Entretenimento

O futuro de Star Wars é bastante promissor mesmo que a Força não desperte

Star Wars

Muitos já vieram me perguntar nos últimos meses sobre o maior de todos os medos da cultura pop atual: e se Star Wars der errado? Eu, você, nós, vós, eles, todo mundo que vivenciou a estreia de Episódio I em 1999 ainda se lembra do hype em torno do filme. Muita gente ficou empolgada em níveis extremos e se decepcionou. Muitos adoraram na primeira vez que viram e alguns anos depois, se decepcionaram quando caiu a ficha. Muita gente hoje em dia tem medo que o hype de agora se repita na decepção de antes. Bem, a questão é que, agora, as coisas são muito diferentes daquela época.

Para começo de conversa é MUITO improvável que Star Wars: O Despertar da Força dê errado! Não acho que vai acontecer. De tudo que já vi de imagens, trailers, TV spots, materiais de divulgação, entrevistas, atores e realizadores, tudo parece incrível. Algo criado, pensado e construído levando-se em conta a história da franquia (erros e acertos) e as imensas expectativas dos fãs. Até porque, as pessoas que atualmente estão trabalhando nos filmes são também fãs, que cresceram com a trilogia clássica de Star Wars e vivenciaram (como nós vivenciamos) o hype e as decepções que vieram com a trilogia prequel. Eles sabem o que têm nas mãos e o que está em jogo.

Mas o cinema não se trata apenas de feeling e coração. Existem múltiplos outros fatores envolvidos. Como fã da saga, estou com a mente aberta para o que Star Wars tem de novo a me contar. Como fã de cinema, olho com certa frieza para o fato de que, apesar dos fãs e de toda a comoção, Star Wars ainda é uma franquia comercial que tem como um dos objetivos o lucro financeiro. Sem esse lucro, não teríamos nem sombra de continuações. Mas essas continuações já estão previstas e em desenvolvimento. Porque o lucro já está garantido. Resta agora, com a estreia do filme, a confirmação de que o coração da saga está lá para continuar nos cativando durante alguns bons e longos anos ainda. Independente de qualquer coisa há ainda um fator insuperável: Star Wars é STAR WARS e esse nome sempre será capaz de superar obstáculos e mover montanhas.

Mesmo que O Despertar da Força se revele um fracasso (e repito que acho difícil isso acontecer), nós ainda poderemos manter a esperança de que as coisas funcionem nos filmes futuros. Essa sensação é algo que não poderíamos realmente ter experimentado na época do Episódio I. George Lucas escreveu e dirigiu todas as prequels, de modo que, se A Ameaça Fantasma não se mostrou um bom filme em 1999, eram poucas as chances de que os dois filmes seguintes fossem diferentes a ponto de superarem os problemas do primeiro. Episódio III até alcançou um ponto melhor que os outros dois, mas é um fato que a trilogia prequel como um todo deixa muito a desejar, especialmente se comparada à trilogia clássica. A trilogia prequel teve apenas uma única mente criativa por trás dos filmes, e depois do Episódio I, dava para prever o que viria a seguir: muito efeito visual de ponta e uma história de caminhos duvidosos que embolavam vários elementos da mitologia em uma confusão desconexa. Não vou nem entrar na questão dos Midi-chlorians. Ou mencionar as mudanças e reformulações que Lucas fez na trilogia clássica em função da prequel. O que joga contra a trilogia prequel não são só os filmes, mas muito do que George Lucas fez depois (coisas que depõem ainda mais contra ele como cineasta).

Com a trilogia prequel, também tínhamos a questão de saber onde a história terminaria. Anakin Skywalker se torna Darth Vader. Sem mais. O que temos agora é um leque imenso de possibilidades, que não sabemos aonde vai dar. Cada filme pode construir sua própria história dentro do universo maior que é Star Wars.

O mundo é diferente, em uma época diferente, e George Lucas não tem quase envolvimento algum com a nova trilogia. Kathleen Kennedy e sua equipe de desenvolvimento da Lucasfilm estão trabalhando para redefinir a forma de contar as histórias de Star Wars pensando em múltiplas plataformas e meios de comunicação diferentes, e ela fez um excelente trabalho até agora trazendo cineastas talentosos para construir esse MUNDO NOVO em cima do legado deixado por Lucas. Adoro os filmes de J.J. Abrams, a visão que ele tem de histórias e personagens, e tenho muito respeito pela trajetória dele e pelo que ele construiu na cultura pop ao longo dos anos. Mesmo que O Despertar da Força seja decepcionante, ele não vai dirigir o próximo filme. O cargo será de outra pessoa. Entende aonde eu quero chegar? Basta pensarmos na própria trilogia clássica. Guerra nas Estrelas é um filme incrível, o ápice do trabalho de George Lucas. O Império Contra-Ataca é um filme muito melhor, escrito e dirigido por outras pessoas (Leigh Brackett e Lawrence Kasdan no roteiro, Irvin Kershner na direção). Se a trilogia prequel tivesse feito essa dança das cadeiras as coisas talvez fossem diferentes.

Agora essa é uma realidade da franquia, e mesmo que as coisas eventualmente falhem, o que vier a seguir pode manter a esperança e a chama de Star Wars acesa. O Episódio VIII terá direção e será escrito por Rian Johnson, cujos filmes também possuem uma qualidade admirável (A Ponta de um Crime, Vigaristas, Looper), o que me faz acreditar que Episódio VIII também tem grandes chances de ser um ótimo filme. Se O Despertar da Força der errado, o Episódio VIII pode ser uma chance de redenção. Se der certo, o mais provável, vai ser interessante esperar e ver como Johnson vai construir sua obra em cima dos elementos trazidos por Abrams para o universo da saga.

O Episódio IX também gera expectativa. Muita gente pode ter chiado com Jurassic World, mas eu me diverti horrores vendo o filme. Colin Trevorrow é o diretor do Episódio IX, com roteiro que também será escrito por Johnson. O que eu vejo são boas possibilidades de algo grande para o fechamento dessa nova trilogia. O bastante para me deixar animado em acompanhar a saga pelos próximos anos para saber aonde ela vai chegar.

Some a isso os spin-offs. Star Wars: Rogue One, dirigido por Gareth Edwards, é tecnicamente uma prequel com ideias promissoras; é apenas um de vários outros filmes e projetos paralelos que estão sendo pensados e desenvolvidos, como a série animada Star Wars: Rebels, que possui o espírito da trilogia clássica e vem crescendo a cada episódio.

Kathleen Kennedy está se mostrando uma mulher de visão ilimitada, cheia de planos para incluir realizadores de diferentes tipos e pontos de vista nos projetos futuros da franquia, além de estar trabalhando sob a perspectiva da diversidade. O destino de Star Wars parece estar em boas mãos e estamos acompanhando apenas o primeiro capítulo desta nova saga. Ainda há muito que contar, e com tantos nomes diferentes envolvidos, abre-se uma galáxia de possibilidades para um futuro grandioso. Mesmo que o Episódio VII falhe, ainda teremos o Episódio VIII e esse poderá ser algo melhor. O contrário também poderia acontecer. Mas claro que prefiro ser otimista. Sempre vou preferir ser otimista. Porque Star Wars me ensinou a acreditar sempre em UMA NOVA ESPERANÇA.

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Aperte o Play