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Sangue Mágico

Se não fosse pela magia, Atlanta seria uma boa cidade para se morar. A magia chega como uma onda e tudo para de funcionar: os carros não ligam, as armas se tornam inofensivas. No momento seguinte, a energia já se dissipou e a tecnologia reassume o controle, fazendo com que os feitiços de proteção já não sejam capazes de defender a sua casa da ameaça de monstros. Nesse mundo de arranha-céus derrubados por magia, homens-animais e necromantes que controlam vampiros, Kate Daniels tenta ganhar a vida como mercenária. Seu sangue a torna um alvo e, por isso, ela passou boa parte da vida escondida em meio à multidão. Quando seu guardião é assassinado em circunstâncias misteriosas, ela decide sair do anonimato para encontrar o assassino antes que ele faça novas vítimas.

(Magic Bites) – Fantasia. Estados Unidos, 2007.

De Ilona Andrews. Com os personagens Kate Daniels, Curran Lennart, Jim Shrapshire, Derek, Saiman, Dr. Crest, Bono e Ghastek. Editora Saída de Emergência. Tradução: Flavia de Lavor. 256 páginas.

Sangue Mágico


SANGUE MÁGICO – RESENHA

Kate Daniels é a heroína dessa história, uma mercenária dura na queda que não sabe medir suas palavras. Ao contrário do que acontece em muitas fantasias urbanas com protagonistas femininas, Sangue Mágico não a estabelece com foco excessivo em um romance; há situações de romance, mas elas são tratadas com sutileza, de forma razoavelmente distante dos objetivos principais da história. Magia e ação são os elementos principais da trama, e é assim que o livro transcorre até o final. Ilona Andrews, que na verdade é o pseudônimo usado pelo casal Ilona e Andrew Gordon (uma russa formada em bioquímica e um ex-sargento de comunicações do exército americano que se conheceram na faculdade nos Estados Unidos), tenta evitar estereótipos ao criar uma personagem que atrai todas as atenções quando entra em algum lugar, atira primeiro, pergunta depois, e lida de forma terrível com as consequências de seus atos. Kate é uma personagem interessante por isso, e também é a grande força da história.

Além da protagonista carismática, Sangue Mágico é uma fantasia urbana padrão, com algo a acrescentar nas primeiras páginas, mas relativamente previsível no restante; um mundo onde existe um conflito entre duas forças sobrenaturais é ameaçado por uma terceira força que deseja tomar o poder e dominar as outras duas. O mistério que move a trama principal não é um segredo particularmente eficiente ou surpreendente; não é difícil descobrir quem está manipulando as cordas por trás dos panos.

O cenário é tão intrigante quanto limitado. Usando pontos de referência reais de Atlanta de forma meio desordenada, como se fosse uma cidade depois de um apocalipse mágico, Andrews constrói um mundo de ondas mágicas, que aumentam e diminuem de forma imprevisível a quantidade de magia ao redor, frequentemente afetando armas e veículos, de modo que existem itens puramente tecnológicos e itens adaptados para funcionar quando a magia está em alta. Algumas criaturas sobrenaturais fogem ao convencional, e isso é interessante. Os vampiros, aqui, não são criaturas sencientes; são apenas um meio para um fim, uma ferramenta usada por necromantes.

Ainda que sejamos inseridos em ideias inventivas para essa Atlanta fantástica assolada por oscilações entre magia e tecnologia, nunca somos levados a conhecer o cenário mais profundamente do que em pinceladas superficiais e, muitas vezes, confusas sobre alguns elementos que poderiam ser melhor explorados. Outra coisa que incomoda é que a magia é tratada de forma simplista demais. Sempre que Kate usa uma magia, ela diz simplesmente que “recitou o encantamento” quando na verdade o encantamento poderia ter sido efetivamente mostrado em uma linha de diálogo enquanto ela o recita, de modo a criar um clima maior para a personagem e o cenário em si. A ideia das palavras mágicas é boa, mas a forma como a magia é trabalhada na história muitas vezes parece preguiçosa.

A própria Kate nem sempre funciona tão bem quanto deveria. Ela é uma personagem apresentada como impulsiva, mas inteligente; em alguns momentos, ela fica em apuros por causa da boca grande, sofre as consequências ruins disso, e ao invés de aprender com o erro, algumas páginas depois está cometendo o mesmo erro bobo e sofrendo as mesmas consequências ruins. Esse excesso de impulsividade que leva a problemas e mais problemas às vezes parece forçado, e em alguns momentos, não contribuem realmente com o andamento da história e ainda fazem uma personagem badass parecer uma tola estúpida (o que não é muito legal). Ainda assim, no fim das contas, o livro funciona por causa da protagonista. A narrativa em primeira pessoa concede charme ao cenário e aos acontecimentos, graças à visão de mundo de Kate. Ela garante o divertimento da história. Para um primeiro livro que não é longo ou de leitura difícil, é um bom começo. Como se trata do primeiro livro de uma série, acredito que o universo de Kate Daniels deve ser melhor desenvolvido nos livros seguintes.



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