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Primeiras impressões de animes de 2016 – Destaques da primeira temporada

Quem me conhece e me acompanha aqui no Nível Épico desde o começo sabe que sou um GRANDE fã de animes. Eu não seria o que sou e nada disso aqui seria o que é se não fosse pelas animações japonesas. Por isso abordo o tema sempre que posso. Normalmente assisto a muitos animes, e gostaria de escrever sobre todos, mas nem sempre consigo. Oremos para que em 2016 isso mude (rs).

A fim de contemplar esse meu gosto pessoal, que também é o gosto de muitos que acompanham o site, tenho certeza, começo agora a colocar em prática uma ideia que esteve me assombrando por anos e eu nunca levava para frente. Escrever sobre os destaques das temporadas de lançamentos dos animes no Japão. Atualmente estamos acompanhando os lançamentos da temporada de inverno japonês (de dezembro a março) e vários animes estão se destacando. Sobre eles que vou falar. Os animes que realmente valem a pena. OS DESTAQUES DA TEMPORADA. Começo com alguns que não recomendo, e depois passo para os que mais gostei por ordem de preferência. Espero que seja uma forma de você conhecer melhor as estreias e quem sabe decidir o que você quer ou não assistir. Agora vai.

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Primeiras Impressões de Animes de 2016

QUATRO QUE ASSISTI E NÃO RECOMENDO

Divine Gate: Anime ruim e que falha miseravelmente no excesso de pretensão. Começa com a tentativa de explorar uma linguagem poética para fazer o anime parecer denso e profundo, mas o resultado soa apenas vazio e tolo. Depois de assistir a alguns episódios a impressão é de uma história rasa de dramalhão excessivo disfarçada de jornada em busca de algo transcendental. Não é legal, não é instigante, não estimula nem nas poucas e fracas cenas de ação. Os personagens são entediantes e nem a animação ajuda.

Active Raid: O anime é, na verdade, uma espécie de tokusatsu. A ideia é legal, e o primeiro episódio até que diverte com o estilo que mistura Kamen Rider, Jiban e Cybercop. A história é simples e direta, sem embromação, e o foco é a ação galhofa desenfreada. Não recomendo (em parte). Se quiser dar uma chance, você pode encontrar um momento de diversão despretensiosa. Por outro lado, como você vai ver abaixo, existem tantos outros animes mais interessantes, que talvez valha mais a pena abstraí-lo. Eu estou abstraindo por isso. Adoro tokusatsus, e se eu quiser ver um, prefiro um tokusatsu de verdade ao invés de um anime que tenta ser tokusatsu. Se fosse um Karas da vida, até dava uma chance, mas não é o caso, então fiz a fila andar.

Musaigen no Phantom World: Muito fanservice, muito fanservice e muito fanservice. Isso é algo que hoje em dia tira um pouco meu interesse em um anime. Porque na maioria esmagadora das vezes o excesso de fanservice vem acompanhado de pouco (ou nenhum) conteúdo relevante. No caso desse anime, assisti a alguns episódios e, apesar do cenário com potencial interessante, nada teve de novo ou estimulante. Não empolguei para ver o resto.

Hai to Gensou no Grimgar: Ao que parece a premissa é a (que está ficando repetitiva) dos personagens que ficam presos em um jogo. Mas depois de quatro ou cinco episódios, isso não é confirmado totalmente, embora sejam oferecidos vários indícios. Os personagens não têm memória alguma de como chegaram ao mundo de Grimgar, que possui elementos clássicos de um cenário de RPG medieval. O foco da história é em quão inexperientes eles são. O tempo todo, e apenas isso. Depois de cinco episódios, pouco acontece de realmente impactante. Nem as implicações de atacar e matar os goblins, que parece ter um drama por trás (talvez eles sejam pessoas que morrem na vida real também) consegue instigar o bastante para manter o interesse. Então acontece uma coisa que deveria dar uma guinada na série, mas não gera mudanças que empolguem. O anime é muito bonito e colorido, e só. Depois de um tempo, o excesso de divagações cansa, os personagens cansam, o mundo cansa, o anime cansa.


