e nos conta. Ele previu o apocalipse chegando e construiu um bunker para se proteger. Se ele está dizendo a verdade? Difícil responder. O filme nunca nos deixa formar uma ideia concisa sobre a verdade da história; só descobrimos a verdade quando o filme decide nos contar.

Para aumentar a tensão, existe uma terceira pessoa enclausurada no lugar. Emmett ajudou Howard a construir o bunker e correu para lá quando viu o mundo brilhando em chamas. Ele tem um braço machucado, resultado de sua tentativa de entrar no bunker. Isso é o que ele diz. Se ele está dizendo a verdade? Difícil responder. John Gallagher Jr. constrói um personagem bem-humorado, com ares de pessoa ingênua, o oposto de Howard, e mesmo com todas essas características, o filme se esforça em nos deixar na dúvida se ele é confiável ou não.

Rua Cloverfield, 10 faz um trabalho magistral ao contar sua história sob a estética de um pesadelo. Howard pode ser um salvador, mas pode ser um monstro. O bunker é um cativeiro, mas não parece tão ruim. O lugar tem uma vasta quantidade de livros, DVDs, músicas num jukebox, jogos, comida para alimentar várias pessoas durante anos, mas quanto tempo eles terão que ficar lá embaixo e como vão contar o tempo para saber quando talvez seja seguro sair? Os atores, a ideia, a narrativa, a direção, tudo é conduzido de forma bastante concisa e focada. Às vezes com um foco que beira o fanatismo. Não há truques para nos enganar ou dar sustos baratos. O filme é curto e segue em direção ao seu objetivo final sem pensar duas vezes. Não há sequer momentos de leveza; quando eles acontecem é para provocar ainda mais tensão.

Então vem o final. O. FINAL. Com uma reviravolta espetacular e imprevisível. E ainda assim, olhando para trás, para o Cloverfield de 2008, estabelecendo óbvias conexões. O próprio Howard dá a dica em determinado momento do filme… Primeira fase. Segunda fase. Esta última encerrada de forma brilhante. Mal posso esperar para ver a Terceira Fase.

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