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Velozes & Furiosos 7

Depois de derrotar Owen Shaw, Dominic Toretto (Vin Diesel), Brian O’Conner (Paul Walker) e seus companheiros retornam para os Estados Unidos, onde tentam levar suas vidas normalmente. O problema é que o irmão mais velho de Owen, Deckard Shaw (Jason Statham), surge em busca de vingança e começa a caçar os amigos de Dom, um por um. Quando descobre sobre a morte de Han, Dom reúne sua equipe novamente para impedir Shaw antes que ele faça mais alguma vítima entre seus amigos.

(Furious 7) – Ação. Estados Unidos, 2015.

De James Wan. Com Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Dwayne Johnson, Jason Statham, Tyrese Gibson, Kurt Russell, Ludacris, Nathalie Emmanuel e Djimon Hounsou. 137min. Classificação: 14 anos.

Velozes & Furiosos 7


VELOZES & FURIOSOS 7 – RESENHA

Velozes & Furiosos é uma franquia que mudou bastante e evoluiu com o passar do tempo: o combo de velocidade e emoção ainda é o foco, mas seus personagens passaram de corredores clandestinos de rua para viajantes internacionais envolvidos em sequências de ação descaradamente absurdas e proezas escandalosamente impossíveis. Nem Ethan Hunt faz o que eles fazem. Missão Impossível não tem nada de impossível para quem é veloz e furioso. E quando você vir o filme, em especial as cenas em Abu Dhabi, você saberá exatamente do que estou falando. Só digo isso: gravidade é para os fracos.

Uma coisa que eu sempre gostei de Velozes & Furiosos, e que continuo a gostar de paixão, é que a franquia não tem medo algum de abraçar o absurdo. Eles são corajosos, e não estou falando apenas dos personagens; estou falando também de seus realizadores. Desde os cineastas que começaram tudo (lá em 2001) até os que chegaram aqui (em 2015). Todos eles tiveram cacife para entender as ideias e os ideais por trás de Velozes & Furiosos, e sempre foram capazes de compreender as mudanças que os tempos exigiam da franquia.

O cineasta malaio James Wan, experiente com filmes de horror (Jogos Mortais, Insidious, Invocação do Mal), faz sua estreia num blockbuster de ação de grande orçamento, consciente das responsabilidades para com a franquia; e ele ainda entrou em um projeto que acabou por impor algumas exigências angustiantes. Uma das estrelas principais da franquia, Paul Walker, morreu durante o período de filmagens, em um acidente de carro que não teve nada a ver com o filme. A produção parou por um tempo, então recomeçou; cenas foram regravadas e estratégias de filmagem usadas para que o personagem de Walker, Brian O’Conner, pudesse continuar no filme até o final. Cenas de filmes antigos foram usadas, enquanto atores e dublês (que incluíam dois dos irmãos de Paul, Caleb e Coby Walker) interpretaram Brian O’Conner em cenas chave de ação. No mais, efeitos de computação gráfica permitiram que Walker ainda estivesse no filme, e terminasse sua participação na franquia de forma digna; e os efeitos de CG são imperceptíveis, realizados pela Weta Digital, a companhia de efeitos especiais de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis).

O que começou como uma franquia de corridas de rua tornou-se (basicamente) um filme de super-heróis, em que Ludacris agora tem habilidades de artes marciais e Paul Walker pode lutar de igual para igual com Tony Jaa — e acredite, lutar de igual para igual com o astro de Ong Bak é para poucos. — Jason Statham entra no jogo como Deckard Shaw, irmão de Owen Shaw (Luke Evans), vilão de Velozes & Furiosos 6. E ele é amedrontador. O cara está em todos os lugares, aparece quando menos se espera, em qualquer situação; é um tremendo arqui-vilão para um grupo de corredores de rua que se tornaram super-heróis. Como se não fosse o bastante, ainda adicionaram Kurt Russell a essa insanidade toda. Impossível não achar esse filme sensacional.

Por falar em luta, Velozes & Furiosos 6 inseriu o conceito de “luta de garotas” na franquia com uma incrível cena de luta entre Michelle Rodriguez e Gina Carano. Agora é a vez de Michelle Rodriguez sair na mão com ninguém menos que Ronda Rousey. Diferente de Carano — que tinha um papel mais relevante no sexto filme —, Rousey aparece apenas como uma bad girl para enfrentar Letty; seria legal vê-la por mais tempo, num papel um pouco mais forte, afinal é uma das lutadoras mais icônicas, de ambos os sexos, no MMA atual — e quem sabe isso não acontece no futuro, podemos sonhar. — A luta entre as duas é fantástica, parte da sequência de acontecimentos mais alucinada do filme (e provavelmente de toda a franquia). E sempre é bom ver Michelle Rodriguez em ação; ela é sempre um espetáculo a parte em qualquer filme.