Primeiras Impressões de Animes de 2016

SAIJAKU MUHAI NO BAHAMUT

Animação bonita e agradável, batalhas de mechas e com super-poderes impressionantes, grupo harém, protagonista faz-tudo e que todas querem. Não espere encontrar inovações em Saijaku Muhai no Bahamut. Na verdade o anime, inclusive, é MUITO similar a outro do ano passado com premissa semelhante: Rakudai Kishi no Cavalry. Até no fato do protagonista ser um “perdedor invencível” as premissas de ambas as séries se igualam. As coisas na história tomam um rumo diferente a partir do quarto e quinto episódios. O estilo de animação também usa bastante computação gráfica nos Mecha-Dragões, mas como mantém o estilo tradicional dos personagens quando estão nas armaduras de batalha, o visual não perde em qualidade ou atratividade.

O anime conta a história de Lux Arcadia, um ex-príncipe que vive fazendo trabalhos para as pessoas do Novo Reino depois que sua família foi destronada durante a revolução do passado. Ele acaba indo para uma escola que forma Drag-Knights, combatentes que usam armaduras tecnomágicas chamadas Mecha-Dragões. A vida de Lux se torna complicada porque a escola é só para garotas, e por ser o único garoto e um faz-tudo, todas o requisitam o tempo todo para as mais diversas tarefas e funções. Na verdade, pelo que vi até agora, ainda gosto mais de Rakudai Kishi no Cavalry, mas também estou curtindo Saijaku Muhai no Bahamut. O anime é simples, de altos e baixos, e personagens bastante arquetípicos. Não há grandes lapsos de criatividade. Apesar disso os personagens me conquistaram, especialmente quando começam a aprofundar a relação de Lux Arcadia e Krulcifer (que por enquanto é a personagem que me despertou mais interesse). Provavelmente a história vai tomar rumos diferentes nos episódios mais próximos do final, mas até a metade, está valendo a pena torcer por Lux e Krulcifer. No mais é divertido acompanhar as batalhas de Mecha-Dragões.


Primeiras Impressões de Animes de 2016

BUBUKI/BURANKI

Conhecido também como BBK/BRNK. O que me chamou a atenção neste anime foi a qualidade da animação e a premissa meio estranha que envolve robôs gigantes e magia. O primeiro episódio me deixou curioso o bastante para eu assistir ao resto, e já assisti até o quinto. Confesso que não esperava muito do anime, mas estou me divertindo, e isso é o que interessa no caso de Bubuki/Buranki. O anime não é revolucionário ou grandioso; é colorido, exótico e divertido. A história segue o jovem Azuma Kazuki quando retorna ao Japão depois de 10 anos. Ele na verdade é filho de Migiwa, uma mulher de grandes poderes sobrenaturais encarregada de impedir que os robôs gigantes vivos chamados Burankis despenquem de seu ninho nos céus. No passado Azuma viveu nesta ilha flutuante com a mãe, o pai e a irmã, mas foi lançado para a Terra após uma catástrofe. Por sua descendência, ele é atacado por pessoas que desejam obter o poder de Migiwa. Quando é salvo por Kogane Asabuki, uma portadora de Bubuki, Azuma descobre que o poder de seu Bubuki pode ser a única forma de livrar o Japão da ditadura imposta pela temida Reoko Banryuu.

A animação é do estúdio Sanzigen, com uma computação gráfica fluida e bem desenvolvida. Confesso que tenho um pouco de problemas com animes feitos em computação gráfica; são poucos os que me agradam, como Knights of Sidonia por exemplo, mas no caso de Bubuki/Buranki, a coisa funciona, especialmente no que diz respeito às “armas” Bubukis e aos “robôs gigantes” Burankis. Muitas vezes não dá nem para perceber a variação entre animação tradicional e em computação gráfica. Além disso o anime também é bastante estiloso, eu diria até extravagante na forma de seus personagens e elementos. Isso é o que me cativou. Gosto dessa ambientação colorida e excêntrica com um quê meio melancólico de busca por redenção ou salvação. Às vezes lembra um pouco Nausicaä. Às vezes lembra Final Fantasy X. Como eu adoro as duas coisas, não é de se estranhar que eu tenha me empolgado com o anime. A aberture “Beat Your Heart” de Konomi Suzuki passa bem o clima vibrante do anime e também reforça outro aspecto da história: o super sentai, com personagens coloridos se unindo para pilotar um robô gigante contra as forças do mal. Vale dar uma olhada (e isso não foi um trocadilho intencional com os Bubukis).


