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Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza

Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza

Nível Esforçado

Muito cabelo azul, pouco super poder

(Dragon Ball Z: Fukkatsu no F) – Ação. Japão, 2015. De Tadayoshi Yamamuro e Akira Toriyama. Com os personagens Goku, Vegeta, Bulma, Kuririn, Tenshinhan, Piccolo, Gohan, Mestre Kame, Jaco, Bills, Whis e Freeza (vozes brasileiras de Wendel Bezerra, Alfredo Rollo, Tânia Gaidarji, Fábio Lucindo, Luís Antônio Lobue e Carlos Campanile). 93min. Classificação: Livre.

Dragon Ball se tornou conhecido e aclamado por suas lutas espetaculares, suas piadas agradáveis e seus personagens carismáticos. Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza aproveita bem estas qualidades que fizeram o anime tão famoso, e em alguns aspectos, lembra um pouco o décimo segundo filme da franquia, O Renascimento da Fusão, quando inclusive Freeza volta do mundo dos mortos por alguns minutos e é sumariamente derrotado por Gohan. (Esse é o filme com o vilão Janemba, lembra dele?)

Algum tempo depois dos acontecimentos de Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, dois antigos membros do exército de Freeza chamados Sorbet e Tagoma (criados por Akira Toriyama especialmente para o filme) chegam a Terra com o objetivo de reunir as Esferas do Dragão para reviver seu líder e se vingar dos Saiyajins. Quando Freeza invade a Terra, os Guerreiros Z mais uma vez se juntam para enfrentar a ameaça do terrível vilão, que agora parece mais poderoso do que nunca.

A jogada criativa do filme é recuperar Freeza para a história. Ele é um personagem bem conhecido e desenvolvido, e por isso mesmo, não precisa ser apresentado. Basta ressuscitá-lo e levá-lo para a ação que está tudo certo. Qualquer um que conhece um mínimo de Dragon Ball, e talvez até quem não conheça, sabe quem é Freeza. Cruel e impiedoso como sempre, o infame vilão retorna com um teor mais cômico, e carregado de nostalgia, tanto pelas lembranças que ele tem das batalhas passadas com Goku e Trunks como pelas descobertas depois de tanto tempo fora, como saber que Gohan agora é capaz de se transformar em Super Saiyajin. Com o vilão já estabelecido, o filme foca em outras coisas, como a participação especial de Jaco o Patrulheiro Galáctico, personagem principal de outro mangá criado por Akira Toriyama, que é uma prequel de Dragon Ball.

Jaco fez sua primeira aparição em um jogo de videogame de cartões japonês chamado Dragon Ball Heroes e depois em um mangá curto de 11 capítulos lançado por Toriyama em 2013, cuja história se passa dez anos antes do início de Dragon Ball. No mangá, Jaco cai na Terra enquanto persegue um Saiyajin enviado para destruir o planeta. Ao longo de suas aventuras, ele conhece Bulma ainda com cinco anos de idade, e ela o ajuda a consertar a nave em que ele viajava. Quando Jaco é apresentado em O Renascimento de Freeza, ele está procurando Bulma para avisá-la sobre a ameaça do vilão recém-ressuscitado, e bajular a velha amiga um pouquinho (você sabe, né? Ele ama a Bulma, eu amo a Bulma, você ama a Bulma, nós amamos a Bulma… ela continua sendo a única e soberana dona de TODOS os corações em Dragon Ball, e isso nunca vai mudar!… huuum, morangos)

Outra sacada de Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza é que Goku e Vegeta, inicialmente, estão fora dos acontecimentos principais da história, o que permite ao filme construir uma tensão interessante na narrativa. Enquanto Goku e Vegeta treinam com Whis e Bills no planeta do deus da destruição — os dois personagens que foram introduzidos no filme A Batalha dos Deuses —, Freeza é ressuscitado por lacaios de seu antigo exército e vem para a Terra em busca de vingança, ao som frenético da música “F” da banda Maximum The Hormone. Toriyama contou em uma entrevista que escolheu o título do filme por causa da música, e que a trama é baseada em ideias que ele gostaria de ter usado no mangá original.

O diretor Tadayoshi Yamamuro, que também trabalhou com Toriyama em A Batalha dos Deuses, faz um bom trabalho ao justapor a ameaça da invasão de Freeza com a vida tranquila que os Guerreiros Z estão levando na Terra durante estes tempos mais pacíficos. A cena em que Kuririn é interrompido em seu (inesperado) trabalho além de ser divertida pra caramba é uma boa antecipação das incríveis batalhas que estão por vir.

Quando as tropas de Freeza invadem a Terra, o filme chega a seu MELHOR momento. Uma vez que Goku e Vegeta não estão na Terra para lutar, são os outros Guerreiros Z que precisam enfrentar a ameaça. Em uma sequência de mais de dez minutos de pura porradaria, Kuririn, Tenshinhan, Piccolo, Gohan e Mestre Kame lutam contra centenas de soldados do exército de Freeza e chutam as bundas deles no melhor estilo Dragon Ball Z.