Só é uma pena que, dessa vez, Hobbs (Dwayne Johnson) apareça tão pouco. Ele tem uma cena de ação ESPETACULAR no início do filme, e logo depois é tirado do jogo — de forma igualmente ESPETACULAR — por Deckard Shaw, após uma cena de luta frenética. No final, Hobbs encontra seu caminho para participar novamente do jogo, no momento mais importante, com uma metralhadora giratória na mão! Pois é, Hobbs é sensacional. E qualquer filme que tenha The Rock no elenco é sensacional no mesmo nível.

Aliás, isso me lembra de algo muito importante: a forma como James Wan filma suas tomadas, fazendo a câmera acompanhar os movimentos dos personagens durante a ação e as lutas; a câmera gira em torno deles, focaliza em momentos de tensão e dá até cambalhota durante golpes de artes marciais — isso torna tudo muito mais frenético e impactante. — Wan merece todos os elogios ao mostrar que sabe lidar com algo desta grandiosidade. O clímax do filme, que conta com nada menos do que três sequências acontecendo de uma só vez, é muito bem conduzido, saltando de um momento para o outro e mantendo as coisas em movimento num ritmo rápido.

Então chegamos a Paul Walker, que deixou a maior parte de suas cenas gravadas antes de sua trágica morte. Outras cenas certamente foram gravadas — com a ajuda dos atores, dublês e efeitos visuais — para completar o que Walker não conseguiu gravar. Durante todo o filme, estamos conscientes desse fato. Há uma cena de funeral em que a frase “sem mais funerais” é pronunciada e Brian O’Connor diz: “Só mais um”. O espírito de Paul Walker parece estar em cada pedaço do filme, não de forma pesada, mais como uma celebração fúnebre que mantém seu espírito vivo, terminando em uma homenagem solene, de descanso pacífico para um dos grandes astros dessa história. Em muitos aspectos, Velozes & Furiosos 7 parecia planejado para que Brian encontrasse enfim o merecido descanso com sua esposa e filho, um desfecho mais do que digno.

Velozes & Furiosos 7 mantém a insanidade da franquia viva, abraçando suas cenas de ação absurdas e proporcionando momentos de pura diversão, sempre com uma bravata espetacular na ponta da língua. O que seria de Velozes & Furiosos sem bravatas, não é mesmo? Aliás, o que seria de um super-herói sem bravatas?

A verdade é que Velozes & Furiosos 7 é reflexo de uma franquia de blockbusters que se tornou totalmente auto-consciente. A realidade cinematográfica criada pela Marvel Studios com seu Universo Cinemático aos poucos se alastrou para outras franquias, que construíram seus próprios universos, com suas próprias leis e regras — ou com a total falta delas. — Cada capítulo da franquia Velozes & Furiosos tornou-se uma espécie de Vingadores, em que uma equipe de “super-heróis” se reúne para enfrentar um grande vilão em uma aventura épica. Os heróis de Velozes & Furiosos podem não ser “super”, mas são capazes de façanhas que deixariam o Capitão América chupando dedo, e vamos combinar que isso torna tudo MUITO. MAIS. FODA.

Que fique claro que não estou falando apenas de meia dúzia de acrobacias mirabolantes. Estou falando de carros “pulando” de arranha-céu para arranha-céu, desafiando TODAS as leis imagináveis da física ou da gravidade. E quer saber? Foda-se a gravidade! Foda-se o bom-senso! Fazia tempo que não me divertia tanto vendo um filme. Fazia tempo que não vibrava como vibrei, e não soltava um “putaquepariu!” como soltei (baixinho, claro, embora eu quisesse gritar). Poucos filmes me divertem como Velozes & Furiosos, e esse ainda tem uma emoção especial. Com sua homenagem maravilhosa a Paul Walker no final, eles se despedem lindamente de um irmão que fez parte dessa grande família por anos. Eles não apenas nos fazem chorar, nos fazem querer ser parte dessa família por quanto tempo for possível. Que o lema desta bela despedida seja também um lema para a vida: “Eu não tenho amigos. Tenho família.”

Velozes & Furiosos 7

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