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Agente da UNCLE

Na década de 1960, dois agentes secretos até então inimigos, o norte-americano Napoleon Solo (Henry Cavill) e o russo Illya Kuryakin (Armie Hammer), são forçados a trabalhar juntos em uma missão contra uma misteriosa organização que está contrabandeando armas nucleares pelo mundo. Os dois dividem a ação com Gaby Teller (Alicia Vikander), que é recrutada para fazer parte da equipe por ter um papel importante a desempenhar na missão.

(The Man From UNCLE) – Ação. Estados Unidos, 2015.

De Guy Ritchie. Com Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander, Hugh Grant, Elizabeth Debicki e Jared Harris. 116min. Classificação: 14 anos.

Agente da UNCLE


AGENTE DA UNCLE – RESENHA

Agente da UNCLE é baseado em uma série de espionagem exibida de 1964 a 1968 nos Estados Unidos, que também ficou muito famosa no Brasil, lembrada com saudosismo por quem cresceu nas décadas de 60 e 70, e pouco conhecida por muitos jovens de hoje em dia. A série contou com quatro temporadas, sendo que a primeira era em preto e branco, e tinha contribuição criativa nos primeiros episódios de Ian Fleming, criador de James Bond.

A história, estabelecida na Europa durante a Guerra Fria, presta homenagens às várias influências da série original e do próprio filme, como o supracitado Ian Fleming e John le Carré, mas não se prende a elas; na verdade, apenas as usa como uma bela desculpa para construir uma aventura de espionagem no melhor estilo anos 60, com tomadas e jogos de cena antiquados, e perseguições ousadas por ruas sinuosas e iluminadas por um leve toque de glamour nostálgico. Agente da UNCLE não é excessivamente sisudo como James Bond seria, nem traiçoeiro como um espião de le Carré seria. Ao invés disso, ele é mais vibrante e irreverente. E não se apega demais à política. O que importa é o pulp.

Com uma trama de espionagem, deslealdade, brigas de casal (entenda “casal” como você quiser) e uma bomba nuclear que pode destruir o mundo, somos levados em uma viagem de Berlim a Roma enquanto um agente norte-americano e um agente russo são manipulados por seus chefes em um jogo provocante, que apesar de às vezes se sentir como uma paródia, o tempo todo acena para nós com uma piscada de olhos para as sutilezas do estilo de Guy Ritchie. O diretor de filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch e Sherlock Holmes impõe seu estilo em cada parte do filme.

O tipo de ação e humor que Ritchie usa é facilmente reconhecível, e ele faz mais ou menos o que fez com Sherlock Holmes: pega uma ideia de uma série antiga, moderniza e brinca com ela, mas mantém a essência e o charme do original. O roteiro co-escrito por Lionel Wigram, que se passa um ano ou dois depois da Crise dos Mísseis de Cuba, é construído com a intenção de contar uma história de origem para a UNCLE, algo que a série de TV original nunca chegou a explicar. O objetivo, obviamente, é transformar Agente da UNCLE na primeira parte de uma franquia, assim como com Sherlock Holmes.

A grande força motriz da história, contudo, é a relação de farpas e companheirismo relutante dos agentes de Henry Cavill e Armie Hammer. Sem a química incrível entre os dois, o filme não seria possível. O carisma deles se complementa e se choca de forma impressionante; um é de uma placidez irritantemente divertida, e o outro de uma robustez inconvenientemente charmosa. Coloque os dois em uma boutique para discutir se um cinto Paco Rabanne combina com Dior, e voilá, você está fisgado e querendo saber aonde eles vão chegar.

As histórias da série original misturavam ação e humor numa espécie de sátira aos romances de espiões, que faziam bastante sucesso na época, usando de gadgets e ideias mirabolantes e recrutando pessoas comuns para cada missão. O elemento de “recrutar pessoas comuns” parece ter sido mantido com a personagem de Alicia Vikander. A atriz, que vem ganhando destaque ultimamente com performances impressionantes em filmes como O Amante da Rainha, Anna Karerina e Ex Machina, aproveita cada oportunidade para brilhar como Gaby Teller. Enquanto Cavill e Hammer trabalham com personagens clássicos da série de TV adaptados para o filme, ela surge como uma personagem criada exclusivamente para o filme e com liberdade para fazer frente ao conturbado bromance dos outros dois. Vikander cria uma personagem feminina forte em muitos aspectos, que vai muito além de ser a donzela que precisa ser resgatada pelo mocinho (embora seja resgatada algumas vezes). Com autonomia para ser um espetáculo a parte, ela dança na cara da sociedade. Ou melhor, do Armie Hammer.

Agente da UNCLE não reinventa o gênero de filmes de espionagem, nem tenta fazê-lo; em vez disso, confia em experiências e conceitos que o próprio gênero explorou para construir bases fortes para uma franquia que pretende ter sua própria marca. Guy Ritchie conecta esses elementos em um filme cativante e divertido, quase como uma declaração de amor às histórias de espiões dos anos 60. Não se trata apenas de ser um espião com licença para matar; trata-se também de ser um espião de sutilezas, e de qualidades agradavelmente analógicas diante de um mundo quase que totalmente digital.

Agente da UNCLE

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