Primeiras Impressões de Animes de 2016

AJIN

Anime da Polygon Pictures, mesmo estúdio de Knights of Sidonia, o que me fez dar uma chance. Não obstante também está nas mãos do Netflix, e como você bem sabe, Netflix é vida! Ele foi licenciado direto para o Netflix, e está sendo disponibilizado no Japão alguns dias depois de ser exibido na televisão. No nosso Netflix ocidental, porém, só teremos o anime depois que ele terminar, nada muito diferente do habitual. Baseado no mangá de Gamon Sakurai publicado na revista good! Afternoon da Kodansha desde 2012. Atualmente possui sete volumes e segue em andamento. O anime gira em torno dos indivíduos chamados Ajins, que são capazes de voltar da morte. Kei Nagai é o protagonista, um aluno do ensino médio que morre em um acidente terrível e logo depois volta à vida. Ele começa a ser perseguido por ser um Ajin, e sem rumo, acaba sendo salvo por um amigo, Kaito. Sem saber para onde ir, eles seguem de moto para uma montanha deserta onde talvez consigam entender o que está acontecendo e se livrar de seus incansáveis perseguidores.

O caso de Ajin, até certo ponto, é parecido com Bubuki/Buranki: um anime em computação gráfica. Fiquei com um pouco de pé atrás para assistir, mas resolvi dar uma chance. Os primeiros episódios são lentos, meio contemplativos, só que não dizem muito sobre o que esperar dessa história. O foco parece ser basicamente sobre o drama do personagem principal, seus medos e angústias e como isso se manifesta por causa do poder de “enganar a morte”. O estúdio Polygon faz um bom trabalho, embora a animação de Ajin um pouco inferior à de Knights of Sidonia. O estilo da computação gráfica é um pouco rígido demais para a ambientação sombria de drama sobrenatural. Precisava de mais fluidez, mas é algo que dá para superar em prol da trama intrigante. O curioso é que, depois de assistir a dois ou três episódios, dá para perceber que o encerramento mostra as cenas das mortes de Kei ao longo da série. Por um lado, cria certo interesse pelos próximos episódios; por outro, é um tremendo spoiler. Assistir ao anime é conviver com isso. Boa sorte.


Primeiras Impressões de Animes de 2016

SHOUWA GENROKU RAKUGO SHINJUU

O prêmio de personagem MAIS ADORÁVEL da temporada vai para… YOTARO! Desafio você a não pensar o mesmo. Praticamente tudo nesse drama ambientado na Era Shouwa (que vai dos anos 20 até o final dos anos 80) funciona maravilhosamente bem. A história se passa por volta dos anos 1960 e acompanha um prisioneiro apelidado de Yotaro quando é libertado por bom comportamento. Ao retornar para o convívio em sociedade, tenta ganhar a vida como um bem humorado rakugo, uma espécie de contador de histórias. Yotaro logo conhece Yakumo, e encantado com o talento do contador de histórias, pede que ele o aceite como aprendiz. Nesta nova vida, Yotaro também conhece Konatsu, uma contadora de histórias que tenta se tornar uma artista como o falecido pai, mas precisa enfrentar as dificuldades de ser uma mulher nesse meio.

O grande charme deste anime é a forma como nos transporta para a época em que a história está sendo contada. A recriação da época é delicada e fascinante, no cenário, nos planos de transição, nos personagens e comportamentos. O Rakugo, estilo teatral japonês que ganhou bastante destaque depois da Segunda Guerra Mundial e não é tão conhecido no ocidente, dá um toque de beleza artística ao anime. O primeiro episódio possui uma duração maior (50 minutos) para se desenvolver devagar e nos permitir mergulhar na vida e no passado dos personagens. A inocência e sinceridade de Yotaro nos envolvem de tal forma que quando nos damos conta já estamos querendo acompanhá-lo por todo o restante da jornada. Impossível não torcer por ele. A dublagem de Tomokazu Seki é um espetáculo a parte! Muda de acordo com as atuações do personagem e casa muito bem com os movimentos da ótima animação do Studio Deen. O mais interessante de Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é que foge ao padrão de animes adolescentes do ensino médio. Gosto das histórias adolescentes, mas às vezes sinto falta de tramas mais adultas, e essa temporada de 2016 trouxe algumas boas novidades nesse sentido. O mangá original, de Haruko Kumota, é bastante elogiado, já foi indicado a prêmios e está entre os mais vendidos do ano passado; depois de assistir ao anime, consigo entender por quê.


