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O Amor é Estranho

Após quase quatro décadas juntos, Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) resolvem se casar. Isto leva o último a perder seu emprego numa instituição ligada à Igreja Católica. Passando por dificuldades financeiras, o casal é ajudado pelos parentes e obrigado a viver em casas separadas, gerando conflitos entre todos.

(Love is Strange) – Drama. Estados Unidos, 2014.

De Ira Sachs. Com John Lithgow, Alfred Molina, Marisa Tomei, Darren E. Burrows e Charlie Tahan. 97 min. Classificação: 12 anos.

FESTIVAL DO RIO 2014 – Exibição na Mostra Panorama do Cinema Mundial

O Amor é Estranho


O AMOR É ESTRANHO – RESENHA

O casamento entre homossexuais ainda é um tema que atrai um discurso intolerante. É difícil discuti-lo sem gerar polêmica ou debates acalorados entre quem o defende e quem não o aceita. Na contramão desta tendência, O Amor é Estranho trata o assunto com uma delicadeza ímpar, sem querer comprar brigas, mas buscando retratar o casal de protagonistas e seus parentes como pessoas comuns, e apenas isso.

As primeiras cenas que mostram o casamento entre Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) são extremamente agradáveis, bonitas, passando uma sensação de alegria típica de quem vive essa cerimônia.

Depois de 39 anos juntos, finalmente os amantes puderam se casar. Contudo, George é professor de música em uma Igreja Católica, e seu casamento não é bem visto pelas autoridades eclesiásticas, o que leva à sua demissão. O casal então é obrigado a vender seu apartamento, vivendo separado na casa de parentes até arranjar um novo lugar para morar.

Ainda há a dificuldade de se adaptar ao ritmo de vida diferente dos donos das casas. George não consegue dormir porque há festas todas as noites no apartamento em que vive. Já Ben acaba interferindo na vida do sobrinho Elliot (Darren E. Burrows), sua esposa escritora, Kate (Marisa Tomei), e o filho adolescente destes, Joey (Charlie Tahan).

O filme tem um ritmo bem contemplativo, puxando para o realismo, com um tom mais contido. As atuações são boas, evitando o melodrama. Parece mesmo se tratar de pessoas reais, em situações comuns do dia a dia. Isso dá força à trama, na medida em que torna mais fácil a identificação com os personagens em cena.

O diretor Ira Sachs, assim, evita comprar briga sobre as questões de gênero. Sua preocupação é em retratar os dramas humanos, e a dificuldade nas relações familiares que poderia, na verdade, se dar em qualquer família. Seu único problema é focar muito nos diálogos, esquecendo um pouco a regra do cinema de “mostrar, não contar”. A conclusão da trama envolve um acontecimento importante que não é sequer sugerido visualmente, mas apenas uma informação jogada numa conversa. Isto causa um estranhamento que depõe contra todo o trabalho de construção de empatia com os personagens, tirando um pouco da força emocional do final. Esta opção do diretor foi para manter o tom sóbrio de todo o filme, mas aqui caberia amenizá-lo para dar mais força dramática ao que deveria ser o clímax da obra.

Ainda assim, trata-se de um filme belíssimo, que não procura levantar bandeiras e trata a relação homoafetiva como ela deve ser tratada: um tipo de relação entre seres humanos como qualquer outra. Não que seja errada a militância pela igualdade de direitos; além disso, todo o drama tem origem na desigualdade, é bom não esquecer. Mas dar face e sentimentos a quem é tratado como diferente serve para humanizar estas figuras, o que é importante, pois é mais fácil criar um discurso intolerante quando se desumaniza seu objeto. E poucas vezes essas relações foram tratadas com tanta delicadeza quanto nesse filme.

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