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Jurassic World

Nessa continuação do clássico Jurassic Park, a Isla Nublar finalmente está funcionando como um parque temático, com clientes pagantes passeando pelas instalações e curtindo espetáculos aquáticos com os dinossauros. Owen (Chris Pratt) e a cientista Claire (Bryce Dallas Howard) são responsáveis pela manutenção das coisas no parque, que agora pertence à Masrani, uma empresa de telecomunicações que foi criada em 1973 por Sanjay Masrani, cujo filho Simon (Irrfan Khan) assumiu em 1992, após o falecimento de Sanjay. O filme se passa 22 anos depois de Jurassic Park, quando alguma coisa dá errado no parque, e os visitantes começam a ser caçados por dinossauros carnívoros que escaparam de suas jaulas.

(Jurassic World) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2015.

De Colin Trevorrow. Com Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, Nick Robinson, Ty Simpkins, Vincent D’Onofrio, Jake Johnson, Omar Sy e Judy Greer. 124min. Classificação: 12 anos.

Jurassic World


JURASSIC WORLD – RESENHA

“Ninguém mais se impressiona com dinossauros”, assim Bryce Dallas Howard demonstra o distanciamento de sua personagem, Claire, no início do filme. Um distanciamento que muitos possuem quando se trata de histórias surreais e/ou que envolvam dinossauros. Interessante notar como Jurassic World brinca o tempo inteiro com as ideias que o fizeram existir e com a forma com as encaramos hoje em dia. Um dos grandes elementos de Jurassic Park, o original, é o ceticismo e a superação do ceticismo. Depois de duas continuações fracas, o ceticismo sobre Jurassic World era grande. Será que alguém ainda tinha empolgação para um novo filme de dinossauros, depois de dois filmes que não deram certo? Eu considero Mundo Perdido e Jurassic Park III divertidos, mas eles são muito inferiores ao original.

Não é o caso de Jurassic World. Não há razão para ser cético com relação a ele. O filme é impressionante; tem valor por si só e como parte do universo de Jurassic Park. Há 22 anos, Steven Spielberg brilhantemente deu vida a essas criaturas pré-históricas inspiradas no livro de Michael Crichton, em que a tentativa de criar um parque temático de dinossauros acaba em desastre. O complexo de deus também é um tema da franquia, e um dos lugares de onde vem esse complexo é justamente o ceticismo. Ser cético quanto aos perigos de se criar algo que não deveria ser criado; que deveria estar extinto. Jurassic World também aborda essas questões, evoluindo um pouco mais o alcance de seus questionamentos ao inserir manipulações genéticas do DNA de dinossauros para criar algo híbrido e maquinações de militares para transformar dinossauros em potenciais armas para guerras. Em alguns momentos do filme, me peguei pensando em como esses interesses poderiam levar a um futuro apocalíptico parecido com Cadillacs and Dinosaurs (seria divertido!, e esse sou eu, viajando, porque não curto muito esse lance de ceticismo). Não importa o que digam, ou o que for, dinossauros são divertidos! DIVERTIDOS PRA CARAMBA! Jurassic World também faz questão de nos lembrar disso. O tempo todo. Ele não quer que sejamos céticos.

O diretor Colin Trevorrow aborda todas essas questões com zelo, trabalhando seu filme em cima das ideias lançadas anteriormente, e construindo um blockbuster absurdamente eficiente: emoções antiquadas, heroísmo e romance, tudo envolto por uma redoma de inteligência e auto-conhecimento; um grande feito para um diretor sem grandes experiências cinematográficas.

Ao contrário primeira continuação, Mundo Perdido, de 1997, Jurassic World evita reciclar ideias e personagens do Jurassic Park original, finalmente alcançando a visão concebida por John Hammond (Richard Attenborough), o bilionário que primeiro sonhou com um parque temático cheio de dinossauros pré-históricos. Voltando para Isla Nublar, encontramos o parque aberto ao público há uma década e funcionando a todo vapor; mas precisando se renovar para manter o interesse do público ativo. O parque e o filme se misturam em seus conceitos e ideais, e não se envergonham disso. Assim nasce a grandiosidade que precisa renovar esse interesse, o Indominus Rex (Jurassic World), que fora de controle, precisa ser contida por forças tradicionais e pré-estabelecidas (vindas de Jurassic Park, e que ainda mantêm sua magia, mesmo depois de anos, porque os clássicos têm grande força e nunca morrem).

