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Boyhood

Filmado durante 12 anos com os mesmos atores, o filme conta a história de Mason (Ellar Coltrane) desde sua infância até o ingresso na faculdade, com as alegrias e dificuldades de sua juventude.

(Boyhood) – Drama. Estados Unidos, 2014.

De Richard Linklater. Com Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke e Lorelei Linklater. 2h45min. Distribuidora: Universal Pictures. Classificação: 14 anos.

Boyhood


BOYHOOD – RESENHA

Muitos apostam no futuro do cinema numa forma de experiência única, com efeitos especiais, som potente, tela grande e óculos 3D. Para isso, os orçamentos ficam cada vez mais estratosféricos, com pouca chance de arriscar, pois erros não podem ser cometidos. No entanto, muitas vezes basta uma boa ideia, ainda que singela, para demostrar que o verdadeiro poder da sétima arte é tocar fundo nas emoções do público.

E singelo é talvez o melhor adjetivo para qualificar Boyhood. O novo filme de Richard Linklater parte de uma premissa simples – acompanhar a vida de um garoto da infância até a vida adulta – para se tornar uma obra cinematográfica única e extremamente marcante.

Assim, começamos conhecendo a vida de Mason (Ellar Coltrane) aos cinco anos, quando seus pais vivem uma crise de casamento e estão para se divorciar. A partir daí vamos acompanhando seu crescimento, atravessando dificuldades familiares, entrando na puberdade, descobrindo o amor e amadurecendo.

Em certo sentido é até uma trama banal, não muito diferente da vida de qualquer garoto de classe média. Mas é justamente nisso que reside a beleza da obra. Qualquer um pode se identificar, seja no papel do filho ou dos pais, quem sabe até mesmo com todos. E enquanto o filme é projetado na tela, cada membro da plateia vê sua própria vida passar diante dos olhos. Inevitável lembrar da sua própria juventude, dos erros cometidos, dos momentos de briga e também de alegria com a família e com os amigos.

Portanto, o enredo não pretende apresentar surpresas. Ao contrário, é sempre o sentimento de identificação que move a trama. O argumento de que se não fosse filmado pelos mesmos atores ao longo dos anos, não haveria nada demais, não faz sentido, pois é justamente a passagem do tempo o objeto do filme. Mal comparando, é como dizer que Jurassic Park é ruim porque mostra animais que não existem.

Fundamental para fazer tudo funcionar é a atuação de Patricia Arquette no papel da mãe do garoto. A atriz adiciona uma profundidade à personagem que torna crível todas as situações à sua volta. Ethan Hawke, no papel do pai, também está bem, mas até pelo tempo de tela não chega a ser tão marcante, embora consiga uma boa relação de pai e filho que amadurece ao longo do tempo.

Em alguns momentos, contudo, o filme é bastante lento, o que não chegaria a ser um incômodo se não fosse a longa duração do mesmo. Talvez uns 20 minutos a menos desse mais força à obra como um todo, evitando a sensação de “barriga” em certas cenas. Mas isso é algo menor em relação aos muitos acertos.

Com Boyhood, Linklater nos lembra o motivo de amarmos o cinema: um bom filme é uma experiência única, uma espécie de catarse onde podemos avaliar a nós mesmos e o mundo a nossa volta. E a utilização criativa da linguagem cinematográfica serve ainda para lembrar que não é necessário gastar montanhas de dinheiro em efeitos especiais e marketing para conquistar o espectador. Basta transmitir uma verdade, uma sensação de emoção genuína, para que a arte conquiste corações e mentes.

Boyhood

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