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Insurgente

Tris (Shailene Woodley) e Quatro (Theo James) são agora fugitivos, perseguidos pela líder da Erudição, Jeanine (Kate Winslet), que continua sua investida para tomar o controle das facções. Correndo contra o tempo, eles devem descobrir sobre um item antigo que a família de Tris sacrificou suas vidas para proteger. Assombrada pelas escolhas que fez no passado, mas tentando proteger seus amigos e familiares, Tris enfrenta um desafio após o outro, à medida que ela e seus companheiros lutam para desvendar a verdade sobre a história do sistema de facções.

(Insurgent) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2015.

De Robert Schwentke. Com Shailene Woodley, Theo James, Kate Winslet, Ansel Elgort, Naomi Watts, Octavia Spencer, Jai Courtney, Miles Teller, Daniel Dae Kim, Maggie Q, Ray Stevenson e Zoë Kravitz. 119min. Classificação: 12 anos.

Insurgente


INSURGENTE – RESENHA

Seguindo os eventos de Divergente, Tris Prior e seus companheiros renegados da Audácia buscam refúgio com os membros pacifistas da Amizade, cujo lema é “Vá com felicidade”. Se você vai seguir este lema enquanto assiste ao filme, depende muito do que você espera dessa continuação, inspirada no segundo livro da trilogia escrita por Veronica Roth. O filme é mais do mesmo, que consegue elevar razoavelmente o elemento da ação na história, mas se mantém morno o tempo todo, sem se arriscar demais, sem elevar o nível para algo mais intenso ou impactante. Insurgente é, na maior parte do tempo, distante e apático como os membros da Amizade.

Como episódio do meio de qualquer trilogia, cujo objetivo é servir de ponte, a história tenta expandir o universo sem perder o foco no original. E aqui é quando a série Divergente no cinema ganha mais ares de Jogos Vorazes. Insurgente muda de direção para sua segunda parte, com Robert Schwentke (RED: Aposentados e Perigosos) assumindo o lugar de Neil Burger; com o mundo já estabelecido, o diretor faz algumas mudanças, que tornam a experiência melhor do que com o filme anterior.

Só não consegue ser um Jogos Vorazes por causa de sua protagonista. A série Divergente (pelo menos no cinema) tem uma história e uma sequência de acontecimentos mais ou menos semelhantes a Jogos Vorazes. Tris, em muitos momentos, é uma protagonista mais forte do que Katniss (por não ser tão relutante), mas a atriz Shailene Woodley não consegue captar plenamente essa força da personagem. Woodley parece um pouco mais confortável no papel, mas é sempre apática e indiferente demais (nos livros, Tris é uma personagem mais emocionante de se acompanhar). Katniss tem a grande vantagem de ter Jennifer Lawrence (que faz a personagem do cinema ser emocionante como no livro, e também mais impactante do que a versão do livro).

A questão de Woodley soma-se ao fato de que o filme sofre com um desenvolvimento decepcionante de Tris. Com seu foco na história de auto-aceitação e perdão, o filme busca de todas as formas levar Tris pelos caminhos convencionais de uma “heroína” tentando superar a dor de suas escolhas difíceis. O problema é que Schwentke, em vários momentos, transforma Insurgente em um exemplo clássico de ‘dizer’ ao invés de ‘mostrar’, com pouca sutileza na hora de trabalhar o drama de Tris ou como seu estado mental/emocional vai se deteriorando. Woodley, que se destacou em Descendentes e A Culpa é das Estrelas, acaba se perdendo no papel.

Na verdade, os destaques maiores ficam por conta dos outros atores que dividem a cena com Woodley, em especial Theo James e Miles Teller. James incorpora perfeitamente o perfil de Quatro como o homem que deve liderar a resistência e par romântico da protagonista; ele não cai no estereótipo do mocinho que deve salvar a mocinha, ele é um complemento para a mocinha, o apoio tático. Teller é excepcional como Peter, responsável pelas melhores reviravoltas da trama. O ator melhorou muito desde Divergente, vide sua experiência no recente Whiplash, e em breve ele será o Sr. Fantástico no novo filme do Quarteto Fantástico. Fãs de Jai Courtney, Maggie Q e Mekhi Phifer vão perceber que seus respectivos papéis foram reduzidos a breves participações especiais de pano de fundo, mostrando pouco de como os personagens foram afetados pelas mudanças no sistema das facções. O mesmo pode ser dito de Kate Winslet como Jeanine; apesar de mais tempo de tela em Insurgente, a antagonista ainda é uma mera caricatura de vilã obcecada sem graça, que apesar de ser a pessoa mais inteligente da facção mais inteligente, raramente diz qualquer coisa perspicaz ou interessante.

Com suas cenas de ação sempre muito mornas, muito mansas, Insurgente dificilmente consegue arrancar mais do que um ou outro suspiro de tensão (a sequência de simulação em que Tris escala uma casa flutuante pegando fogo é o momento de mais impacto que o filme tem a oferecer). Quando Eric surge com sua legião de soldados então, dá tristeza ver a inabilidade deles para acertar um único tiro que seja em seus alvos; é muita inaptidão para um bando de caras que vieram da Audácia (a facção onde teoricamente estão os soldados mais habilidosos do sistema de facções) e eles nem estão em uma simulação (pois é, qual a desculpa deles?)

Se não fossem os conflitos gerados por Peter e alguns elementos como o julgamento da facção Franqueza, a trama provavelmente seria apenas uma sucessão de interações sem charme (ou simuladas) e cenas de ação sem impacto (ou simuladas). Divergente, infelizmente, não foi um bom filme; Insurgente segue um caminho parecido, embora consiga melhorar algumas coisas (a trilha sonora sem dúvida melhorou muito!). E apesar de não ser fiel ao livro em que se baseou, funciona bem com suas mudanças. Poderia ser melhor, mas por ser melhor do que o primeiro filme, já tem seu valor. Nas duas partes de Convergente (o terceiro livro que será dois filmes) as coisas têm chances de melhorar ainda mais, é o que eu espero.

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