Em um dia de divertimento no parque, acompanhamos os dois sobrinhos de Claire, o adolescente transbordando de hormônios Zach (Nick Robinson), e seu irmão mais novo fascinado por dinossauros Gray (Ty Simpkins), que são bem estabelecidos no enredo. O filme se esforça para construir uma relação entre eles, de modo que, quando menos esperamos, estamos preocupados com a segurança deles, e nos importamos com eles quando estão em perigo. Para salvar o dia em grande estilo badass surge Owen (Chris Pratt), cujo trabalho é APENAS domar Velociraptors. ~ Sério!, eu poderia parar de escrever por aqui, e simplesmente dizer… cara, ELE DOMA VELOCIRAPTORS! Isso por si só já é foda o bastante!, não precisa de mais nada! Mas eu ainda tenho algumas coisas para escrever, então continua comigo mais um pouco. ~

Pratt tem um quê de Steve McQueen enquanto corre ao lado dos raptors com sua motocicleta; às vezes tem algo de David Attenborough, famoso naturalista britânico que é irmão mais novo de Richard Attenborough (e essa similaridade não é pura coincidência); e em muitos momentos nos lembra de Indiana Jones, porque os toques do estilo Steven Spielberg estão presentes e evidentes em cada parte do filme.

Claire se junta a ele, ainda que meio relutante, quando precisa encontrar os sobrinhos no caos que o parque se torna quando o Indominus Rex escapa. Bryce Dallas Howard possui um quê das heroínas dos filmes de aventura das décadas de 80/90, mas não fica apenas esperando ser salva pelo mocinho; ela participa da ação e da correria a sua maneira. Para Howard, é até um pouco mais complexo, já que precisa passar pelo arco de ser uma carreirista de coração frio que deve encontrar força de espírito para salvar os sobrinhos e sobreviver. E ela o faz sem descer do salto (literalmente). Jurassic World brinca com o fato de Claire ser vista como uma mulher sempre altiva e calculista, que não se deixa vencer, “não desce do salto”, e não deixa que ela desça do salto o filme inteiro, mesmo tendo que fugir de um dinossauro gigante assassino. Ela foge e corre, de salto, e eu sinceramente tive que bater palmas para isso (sabe como é difícil para uma mulher andar de salto alto? Agora imagina isso fugindo de dinossauros… porra! A mulher é foda!) Uma coisa interessante é que os sapatos de salto alto são nitidamente deixados de propósito na personagem. Durante toda a correria, ela poderia tirá-los e jogá-los fora, e nós esperamos que ela faça isso, mas ela não o faz. Isso é uma brincadeira para sutilmente nos dizer que, mesmo se tornando uma pessoa mais amável e calorosa por seus sobrinhos, Claire ainda possui frieza o bastante para tomar decisões certas nas horas necessárias e fazer o que é preciso; vide o final, quando ela tem a ideia que salva a vida de todos, e leva a história a um desfecho apoteótico (eu também bati palmas e gritei alguns palavrões nesse final! Putaquepariu!)

Ajuda no charme dos personagens o fato de que Trevorrow não se priva de explorar arquétipos clássicos, tanto que a troca de farpas entre Pratt e Howard é mais agradável do que ofensiva. Em muitos momentos, lembra justamente a relação de Indiana Jones e Marion Ravenwood, em Os Caçadores da Arca Perdida e O Reino da Caveira de Cristal. O romance é tratado de forma simples, rápida, com momentos esporádicos de afeto mútuo, que torna a relação deles divertida em meio ao caos que precisam enfrentar, principalmente fundamentada na confiança que um precisa ter no outro para que todos saiam vivos no final.

Trevorrow conduz a história e seus personagens com firmeza, sem se aproximar muito da atmosfera de horror do Jurassic Park original e mantendo a violência contida para se adequar às requisições atuais de classificação indicativa; ainda assim, ele mantém o clima de tensão e urgência, oferecendo sequências de ação e perseguição espetaculares até chegar ao incrível desfecho no melhor estilo Godzilla (já falei que o final é foda? Pois é.) A mistura de efeitos animatrônicos práticos e computação gráfica é simples o bastante para reconhecemos o estilo visual dos filmes anteriores. Jurassic World reconhece o valor de respeitar o que veio antes, e nós vemos isso ao longo de todo filme, não apenas no estilo, como também na forma como ele acena para referências de Jurassic Park quando nos mostra objetos e elementos do parque original, envelhecidos e perdidos em meio ao novo parque. Coisas novas são criadas, e isso não diminui o valor das antigas; o clássico continua a existir, co-existindo com o novo. Essa também é a magia de Jurassic Park. Ninguém mais se impressiona com dinossauros? Pense de novo.

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