Animada com perfeição, a cena oferece a cada personagem um momento para brilhar, nos lembrando dos melhores momentos da série de televisão, quando os Guerreiros Z se reuniam para enfrentar seus inimigos em combates de socos e chutes borrados, voos rasantes pela tela e técnicas de luta espetaculares. Bons tempos de Dragon Ball Z. Jaco também luta e é uma participação sensacional, por ser alguém que luta sem poderes mirabolantes, e por fazer poses impagáveis quando vence.

A luta dos Guerreiros Z é o ponto alto do filme, seu momento mais emocionante e mais digno de tudo que Dragon Ball sempre teve a oferecer. Depois disso, Goku e Vegeta chegam ao campo de batalha, e o foco muda para luta entre eles e Freeza, em esquema de revezamento, um muito de Goku, e um quase nada de Vegeta. Essa luta também é divertida, mas depois da sequência maravilhosa de batalha com os Guerreiros Z, ela acaba parecendo meio perdida e forçada no contexto da história. Freeza é o maior vilão de Dragon Ball, treinou para ficar mais forte e conquistar sua vingança, adquiriu uma nova forma, e mesmo assim, em momento algum da batalha, ele parece uma ameaça real para Goku. A luta contra Freeza tem algumas surpresas, e ainda assim, parece que fica faltando alguma coisa.

SPOILERS: ATENÇÃO! A partir desse ponto, o texto contém spoilers sobre o enredo de Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza. Se você não quiser saber detalhes cruciais sobre o filme, pare agora e volte apenas depois de assisti-la. Agora se você não se importa de ler spoilers, continue por sua conta e risco.

O fato de Vegeta ficar de fora durante boa parte da luta incomoda, e a forma como as coisas acontecem quando finalmente ele entra na batalha é ainda mais problemática porque reduz a relevância de um dos personagens mais icônicos de Dragon Ball Z na história. Outro problema é a decisão de incluir mais uma transformação de Super Saiyajin, o chamado “Super Saiyajin Deus Super Saiyajin”, que é uma evolução do Super Saiyajin Deus que aparece em A Batalha dos Deuses. Sério, de verdade, só o nome da transformação já é ridículo. E preciso dizer que o cabelo azul torna a ideia ainda mais forçada e vergonhosa. Além disso, O Renascimento de Freeza comete um erro parecido com o que Dragon Ball GT cometeu ao criar a transformação em Super Saiyajin 4 e permitir que esse nível (extremamente superior) de poder fosse alcançado até mesmo por alguém que não precisou passar por todo o processo de poder e dificuldade que envolve um Saiyajin se transformar em um Super Saiyajin de nível elevado.

Uma das grandes marcas de Dragon Ball Z, e uma das razões que tornou os Saiyajins tão icônicos, é que eles eram capazes de se transformar em Super Saiyajin, uma forma de batalha lendária, que não podia ser conquistada facilmente. Ainda que novos personagens tenham conquistado o poder de Super Saiyajin ao longo do anime, havia um limite de três grandes transformações, com uma ou outra variação na forma e no poder de acordo com o personagem que usava, sendo que a forma de Super Saiyajin 3, a mais poderosa de Dragon Ball Z permanecia reservada apenas à Goku (Goten e Trunks só conseguiam assumir o SSJ3 por causa da fusão, e isso era tratado como um efeito especial da fusão, não algo que eles conseguiriam fazer separados um do outro). Ao longo de treze filmes essa premissa foi mantida, sempre trabalhando os Saiyajins dentro das transformações que eles eram capazes de fazer. Os dois últimos filmes, no entanto, lançaram duas novas transformações, e isso parece forçar a barra para criar epicidade. Esse excesso no uso das transformações de Super Saiyajin faz com que o poder não pareça tão especial. O charme de um dos maiores elementos da mitologia de Dragon Ball Z simplesmente se perde em um maldito cabelo de cor azul.

Entre os erros e os acertos, Dragon Ball Z: O Renascimento de Freeza consegue ser bem sucedido principalmente por causa do humor despretensioso e do tipo de ação emocionante que relembra o que Akira Toriyama construiu ao longo das últimas três décadas de anime e mangá. O filme encarna de forma cativante o que há de melhor no universo de Dragon Ball Z. Se não fosse pela batalha final anti-climática e algumas artimanhas desnecessárias do roteiro, talvez fosse perfeito. Com uma nova série de anime prestes a ser lançada, talvez seja uma boa ideia os realizadores pensarem um pouco no equilíbrio que devem manter para alguns elementos importantes da mitologia e do universo, afinal, depois de tantos anos, queremos que Dragon Ball Super seja realmente Super, e com cabelos loiros.

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