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Sétimo Filho

Baseado nos livros O Aprendiz e A Maldição, da série As Aventuras do Caça-Feitiço, escrita por Joseph Delaney, o filme começa quando um grande mal é libertado sobre mundo, reacendendo a guerra entre as forças da luz e da escuridão. Mestre Gregory (Jeff Bridges), o último dos Cavaleiros da Ordem do Falcão, aprisionou a terrível bruxa Mãe Malkin (Julianne Moore) anos atrás. Mas agora ela escapou e está em busca de vingança. Convocando seus seguidores mais leais, Mãe Malkin se prepara para liberar sua ira sobre o mundo, que tem Mestre Gregory como único guardião. Para enfrentá-la, Gregory precisa fazer em algumas semanas o que normalmente levaria anos: treinar um novo aprendiz, Tom Ward (Ben Barnes), para combater a magia negra de sua adversária. Sua única esperança está no sétimo filho de um sétimo filho.

(Seventh Son) – Fantasia. Estados Unidos, 2014.

De Sergei Bodrov. Com Jeff Bridges, Ben Barnes, Alicia Vikander, Kit Harington, Olivia Williams, Antje Traue, Djimon Hounsou e Julianne Moore. 102min. Classificação: 12 anos.

Sétimo Filho


SÉTIMO FILHO – RESENHA

Sétimo Filho é um filme rápido e despretensioso, e ainda que essas duas qualidades possam ser consideradas notáveis, também falam mais sobre o atual estado do cinema de gênero do que sobre o filme em si. Dirigido pelo competente Sergei Bodrov (O Guerreiro Genghis Khan) e ambientado em um mundo medieval fantástico, cheio de criaturas sobrenaturais e bruxas construídas com bons efeitos de computação gráfica, o filme tem como principal elemento de interesse o Mestre Gregory interpretado por Jeff Bridges, que mesmo criando um personagem divertido, não consegue livrar a história de ser maçante.

O problema talvez seja a tentativa de condensar e adaptar dois romances da série As Aventuras do Caça-Feitiço em um só filme. Muita coisa se perde dos livros para o filme, e dentre essas coisas perdidas, as mais importantes são a emoção da aventura e a relação entre os personagens (especialmente Tom e Alice, que possuem uma relação mais profunda e conflitante nos livros, não simplesmente um romance adolescente sem graça). Aliás, convém mencionar que o próprio Tom, protagonista da história, não empolga no filme, graças ao desempenho fraco de Ben Barnes.

Com Mestre Gregory, Bridges infla as bochechas, empurra para fora sua mandíbula inferior como se estivesse pronto para morder ao menor sinal de problemas, e mantém os lábios franzidos, detalhes que ressaltam o caráter excêntrico do personagem, que ainda tem um bigodinho e uma barbicha engraçados. Apesar do aspecto, ele é imponente como um habilidoso mago caçador de criaturas e monstros sobrenaturais; o que faz dele o elemento mais estranho e interessante de Sétimo Filho. O problema está no fato de que até no background de Gregory, o filme promove mudanças que atrapalham o charme do personagem (como a relação dele com Mãe Malkin, inspirada de forma confusa em partes do livro relacionadas a outra personagem, a bruxa Meg Skelton).

Os livros que inspiraram Sétimo Filho são frutos de uma fantasia mais arquetípica: um mundo de fantasia medieval em que o destino do mundo é decidido por batalhas entre o bem e o mal. Não é tão diferente de Senhor dos Anéis, Mago ou A Roda do Tempo. A diferença é que esse cenário lida com a premissa do “caçador de seres sobrenaturais”, em que um homem persegue bruxas, amuletos e fantasmas para proteger o mundo das forças das trevas. Nos livros, a coisa toda é bem desenvolvida (até porque a saga conta com 13 romances até agora e vários contos paralelos). Mas você deve estar pensando: não dá para o filme ser totalmente fiel ao livro, é óbvio que algumas coisas se perdem. Concordo com isso, e o próprio Senhor dos Anéis é um caso. Os filmes são diferentes dos livros e são tão fodas quanto. O problema com Sétimo Filho é que o universo criado por Delaney e a própria essência do enredo, no filme, são diluídos demais em prol do excesso de beleza visual e das cenas de ação frenéticas (e o pior é que as cenas de ação são chatas). O resultado é que o filme se torna apenas uma história de fantasia genérica sobre a luta do bem contra o mal, que às vezes parece uma versão fria e fraca de João & Maria: Caçadores de Bruxas (que parece ter servido mais de inspiração para Sétimo Filho do que os livros por suas bruxas, seu Tusk ~nice guy e seus rituais durante a lua vermelha).

A verdade é que, pela forma como é feito, o filme poderia ser sobre qualquer coisa. Com seu grande orçamento, os efeitos voltados para a fantasia têm recursos para elevar Sétimo Filho aos mais estranhos e surpreendentes momentos que qualquer um de nós gostaria de ver em um filme de fantasia, mas esses momentos são tão poucos que nunca levam o filme além do básico: missões, viagens, treinamento e muita conversa sobre destino (sendo que essa coisa de destino já está um pouco batida, e raramente é bem aproveitada, em qualquer história).

Um reflexo disso são os seguidores de Mãe Malkin, que mudam de forma (com efeitos especiais espetaculares). Um deles se transforma em um urso gigante, outro em uma espécie de lagarto dracônico, outra em um leopardo, outro em um monstro humanoide de múltiplos braços com espadas. Eles são grandes obstáculos para os heróis, e são tratados durante grande parte do filme como os vilões fodões que não seriam facilmente derrotados. Então chega o momento de colocá-los a prova, e tudo com que o filme se preocupa é mostrá-los juntos saqueando e destruindo uma cidade em uma cena sem qualquer impacto real para o enredo (está lá apenas para mostrar o potencial dos efeitos visuais do filme). Quando os heróis finalmente confrontam esses vilões, o desfecho é frustante. Soma-se a isso o fato de que Bodrov, apesar de conhecer as maneiras de se elaborar uma luta entre seres de tamanhos diferentes entre colunas, portais, túneis e afins, não é tão eficiente na hora de balancear o tamanho diferente em computação gráfica dos personagens. Fica parecendo falso quando eles se enfrentam.

Ao longo da trama, Bridges oferece alguns pequenos breves lapsos sobre aspectos do mundo e de Mestre Gregory, muitos envolvendo sua tendência de explicar sobre os perigos sobrenaturais que habitam o cenário (Ghasts, por exemplo, são fragmentos de fantasmas, que poderiam ter alguma relevância real, mas que passam batidos e logo são ignorados). Desenvolver o cenário, no caso de um mundo de fantasia, é uma coisa importante também. Se há uma razão pela qual esses pequenos lapsos são tão tentadores, é porque eles são os únicos momentos que o filme ativamente tenta estimular nossa imaginação, pedindo-nos para aceitar e/ou visualizar o funcionamento de um mundo invisível. Mas a noção equivocada do cinema atual de que a fantasia deve ser APENAS uma profusão frenética de efeitos visuais e cenas de ação talvez seja o maior limitador de Sétimo Filho. Poderia ter sido tão mais divertido, tão mais cativante, tão mais impressionante. No fim, o feitiço apenas se voltou contra o feiticeiro.

Sétimo Filho

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