Primeiras Impressões de Animes de 2016

DIMENSION W

Esse anime chamou minha atenção pela premissa e porque tenho o hábito de dar uma olhada nas aberturas antes de assistir para saber quão estimulado fico. Sou desses que julga anime pela capa. Abertura maneira com música maneira geralmente me atrai para uma anime. A abertura de um anime é quase como um trailer para mim. Dimension W te fisga já na abertura eletrônica e vibrante. O enredo se passa em um futuro quando se descobriu uma quarta dimensão chamada “Dimensão W” de onde é possível extrair energia infinita para abastecer o mundo através de dispositivos chamados Bobinas. A companhia New Tesla Energy detém o monopólio sobre esta energia. Algumas pessoas, contudo, modificam as Bobinas de forma ilegal para os mais diversos fins, normalmente criminosos. Kyoma Mabuchi é um caçador de recompensas que trabalha recuperando Bobinas ilegais e não gosta desta nova forma de energia e tecnologia, tanto que ele dirige um carro à gasolina e mora em um antigo posto de combustível. A vida de Mabuchi muda quando ele conhece Mira durante um trabalho. Ela é uma androide que também caça Bobinas ilegais e possui uma ligação complicada com os mistérios que cercam a New Tesla Energy.

A abertura é empolgante, mas assistir ao anime é mais empolgante ainda! Dimension W é baseado no mangá de Yuji Iwahara publicado na revista Young Gangan da Square Enix desde 2011. Atualmente tem oito volumes. A animação é do Studio 3Hz com direção de Kanta Kamei. A ambientação e os personagens são cheios de camadas que tornam o cenário futurista interessante e divertido. O apego de Kyoma ao passado é instigante, especialmente por ele ser muito fodão e praticamente imbatível, e o “choque cultural” de um cara antiquado como ele com uma androide serelepe como Mira cria situações sensacionais (e muitas vezes adoráveis). O quarto e o quinto episódios desenvolvem melhor a interação de ambos e ainda os coloca em uma trama que mistura a ficção científica da ambientação com elementos de terror fantasmagórico. Se eu já estava fascinado antes, nestes episódios fui cativado completamente. Adorei muito a série e vou seguir com ela até o final.


Primeiras Impressões de Animes de 2016

BOKU DAKE GA INAI MACHI

O. MELHOR. ANIME. DA. TEMPORADA. Até agora. Apenas isso seria o bastante para você sair daqui e ir correndo assistir ao anime, mas ele merece algumas palavras a mais. Porque, meudeusdocéu meudeusdocéu, fazia tempo que eu não ficava tenso, ansioso, angustiado e desesperado vendo um anime como fiquei com esse. O anime é da A-1 Pictures e conta a história do mangaká Satoru Fujinuma, que possui a peculiar habilidade de voltar cerca de cinco minutos no tempo quando uma situação ruim está para acontecer. Por causa deste poder de “Revival”, ele sempre acaba tentando consertar a situação para evitar que termine mal. O problema é quando ele se vê envolvido em uma trama de assassinato que está diretamente conectada com um acontecimento de sua infância, em 1988, quando sua colega de classe Kayo Hinazuki desapareceu misteriosamente e foi encontrada morta dias depois. Agora Satoru tem a chance de salvar Kayo da morte, só que mudar a história pode não ser tão simples quanto ele imagina.

Apenas pela sinopse você já deve ter entendido o porquê da tensão, ansiedade, angústia e desespero. Nos primeiros episódios somos levados à tentativa de Satoru de reverter um assassinato que nós já sabemos que aconteceu. Ou seja, você passa boa parte dos episódios torcendo para ele e ao mesmo tempo esperando pela hora que vai dá merda. Isso te deixa ansioso, mas é o que faz a série tão maravilhosa. O final do primeiro episódio já é um tapa na cara para nos deixar alucinados querendo ver os próximos. As emoções e dinâmicas dos personagens também são ótimas, porque ficamos o tempo todo tentando adivinhar quem pode ser o assassino. O anime tem bastante suspense e drama, tudo bem equilibrado, e é baseado no mangá de Kei Sanbe publicado na revista Young Ace da Kadokawa Shoten desde 2012. Atualmente conta com sete volumes e ainda está em andamento. O mangá é bastante elogiado e já ganhou vários prêmios, e para nossa completamente satisfação, o diretor Tomohiko Itou confirmou em entrevista que o anime terá o mesmo final do mangá. Para melhorar a abertura ainda é do Asian Kung-Fu Generation (que eu adoro!). Espero que me sobrem unhas no final.

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